Espaço do Diário do Minho

Preparar o PSD para mudar o país

22 Mai 2022
Armindo Oliveira

Sim. Com certeza. É imperioso. Com o país a conhecer dificuldades de toda a ordem num tempo de desnorte e de incertezas, o PSD, amolecido, atascado e desmobilizado, entra mais uma vez num processo eleitoral para escolher o seu novo líder. Temos no palco eleitoral Luís Montenegro, antigo líder parlamentar e Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do Ambiente.

Até pode ser que Moreira da Silva seja boa pessoa, com qualidades para ser ministeriável ou parlamentar, dotado de bom discurso, mas para liderar um partido do tamanho e da história democrática do PSD, parece-me que Luís Montenegro tem mais umas pitadas no seu ADN político, como coragem suficiente para entornar a pasmaceira reinante, capacidade de enfrentar os problemas de caras, discernimento nos momentos mais azedos e tacto político para detectar os imbróglios no tempo certo. Nesta linha de pensamento, se eu fosse militante social-democrata, optaria, claramente, por Luís Montenegro, pois é o candidato que já conhece bem a barricada das guerrilhas socialistas levadas ao extremo no tempo de Passos Coelho.

1 – Como cidadão atento aos movimentos peristálticos da sociedade, ainda não percebi por onde nos vai levar este socialismo (?). Será que a ruptura com o PCP e com BE o vai posicionar mais à direita com abertura ao IL? Mais “animal” com o PAN? Ou mais à esquerda com o LIVRE? Ou será uma miscelânea intragável, apesar de ter o repasto pronto, ou seja, maioria absoluta? Uma coisa é certa: o PS gosta de fingir, de iludir, de criar vãs esperanças. E ao rejeitar e a ostracizar a participação do PSD, fá-lo por insegurança e para tentar tornar o PSD irrelevante no futuro. É por isso que, quem vencer esta eleição, terá que ser mais aguerrido na oposição e arrumar a desprezível complacência política com o PS, deixando de fingir que está na oposição para ajudar o país neste momento de grande fragilidade. Terá que ser mobilizador e um exímio ajuntador de “cacos”. Oposição é oposição e não colaborador de uma “farsa” governativa.

2 – O PSD tem que ser poder para dar a volta ao país. Tem que libertar a vida das pessoas da mentalidade subsidiária e criar expectativas positivas para que o futuro dos portugueses seja claramente mais realista e promissor. A verdade, é que, o PSD não pode continuar a fazer o seu trabalho político desta forma azêmola e cúmplice de uma política de baixa performance. Não é desejável para o partido, nem traz qualquer utilidade ao país.

Há claramente problemas sérios na governação que são adiados, escamoteados, fantasiados para ficar tudo na mesma. O ranking do desenvolvimento social europeu espelha bem a qualidade da governação nacional. Não falta muito para Portugal ocupar o lugar de lanterna vermelha. Perante este cenário surreal, o PSD tem que denunciar claramente as políticas erradas. Tem que ter ideias diferentes e congruentes. Tem que se bater por outros objectivos e por outras formas de os conseguir obter. Tem que ocupar mais espaço e mais tempo na Comunicação Social para passar mensagens de mudança efectiva e dizer ao que vem.

3 – O dr. Costa é um político gasto, cansado, sem dinâmica e acorrentado à estagnação. Um político que conheceu bem de perto, dentro da orgânica até, o pântano guterrista e a bancarrota socrática. Sabe bem o que é governar para o falhanço. Sabe bem o que são investimentos ruinosos e sabe bem como espalhar propaganda que só causaram problemas sérios ao país. O dr. Costa não sabe o que é crescimento económico real e o que é fazer obra. Não sabe o que é reformar as instituições do Estado para agilizar serviços, tornando-os mais eficazes e mais produtivos. O dr. Costa, ao contrário, atafulhou o Estado com funcionários públicos (741 mil).

4 – Pelos vistos, não causa engulho à Comunicação Social que ainda hoje haja 1100 turmas sem professores! Haja mais de um milhão de pessoas sem médico de família! Haja listas de espera recheadas para cirurgias e para consultas de especialidade! Haja milhares de jovens qualificados que emigram para sonharem com outro nível de vida! Haja mais de 2 milhões de pobres! Haja milhares de pessoas “sem-abrigo” por não terem as mínimas condições de “dignidade humana”!

5 – O PSD tem que olhar para a sociedade nacional com outros olhos, com outra sensibilidade, com outras ideias. É possível resolver estes e outros problemas a médio prazo. Basta arrumar todas as “capelinhas” parasitárias e fazer uma reforma do Estado coerente, realista e qualificada.

Será que o PSD tem arcaboiço para fazer desaparecer esta carga de despesa pública inútil?

É preciso preparar o caminho do poder, do crescimento económico e do progresso.



Mais de Armindo Oliveira

Armindo Oliveira - 3 Jul 2022

A vida tem os seus ritmos e os seus tempos. Os seus encantos e desencantos. As suas virtualidades e incompreensões. A vida, contudo, corre e passa. Depressa demais. Inexorável. Ficam as vivências, as experiências e as memórias que, naqueles momentos de mais silêncio, reaparecem para nos embalar nas suaves ilusões de uma caminhada encetada, às […]

Armindo Oliveira - 26 Jun 2022

Numa altura tão grave para a República e para a democracia, para as instituições e para o povo, seria preciso que houvesse governantes com coragem e arrojo para dar outro movimento, outra energia e uma outra imagem ao país. Seria preciso que aparecessem vozes inconformadas, indomáveis e resistentes para fazer boa oposição. E que houvesse, […]

Armindo Oliveira - 19 Jun 2022

O artigo de Cavaco Silva publicado no jornal on-line Observador ainda dá muito que falar. O antigo primeiro-ministro pegou de cernelha o “touro”, manso, mas de pele escorregadia e espetou-lhe umas bandarilhas no cachaço emproado. Todo o bando, na arena, ficou deveras nervoso, excitado e incomodado com a pega. Pensavam que estavam em segurança nas […]


Scroll Up