Fotografia: DR

Romaria proibida há 70 anos retomada em capela de duas freguesias de Ponte da Barca

A capela de São Gregório, situada no limite geográfico das freguesias de Bravães e Lavradas, em Ponte da Barca, volta na quinta-feira a ser palco da romaria com o mesmo nome, proibida na década de 50.

Redação/LUSA
23 Mai 2022

“Ela [romaria] terá acabado no final da década de 50 [do século XX]. Foi quando mudámos de padre na freguesia. O padre que entrou era mais voltado para as questões da lógica e da ciência. Não era muito apologista das coisas mais pagãs e dos ritos que se materializavam nesta festa”, disse hoje à agência Lusa o diretor dos Gaiteiros de Bravães, Rafael Freitas.

A romaria, que a associação quer agora relançar, foi “proibida pela componente pagã e pelo conflito que gerava entre as freguesias vizinhas”. Desde então, as portas do templo foram “fechadas à chave” e a “degradação” tomou conta do imóvel, “referenciado nas memórias paroquiais do século XVIII”.

Além de “retomar tradições perdidas”, o relançamento da festividade pretende alertar para a importância da recuperação daquele património “singular”.

“A estrema das duas freguesias é exatamente a meio da capela. A porta pertence à freguesia de Lavradas e o altar à freguesia de Bravães. O adro é muito pequenino. É uma coisa muito pitoresca”, adiantou o diretor do grupo Gaiteiros da Bravães.

A iniciativa de retomar a romaria, celebrada na quinta-feira da Ascensão [que celebra a subida de Jesus Cristo aos céus, 40 dias depois da ressurreição], surgiu no seio do grupo de Gaiteiros de Bravães, que, para além da componente musical, associada à gaita de foles, “está atento a manifestações culturais e tradições perdidos e ajudar à sua reativação”.

Além de transmitir o ofício de construção do instrumento, desenvolvido há meio século naquela aldeia de Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, a formação ensina os alunos a tocar a gaita-de-foles típica de Bravães.





Notícias relacionadas


Scroll Up