Espaço do Diário do Minho

Onde é a festa da Eucaristia?

8 Jun 2022
H. José Esteves

Estamos no mês em que a maioria das paróquias realiza as cerimónias das Primeiras Comunhões e das Profissões de Fé. Na atualidade, sobretudo as Primeiras Comunhões são sinónimo de festa! Mas que tipo de festa? Será festa porque as nossas crianças – filhos, irmãos, sobrinhos, afilhados, netos – vão receber pela primeira vez Jesus Sacramentado ou é festa porque vão desfilar roupas novas, posar para as fotografias, receber presentes, conviver em quintas e restaurantes? Pois bem, a Igreja não é promotora de festas! A Igreja em comunhão, a Eucaristia em si, é a única festa, a verdadeira alegria, a genuína união. É urgente reavivar o real motivo e sentido da festa, transmitir às nossas crianças e aos nossos adolescentes que estas festas, algumas da qual concedem a graça e a santificação – sacramentos, são etapas importantes e únicas na vida dos cristãos, que devem ser festejadas com alegria, amor, modéstia e docilidade.

Que esta ida à igreja não seja uma mera desculpa para fazer uma festa pagã, sem contexto, apenas alicerçada no materialismo e no consumismo, nas modas e no “fazer ver”. Se é uma festa da Igreja, que seja festejada na igreja, na casa de Deus, em comunidade; que não seja uma festa única, de apenas um dia! Que seja uma festa contínua, frequente e duradoura, com efeitos benévolos e caritativos quer na Igreja, quer na sociedade.

A Igreja reúne-se diariamente, mas sobretudo aos domingos, para festejar a vida e celebrar o amor! Que as nossas crianças, que vão receber o sacramento da Eucaristia, e os nossos adolescentes, que vão reafirmar a sua fé batismal, sejam firmes, digam sim “Quero ser Igreja” e busquem a santidade, a humildade e a caridade, valores que atualmente estão a desaparecer. Que entendam que ser Igreja é mais que uma festa de restaurante, uma sessão fotográfica ou um desfile de roupas novas! Receber Jesus, reafirmar a nossa fé é aceitar de coração cheio, é querer verdadeiramente seguir Cristo na sua plenitude, no amor ao próximo, no serviço eclesial, na entrega e na firmeza.

Estas etapas são pequenas avaliações na nossa caminhada de cristãos. É isto que quero para a minha vida? Vamos fazer a festa?! Então, se é isso que queremos, que seja sem enganos, sem “ir por ir”, sem obrigações, sem aparências e sem exigências.

Pais, jovens da Profissão de Fé e crianças da Primeira Comunhão, fazei a festa por vontade própria, com garra e com orgulho. Como diz o ditado “quem faz por gosto, não cansa”. Se fizerem a festa com gosto, não vão cansar, não vão desistir, não vão abandonar, sobretudo não vão dececionar.

Que nas cerimónias das Primeiras Comunhões e das Profissões de fé haja festa, alegria, salva de palmas, convivência, sorrisos rasgados e sentimentos de amor e fraternidade.

Restaurantes, roupas novas, fotografias e presentes, podemos receber diariamente, mas receber Jesus pela primeira vez e reafirmar a fé batismal, é só uma única vez na vida.



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