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Equação de investigador da U.Porto calcula impacto humano no sistema terrestre

A equação do antropoceno, a que o físico Orfeu Bertolami, da Universidade do Porto, chegou em 2018, consegue medir o efeito da atividade humana no sistema terrestre, dado essencial para compreender as alterações climáticas.

Redação/LUSA
2 Jun 2022

Na comunidade científica, o entendimento geral é o de que o planeta entrou, na década de 1950, no antropoceno, uma nova era geológica influenciada pela atividade humana, saindo do holoceno, “uma época muito especial, em que o clima estava muito estabilizado”, descreve o cientista.

“O que a atividade humana fez foi tirar o sistema terrestre desse estado de equilíbrio e está a empurrá-lo para uma nova fase, que chamamos de Terra Quente, no estado onde a temperatura média é muitíssimo maior”, explicou.

A equação, que desenvolveu com Miguel Barbosa e que foi publicada em 2019, permite “demonstrar que quaisquer que sejam as condições iniciais do holoceno, dada a tendência da atividade humana como ela existe, está-se a empurrar necessariamente o sistema terrestre para um novo estado em que a temperatura média é muito mais alta. Quão mais alta? Depende da atividade humana. Agora tem de se quantificar a atividade humana. Isso não é nada fácil”.

Apesar de ter chegado à fórmula, ainda há trabalho por fazer: “Já tenho a equação do antropoceno. A questão é quais os parâmetros que ponho. O que conseguimos demonstrar, com o Miguel Barbosa, agora na Alemanha, é que os parâmetros falam uns com os outros. Isso é completamente novo”.

“São nove parâmetros conversando com nove parâmetros – são 81 números. Nós estimámos um. Temos que, agora, saber como é que eles falam entre si, é complicado”, prossegue.

Para isso, precisa de tempo e de recursos.

“Propus à Fundação para a Ciência e a Tecnologia um estudante de doutoramento que fizesse isso para Portugal. Zero euros. Nem uma bolsa conseguimos”, lamenta.

Orfeu Bertolami é natural de São Paulo, no Brasil.

Doutorado pela Universidade de Oxford, trabalhou no Institut fuer Theoretische Physik em Heidelberg, na Alemanha, no Instituto de Física e Matemática, em Lisboa, na Divisão Teórica do CERN, no Istituto Nazionale di Física Nucleare, em Turim, no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico e na Universidade de Nova Iorque.

É atualmente professor catedrático no Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Porto.

Como físico teórico, trabalha questões de cosmologia, física das astropartículas, gravitação clássica e quântica e física fundamental no espaço e ciência do sistema terrestre.

Tem trabalhado as alterações climáticas, do ponto de vista físico, mas também, em colaboração com a socióloga Cármen Diego Gonçalves, a relação entre as alterações climáticas e a pandemia.





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