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Freguesia do concelho de Ponte de Lima convida a visitar exposição coletiva.

Luísa Teresa Ribeiro
14 Jun 2022

A Junta de Freguesia de Bertiandos tem patente ao público, até 24 de junho, a exposição “As artes em diálogo”. Apresentando obras de diferentes áreas artísticas, esta mostra é um exemplo de descentralização cultural.

©CMPL

“As artes em diálogo” é o título que resume a essência da exposição coletiva que pode ser apreciada, na Junta de Freguesia de Bertiandos, no concelho de Ponte de Lima. A mostra apresenta trabalhos de produção artesanal, artístico-cultural e literária, valorizando desta forma as obras dos criadores locais, que têm a oportunidade de apresentar publicamente o seu talento.

Esta é uma iniciativa da Associação de Escritores, Jornalistas e Produtores Culturais de Ponte de Lima em parceria com a Junta de Freguesia de Bertiandos, contando com o apoio do Município e da Confraria Gastronómica do Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima.

O visitante encontra reunidos no mesmo espaço trabalhos de pintura, esculturas em gesso e pedra, livros de história local e de outras temáticas, peças de cerâmica, latoaria, madeira, bordados, brinquedos tradicionais, entre uma variedade de outros utensílios e objetos produzidos com materiais diversificados.

Esta diversidade resulta do objetivo que norteou a mostra, que foi destacar a importância que os diferentes ofícios e artes tiveram ao longo dos tempos e têm ainda para a vida social e cultural, independentemente dos recursos utilizados na sua produção e dos fins a que se destinam, sejam de natureza utilitária, estético-decorativa ou literária.

O presidente da Associação de Escritores, Jornalistas e Produtores Culturais de Ponte de Lima, Fernando Hilário, explica que esta exposição «foge aos cânones tradicionais», uma vez que a intenção foi «misturar as artes», pondo-as em diálogo.

Este responsável refere que áreas que por vezes são consideradas como mais eruditas, tais como a pintura, a escultura ou a música, surgem lado a lado com o artesanato e a arte com um sentido mais utilitário e até decorativo. A ideia é, assim, sublinhar a «dimensão democrática da arte».

Este dirigente constata que ainda não é atribuído o mesmo valor ao artesão que ao pintor ou escultor. Ao apresentar as artes em conjunto, esta mostra pretende valorizar o trabalho dos artesãos, que veem as suas obras «num espaço privilegiado de exposição» e valorizadas pelos visitantes.

Por outro lado, a mostra aposta na descentralização cultural para que «a arte esteja mais próxima das pessoas. «Saímos da vila e viemos para uma freguesia, permitindo a sensibilização da população para as artes», afirma.

Esta proximidade pretende também encorajar os criadores que ainda não tiveram coragem para apresentar publicamente as suas obras. «Há muita gente que não está aqui representada, mas que tem muito valor, tanto no artesanato como noutras artes. Esta pode ser uma motivação para que exponham o seu trabalho», diz.

A exposição pode ser visitada todos os dias, entre as 14h00 e as 18h00, na Junta de Freguesia de Bertiandos, até 24 de junho.

 

Freguesia dá exemplo de descentralização cultural

A presidente da Junta de Freguesia de Bertiandos destaca o intuito de descentralização cultural que motivou a realização da exposição “As artes em diálogo”.

«Há todo o tipo de manifestações culturais na vila, incluindo exposições. Contudo, as pessoas que estão na periferia não vão a essas exposições, por isso esta é uma forma de levar a arte ao seu encontro», afirma Isabel Vilaverde

Esta responsável explica que a autarquia local também promoveu, em 2014, uma mostra de alfaias agrícolas, usos e costumes e, em 2018, uma mostra de trajes tradicionais de Bertiandos. Os bordados são a principal arte desta localidade de 2,4 quilómetros quadrados e 348 habitantes.

Presidente da Junta destaca a tradição dos bordados de Bertiandos.

A cumprir o terceiro mandato à frente dos destinos da freguesia, a autarca refere que a mostra que está atualmente patente ao público pode servir de exemplo de descentralização cultural para outras freguesias, que podem seguir o formato, convidando os artistas locais a mostrarem as suas obras.

Diversos presidentes de Junta estiveram presentes na cerimónia de inauguração desta exposição, que decorreu no passado dia 28 de maio.

Também presente na abertura da mostra, o vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima destacou igualmente a questão da descentralização cultural, revelando a vontade de que esta exposição seja itinerante e possa percorrer outras freguesias do concelho.

Paulo Sousa considerou que se trata de «um evento cultural de muita qualidade», que é «um excelente mote» para a retoma das atividades artísticas no pós-pandemia. «É uma forma de descentralização cultural. É uma excelente oportunidade para levarmos a cultura a outros espaços, uma vez que estes eventos estão normalmente concentrados nas áreas mais urbanas», disse.

«Certamente que esta experiência de muita qualidade será marcante para toda a comunidade e para as comunidades vizinhas. Queremos que este projeto, por ser tão marcante, possa ser implementado noutras freguesias de Ponte de Lima», declarou.

 

Montra para artistas

A exposição “As artes em diálogo” é uma montra para os artistas apresentarem o seu trabalho. A mostra é complementada com conversas com os autores, na sede da Junta de Freguesia, e por uma página no Facebook dedicada especificamente a esta iniciativa.

Eliseu e Diogo Sequeiros apresentam nesta mostra a cantaria artística, uma das artes de maior destaque em Ponte de Lima. Fazendo todo o tipo de peças, desde imagens religiosas a figuras típicas da cultura popular ou fontes, alertam para a falta de mão de obra para responder a tantas encomendas. Na sua opinião, seria pertinente haver uma escola para perpetuar esta arte.

 

Por seu turno, Maria Andersen é versátil em diversas artes, incluindo joalharia, escultura e ensaio literário, revelando que está no caminho contínuo de procura de si mesma como artista na sociedade.

Apaixonado pela fotografia, Artur Oliveira apresenta imagens de Ponte de Lima, desde locais conhecidos até pontos mais recônditos do concelho. Antes desta mostra, participou noutra em que Ricardo Ferreira recriava em aguarela as suas fotos, estando prevista a reedição desse formato dentro de um ano e meio.

Doutorada em literatura, Isabel Patim não se define como artista, mas como uma pessoa «que precisa das linguagens das artes para ser feliz». Com obras nas áreas da fotografia e pintura, refere que todo o seu processo artístico é de «desconstrução».

Dantas Lima revela que depois de se jubilar dedicou-se a fazer trabalhos ligados às artes tradicionais. Como tinha formação, montou uma oficina dedicada sobretudo à construção de cabeçudos para desfiles e festas. Para além destas figuras tradicionais, faz peças de madeira torneada e pintada.

Catarina Pimenta é designer de moda, estando agora a iniciar o seu percurso pela arte, explorando os caminhos da ilustração de moda e do desenho do traje vianense.

Já Conceição Gonçalves dedica-se à escrita e à pintura, adiantando que o que escreve se destina a oferecer aos leitores ferramentas para que sejam melhores pessoas e profissionais.

Na inauguração da exposição “As artes em diálogo” não faltaram as tradicionais concertinas, nem os momentos musicais a cargo de Duarte Pedro Matias.




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