Espaço do Diário do Minho

S. João Paulo II, Magno 10 – Sameiro – 1982-2022 / 15 de Maio

26 Mai 2022
Carlos Aguiar Gomes

Milhares de cristãos despediram-se do Papa. Milhares de bandeiras acenaram na despedida. Era o adeus ao primeiro Papa que visitava Braga e nela deixou uma mensagem perene. Eram cerca das 18h30 m quando, de helicóptero, partiu para o Porto. Tinha já deixado saudades mas a alegria que cada um sentia era imensa: tinham visto o Papa ali perto. Sacrifícios? Sim, muitos, sobretudo pelo atraso da sua chegada devido ao tempo pouco agradável.

O Papa partiu e começaram a erigir-se memoriais da passagem do Papa polaco por Braga.

Na Estação do Caminho de Ferro de Braga, onde chegou, às 14 h e 40m, à cidade dos Arcebispos, para tomar um autocarro, acompanhado pelo Primaz das Espanhas, Dom Eurico Dias Nogueira. Uma multidão espalhou-se pelo trajecto para saudar o Papa. Anos depois, a CP colocou uma placa de metal, idêntica à que se pode ver na Estação de S.ta Apolónia (de onde partiu de Lisboa). Aí a podemos ver, junto à actual Linha 1, por onde era a então saída dos transeuntes e nela estão as armas pontifícias de S. João Paulo II Magno e estes dizeres: “Neste cais da Estação de Braga desembarcou, no dia 15 de Maio de 1982, Sua Santidade o Papa João Paulo II – CP – Caminhos de Ferro de Portugal”. É uma muito pobre e singela marca da passagem de um dos maiores Papas de todos os tempos e um dos maiores construtores da Paz. Poderia ter havido mais “generosidade” no tamanho e no material. Mas está lá a assinalar essa grande visita apostólica do Papa.

Em 3 de Junho de 1984 foi inaugurado um monumento-memória-mensagem da ida do Papa a este “monte-sacro” bracarense. Foi seu autor o Escultor cabeceirense, António Pacheco. É um monumento extremamente “falante”. Uma grande estátua de S. João Paulo II Magno está colocada no cimo de uma coluna prismática de granito, rocha cuja rijeza nos lembra a força anímica deste Papa. Na base está representada uma família, o tema da homilia que fez o Santo Padre dois anos antes naquele santuário. Este conjunto escultórico tem uma história curiosa que o seu autor me contou e que aqui deixo registada resumidamente. António Pacheco fora o escultor selecionado para fazer o memorial da visita do Papa. Ficou contente mas muito preocupado com o modo, significado e estilo que haveria e deveria exprimir aquela visita histórica. Teve um sonho que o remeteu para o desafio que tinha pela frente e a sugestão ia para tratar a sua obra com a família na base do monumento. Acordou subitamente e estava rodeado de um cheiro intenso a rosas. Ficou com a certeza do que iria fazer. Esboçou o esquema que correspondia ao que lhe era pedido e ao sonho que tivera. Assim nasceu aquele monumento impressionante pelo vigor e realismo que representa que agora podemos contemplar na Rotunda de acesso à Basílica e que tem o nome do Papa e, curioso, está sempre rodeado de flores depostas aos pés de S. João Paulo II Magno.

No centro da cidade de Braga, a Câmara Municipal, presidida pelo Eng. Mesquita Machado, também quis assinalar esse dia memorável de 15 de Maio de 1982. Assim, em Maio de 1987, foi inaugurado um “complexo” monumental, concebido pelo Escultor consagrado, Zulmiro de Carvalho e do Arquitecto Domingos Tavares. São três “momentos” escultóricos: três pirâmides de granito rosa, de diferentes tamanhos que, segundo os autores, simbolizam os três sacro-montes (Falperra, Sameiro e Bom Jesus) e rodeando uma coluna cilíndrica; um muro de contornos irregulares que, significarão a linha do olhar e, finalmente, já no passeio, uma placa circular com a seguinte inscrição: A S S JOÃO PAULO II NA SUA VISITA A ESTA CIDADE. MAIO 82, tendo ao centro as armas pontifícias. Não me compete, neste contexto, apreciar este conjunto escultórico, de que não gosto (…e gostos não se discutem, desculpem os admiradores do dito conjunto).

Também assinalam a visita pastoral de S. João Paulo II Magno a Braga, a Avenida João Paulo II (GPS: 41.553354, -8.404564) na zona nova da cidade, freguesia de S. Victor e a rotunda, no Sameiro, que tem a estátua-monumento que lhe dedicado.

Finalmente, “the last but not the least”, a Arquidiocese fez alguns milhares de exemplares da homilia do Santo Padre. Uma excelente iniciativa se… tivessem tido, todos, o destino para que foram impressos: distribuídos. Salvei, à última hora, ainda algumas centenas de exemplares que já estavam num saco para o lixo!!! Os exemplares salvos distribui-os por onde passei fazendo palestras sobre a Família.

Na Basílica do Sameiro há bastantes mais testemunhos da passagem apostólica do Papa e que podem ser visitados mas cuja descrição não cabe neste projecto que ousei levar a cabo para contribuir para a celebração de um dos mais importantes acontecimentos ocorridos em Braga no século XX, a primeira visita de um Papa (e que Papa!): S. João Paulo II Magno!

Se alguém teve a paciência de ler os 10 artigos que dediquei a esta visita pastoral do Papa, devo-lhe uma palavra de gratidão. E peço-lhe que sigam o conselho do Papa: «Não temas…» como iniciou a sua inesquecível homilia, no anúncio do Evangelho da Vida e da Família!



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