Espaço do Diário do Minho

Os conquistadores

23 Mai 2022
Paulo Fafe

Foram os grandes conquistadores que desgraçaram as suas pátrias: Napoleão, desgraçou a França. Hitler desgraçou a Alemanha, Putin desgraça a Rússia, isto para não estarmos a citar homens de velha história como Cleópatra ou Marco António, mesmo César Augusto e a Gália, ou falarmos das invasões de bárbaros ou conquistas que se não consolidaram. São os sonhadores de grandezas pessoais que ultrapassam a realidade do querer dos outros; fazem tábua rasa dos direitos de terceiros. Até nós, depois da epopeia dos descobrimentos e da posse de terras onde o padrão se implantou em terras que eram dos naturais, acabamos por ficar confinados ao pequeno pedaço de “país à beira mar plantado”. O que é dos outros chama sempre pelo seu dono e a história prova-o com evidências indiscutíveis; o heroico exército ucraniano demonstra isso com toda a clareza. Quando a ambição é maior que o espaço que ocupa, o homem tende a deixar de ser realista e entra no onirismo como fuga para o voo que asas não tem. Foi assim com Átila e seus Hunos, com Alexandre, o grande e a pequenez da Macedónia. Tantos destes, ou foram assassinados pelos lugares tenentes, ou exilados para um cativeiro onde morreram. A História resgata-os dos fracassos porque em cada país ela é heroica, mas a verdade dos factos é que a ambição de cada um destes “ilustres” falhados, escreve-se com a pena dura da punição histórica. A Putin, a quem começa a substituição airosa através da propaganda de uma doença terminal, espelha bem de que aos ditadores nada resta da sua antiga glória a não ser as cinzas e a morte de pessoas que tristemente coroaram os seus dias de soberania torpe. A história nunca poderá mentir-nos porque sempre haverá quem a não deixe reescrever. A Ucrânia é um país mártir, tem a grande maioria das nações mundiais por ela porque é vítima e porque a complacência dos povos é dom de dó, mas também, valha a verdade, é preciso investigar se nela existe algum foco de nazismo. A europa terá de erradicar este mal, quando definitivamente a integrar no seu seio. Ninguém dá nada sem esperar algo em troca. Presentemente a troca é entre a ditadura herdada da URSS e a democracia europeia herdada da Magna Carta. Por isso penso que deve haver algum cuidado antes de se passar um cheque em branco, Os ucranianos sofrem mas também não podem suportar regimes políticos que tão mal fizeram à humanidade: nepotismos ou hitlerismos !! Há cabeças que não morrem mesmo quando decapitadas. Como eravas ruins, sempre espreitam pelas fendas das democracias a sua sobrevivência. Eu vi, e certamente muitos viram, a cruz suástica, diga-se hitleriana, gravada nos bicípites de um combatente ucraniano. E pareceu ser o chefe de uns tantos! O homem joga mal com a temporalidade: julga eterno aquilo que é efémero. E alguns pensam fazer o restauro do tempo; esquecem-se que o tempo que passou nunca mais voltará a ser o mesmo.



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