Fotografia: DR

Cientistas de Aveiro e Braga descobrem novas espécies de animais marinhos

Cinco espécies novas descobertas através da análise molecular de exemplares de anelídeos marinhos provenientes do Nordeste Atlântico.

Redaçãoção/LUSA
23 Mai 2022

O estudo do DNA revelou que, escondidas sob um mesmo disfarce, o que era previamente considerada uma só espécie são afinal espécies diferentes com a mesma aparência morfológica, estando mais quatro a aguardar colheita de mais exemplares para um estudo aprofundado, revelou hoje fonte académica.

Os anelídeos são animais invertebrados com o corpo formado por vários segmentos que lembram uma série de anéis fundidos uns aos outros.

Um estudo efetuado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA), da Universidade do Minho e também da Universidade de Gotemburgo (Suécia) a 148 exemplares da espécie ‘Eumida sanguinea’, colhidos ao longo da costa europeia, desde a Noruega à Itália, revelou tratar-se de um complexo de nove espécies diferentes.

“Estas espécies de anelídeo distinguem-se apenas por variações subtis de coloração corporal e de proporção dos seus apêndices, as quais passam despercebidas até aos olhos mais atentos e experientes”, descreve uma nota de imprensa da Universidade de Aveiro.

Esses organismos fazem parte dos ecossistemas costeiros e vivem em substratos arenosos e lodosos ou entre algas, até cerca de 50 metros de profundidade.

“Com o cada vez maior uso dos testes de DNA poderemos com outras espécies ter a mesma surpresa e este foi só o primeiro ‘complexo de espécies’ de entre quatro que estamos a estudar”, revela Ascensão Ravara, do CESSAM.

A equipa, da qual fazem também parte os investigadores Marcos Teixeira, Pedro Vieira, Filipe Costa e Arne Nygren, tem já sinalizadas outras espécies que “provavelmente também serão afinal complexos de espécies diferentes”.

Antigamente, explica Ascensão Ravara, “a descrição das espécies baseava-se unicamente nas características externas dos organismos [morfologia]”, mas hoje em dia “as técnicas moleculares, com obtenção de sequências de DNA, permitem caracterizar e comparar os organismos também ao nível genético”.

Os organismos agora estudados encontram-se depositados na cobi – Coleção Biológica de Investigação da UA, uma coleção que está disponível para estudo pela comunidade científica.





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