Espaço do Diário do Minho

Quando as árvores morrem de pé

19 Mai 2022
Maria Adelina Vieira

Há anos, nem sei bem quantos, mas talvez oito, os moradores da Praça Flávio de Sá Leite, em nome da sua segurança e da de todos os que diariamente frequentam as piscinas, num horário de frequência entre as 8 e as 23 horas, uniram-se para avaliarem o perigo iminente que se esconde nas árvores altíssimas que bordejam os espaços das Piscinas. Trata-se de árvores de alto porte, que nunca foram podadas e cuja altura atinge, talvez, os 90 metros, mais altas já que o nono andar! Em dias de ventania, o espectáculo é simplesmente medonho. Não vou repetir o rosário, porque a situação é gritante e em tudo similar à do malogrado estacionamento. O Dr. Firmino Marques, à altura presidente da Junta de S. Victor, terá, talvez, comunicado ao respetivo Pelouro o rol das queixas recebidas pelos moradores e condomínios sobre a gigantesca altura das árvores e o temor de um grave acidente poder ocorrer. Eis que um belo dia, vendo que havia trabalhadores a podar as noviças e tenras árvores da Praça, perguntei quem mandava ali e dirigi-me a um Arquiteto a quem perguntei, quando estaria a pensar podar as velhas árvores. E a resposta surgiu tão rápida quanto hilariante:

– Na verdade, é uma situação de perigo colectivo que está a precisar de ser resolvido, mas, minha Senhora, a Câmara não tem grua que chegue ao topo das árvores… Em casos destes temos de pedir uma grua aos bombeiros das Taipas.

– O que me conta, sr. Arquiteto, não há uma grua, nesta Câmara? Esta cidade tão procurada, por turistas e forasteiros, não tem uma grua? E, em caso de incêndio, quem nos vale?! Não acredito, caro Senhor. Esta é demais!

E, muito solícito, adiantou:

“Mas descanse que eu vou submeter este assunto a quem de direito… E, prometo dar-lhe uma resposta, o mais cedo possível. Resposta?! Para que te quero!

Ora, a validade do lamentável argumento da falta de grua já findou…. Felizmente, vale-nos o facto de, até as gruas, serem donas do poder, por tempo limitado. Hoje são descartáveis, como uma folha de papel. De súbito, a realidade muda, porque apareceram no mercado os profissionais da poda e corte de árvores a que chamo: “Os novos heróis do alpinismo arborescente”. Atuam suspensos por cordas, cortam os ramos, podam, limpam o terreno, fica tudo num brinquinho… É mais barato, porque poucos intervenientes resolvem, placidamente, a situação.

Ora, neste caso premente, também o cessante e insigne Vereador do Pelouro, na sua vigência de 4 anos, nada fez. Não respondeu às várias queixas enviadas, não veio averiguar “in loco” a urgência da situação, melhor dizendo, mandou às malvas, uma vez mais, os legítimos receios dos cidadãos aflitos.

Não sei se a solução desta antiga e clamorosa situação pertence, agora, às atribuições da Dr.ª Olga Pereira. Ficámos na expectativa da sua atuação que cremos ser marcada pela diferença e impulsionada pelo estímulo da mudança, no seu poder de, qual Penélope, desenvencilhar os nós cegos do novelo que lhe confiaram.

Fazer uma crítica e não apresentar soluções viáveis e práticas, em nada se compagina, nem com o meu respeito pela defesa dos valores da cidadania e pelos seus legítimos dignitários, nem com a assunção dos meus valores éticos, nem com o meu compromisso com a soberania da “res coletiva” que reclama transparência e empenho, consubstanciada numa intervenção justa e protectora dos nichos comunitários da “civitas”, enquanto casa comum.



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