Espaço do Diário do Minho

Quatro anos sem o Henrique Moura

18 Mai 2022
Joaquim Barbosa

Todos nós sabemos, principalmente a partir de certa idade, o que é perder amigos e entes queridos.

É uma dor que custa, com a qual nos habituamos a viver, que faz parte da nossa vida.

NO caso do Henrique Moura, a sua partida, prematura – como é sempre prematura a partida de quem gostamos – é uma dessas dores constantes e que permanecem.

Estes anos sem o Henrique são anos sem debates, sem discussões, sem partilhar visões de vida e sem a amizade terrena que soubemos construir, numa idade, até, que é mais difícil fazer amigos.

O Henrique foi um político do seu tempo, um político marcante, um vereador de Braga de referência que gerava simpatias e antipatias como todos os homens públicos geram sempre.

Referenciou-me até uma sondagem que o apontava como o vereador socialista com mais relevância do que Mesquita Machado à época, algo que o próprio parece não ter gostado mesmo nada.

Tive muitos debates com ele nas redes sociais há uns anos, quando o FACEBOOK não era o que é agora.

E tínhamos púbico, gente que nos assistia e que assistia, divertido, às nossa querelas.

Quando havia alguma questão púbica de relevo, normalmente, sempre que a questão não fosse algo quanto à honra, à integridade ou à democracia, estávamos em posições opostas. Quando um de nós escrevia, ambos sabíamos que o outro pensaria o contrário e viria à carga, para contrair, evidenciar argumentos opostos e posições diferentes.

No entanto isso nunca impediu a nossa amizade, a consideração que tínhamos um pelo outro e, principalmente, quando extremávamos demais, sabíamos sempre até onde ir para nunca quebrar a amizade.

Sempre que um de nós quebrava o risco, já sabíamos que passado algum tempo, arranjávamos uma maneira de voltar a conversar e a voltar ao que éramos, sem ser preciso dizer nada um ao outro.

Claro que eu exagerei muitas vezes, claro que ele também, erramos, mas em breve voltávamos ao devido caminho

O Henrique Moura, tendo mais anos que eu e sendo uma personagem pública com muitos anos tinha um vasto público que, somado ao meu, menor, fazia, no entanto, muita gente.

Frequentemente era abordado na rua, em vários pontos do país, com pessoas que me reconheciam e que me referenciavam o quanto se divertiam a ler as nossas disputas.

O meu amigo tinha também o encanto de bom maroto, uma raposa política, com estratégia e pensamento que sabia usar como muita mestria e esgrima, o que significava para mim um grande desafio

O Henrique encarna o que é essencial numa democracia, a discussão franca e aberta, a tomada de posições e um prazer enorme disso.

Além disso o meu amigo sempre gostou imenso de viver, dos prazeres da vida e, pelo menos quando o conheci, aproveitava-o o máximo que podia.

Quando fiz o caminho de Santiago de Compostela, tive o enorme prazer de fazer uma das etapas, por indicação do Henrique, com a sua amada Guilhermina, uma senhora bela e distinta, onde presenciei uma convivência com muito amor e companheirismo, tendo sido um dos amores da sua vida, a par da sua família que tanto amava. Sempre me apercebi do amor que tinha pelas suas filhas, pela sua descendência e comungava comigo as suas alegrias e preocupações.

Há pessoa que passam pela nossa vida de forma leve, prazerosa e que ficam a fazer parte do nosso património, aprendendo sempre com elas. O Henrique Moura foi uma delas e eu, podem passar os anos que passarem, até o reencontrar, nunca o esquecerei.



Mais de Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa - 29 Jun 2022

É inquestionável que o adequado uso da bicicleta à situação física e de saúde de cada um, é benéfico para o aumento da qualidade de vida em várias vertentes: na saúde física, na saúde mental, na qualidade do ar, na diminuição do tráfego das cidades, na maior interação dos cidadãos uns com os outros, no […]

Joaquim Barbosa - 1 Jun 2022

Luís Montenegro teve uma expressiva vitória que lhe deu todas as condições para conseguir, como é o seu propósito, que o PSD volte a ser aquilo que sempre foi: um grande partido de centro esquerda a centro direita, sem complexos de seguir políticas reclamadas por qualquer espaço desde que sejam as adequadas e as melhores […]

Joaquim Barbosa - 4 Mai 2022

Hoje, passados 48 anos após o 25 de Abril, muito mais importante que o assinalar é saber realizá-lo no presente e no futuro. Como disse na última assembleia municipal, na intervenção que fiz sobre o 25 de abril, viver o 25 de Abril quer na ação político, quer no nosso quotidiano é o verdadeiramente importante. […]


Scroll Up