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Novos trilhos são pretexto para conhecer o concelho.

Luísa Teresa Ribeiro
14 Junho 2022

As paisagens do Douro e do Tua, um castelo com cinco mil anos de história, gastronomia e vinhos são alguns dos tesouros que Carrazeda de Ansiães tem para oferecer aos visitantes. O concelho possui uma rede de oito trilhos, à espera que os turistas ponham os pés a caminho.

É num miradouro envolto em silêncio, a contemplar o rio Douro, que se tem consciência de que há locais no interior do país que é mesmo obrigatório (re)descobrir. Estamos em Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, a cerca de 150 quilómetros de Braga, a percorrer um dos cinco novos trilhos que este concelho implementou, num convite para que os amantes das caminhadas e da natureza percorram o concelho passo a passo.

Depois das rotas de S. Lourenço, Senhor da Boa Morte e Foz-Tua, que já existiam no Vale do Tua, o município inaugurou os trilhos do Miradouro da Cova Escura, da Aldeia dos Moinhos, da Fraga das Ferraduras, das Quedas d’Alto e da Fraga da Ola, na zona do Douro, criando condições para que os visitantes apreciem a diversidade de oferta do concelho.

Implementados no terreno pela empresa Portugal NTN e homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, os novos percursos passam por alguns dos pontos de interesse do município, convidando os caminhantes a explorarem o património local.

O Trilho do Miradouro da Cova Escura começa precisamente junto à sede do Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira, que destaca o ciclo do vinho e os ofícios tradicionais. Já o Trilho da Aldeia dos Moinhos leva os caminhantes à descoberta dos moinhos de rodízio do Ribeiro do Couto, inseridos num espaço de lazer bucólico e campestre.

Estes são dois dos cinco polos que compõem o Museu da Memória Rural, uma estrutura cultural dedicada à preservação do património material e imaterial, que complementa a apresentação do espólio em núcleos temáticos espalhados pelo concelho com a recolha de testemunhos das gentes locais, de forma a perpetuar os usos e costumes que fazem a história do concelho. Os depoimentos estão disponíveis online.

É com a orientação de Alexandra Lopes, arqueóloga e chefe de Divisão de Turismo, que descobrimos este património, numa visita promovida pela Câmara de Carrazeda de Ansiães e organizada pela agência de comunicação Conteúdo Chave.

O périplo pelo concelho incluiu o moinho de vento de Carrazeda de Ansiães, uma construção pouco frequente em Trás-os-Montes. Mandado construir em 1900, por Damião Gonçalves Neves, terá funcionado no máximo uma década e meia. Em 2012 foi recuperado, estando integrado nos circuitos patrimoniais, turísticos e pedagógicos da autarquia.

A próxima paragem é na aldeia de Lavandeira, onde o Núcleo Museológico do Azeite explica as tradições ancestrais da apanha da azeitona e mostra como era produzido o azeite num lagar tradicional de prensa de parafuso central. Esta rede museológica fica completa com a telheira de Luzelos, a que em breve se vai juntar um núcleo dedicado ao ferreiro e ferrador, em Seixo de Ansiães.

A pouca distância do lagar, fica localizada a igreja de Santa Eufémia, um templo seiscentista com o interior decorado em esplendoroso estilo barroco, destacando-se a talha dourada, os caixotões do teto e os frescos nas paredes. Aqui há a tradição de se comer  a “marrã” (carne de porco assada na brasa)na romaria em honra de Santa Eufémia, a 15 e 16 de setembro.

Castelo com 5 mil anos de história

A vila amuralhada de Ansiães é o expoente máximo do concelho em termos patrimoniais, com vestígios que remontam ao 3.º milénio a.C. O Centro Interpretativo do Castelo de Ansiães, permite ao visitante o encontro com a história do concelho.

Para além de 5 mil anos de história, este local tem uma paisagem impressionante, com vista para o planalto de Ansiães, o rio Douro e o Castelo de Numão.

Com uma implantação geográfica que lhe confere excelentes condições naturais de defesa, o castelo foi habitado desde o calcolítico até 1734, data em que os Paços do Concelho foram transferidos para Carrazeda.

Devido à sua importância no processo de Reconquista Cristã, o rei leonês Fernando Magno atribuiu-lhe o foral no século XI, estando entre os cinco forais mais antigos do território que atualmente compõe Portugal.

A igreja de S. Salvador é uma das joias desta vila amuralhada. O templo do século XII tem um tímpano “Pantocrator” no portal principal, cuja iconografia do “Cristo em Majestade” é considerada pelos especialistas como «a mais completa do românico português».

Vale do Tua tem Centro Interpretativo

O Tua é um importante polo de atração, sendo o Centro Interpretativo do Vale do Tua e a Porta de Entrada no Parque Natural Regional do Vale do Tua estruturas de acolhimento para quem vai iniciar o percurso neste território.

Localizado num antigo pavilhão da estação de comboios de Tua, o Centro Interpretativo tem uma exposição permanente dedicada ao vale, à linha ferroviária e à barragem, proporcionando uma visita que vai desde a geologia, à construção da linha e à sua submersão parcial com a construção da barragem.

A pouca distância fica uma antiga casa dos cantoneiros, que foi transformada na “Foz-Tua Wine House”, um espaço dedicado à divulgação e comercialização de vinhos e produtos do concelho, sendo o preço de venda ao público o praticado pelos produtores. Aqui é possível provar e comprar vinhos, queijos, enchidos, compotas ou frutos secos.

Para além da sala de exposição e venda dos produtos, o equipamento tem uma sala de provas, um pequeno auditório e uma esplanada com vista para os rios Tua e Douro.

Os vinhos e a gastronomia são ex-libris do concelho, podendo ser degustados no restaurante Beira Rio, em Foz-Tua, que já conta com clientela da zona de Braga. Para comer no concelho, referência também para o Restaurante Convívio e para a Taberna da Helena.

Entre os produtos mais icónicos de Carrazeda de Ansiães estão as uvas e as maçãs. Foi precisamente da junção destas duas palavras em inglês que surgiu o nome do único hotel de quatro estrelas do concelho: o “Grapple – Hotel & Spa”.

Carmina Gonzalez, de 36 anos, nascida em França, mas com ligações familiares à região, resolveu mudar-se para Portugal e apostar na criação desta unidade hoteleira, num investimento de 2,8 milhões de euros que contou com o apoio do Turismo de Portugal.

Com assinatura da arquiteta Daniela Rebelo e decoração de interiores de Nini Andrade Silva, o hotel tem a particularidade de ter três “villas” onde é possível manter a privacidade sem deixar de usufruir das restantes instalações e serviços do empreendimento, nomeadamente piscinas – interior, exterior de água salgada e infantil; jacúzi; sauna; banho turco; restaurante; bar; e salão para eventos.


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