Espaço do Diário do Minho

Explicando duas teses de Lavrov

18 Mai 2022
Eduardo Tomás Alves

  1. O ministro Lavrov dá entrevista “polémica”). Em recente entrevista, o distinto ministro dos Neg. Estrangeiros da Federação Russa, Serguei Lavrov, lançou aparentemente mais confusão sobre as justificações russas da dita “operação militar especial”, em território ucraniano. Um dos objectivos de Moscovo, já se sabia, seria a pretensa “desnazificação” da política do vizinho e irmão-gémeo ucraniano. Objectivo este, difícil de compreender, visto aquele nóvel (e artificial) estado independente, ter por presidente um imaturo mas ousado judeu, actor (pelos vistos, de tragicomédias…); que para mais, repetidamente se assume mesmo, como judeu. E os seus principais ministros transpiram ligações a cliques transnacionais que nada têm de “fascistas” ou “nazistas”. Pois que também haja na Ucrânia esses saudosistas da invasão de 1941, é verdade. Mas são largamente minoritários. E hipocritamente instrumentalizados pelo governo de Zelenski, para se suicidarem em benefício apenas dele próprio (como é o caso da lamentável e inútil resistência do que sobra do “batalhão Azov”, debaixo das ruínas da siderurgia “Azovstal”, anexa à já há muito pelos russos conquistada, Mariúpol).

  2. Lavrov repesca as dúvidas sobre o avô paterno de Hitler). Desde o início desta guerra regional, Portugal e a grande maioria dos países da UE (em vez de serem neutros e procurarem ajudar para a paz), aderiram a uma radical postura anti-russa; que além de pouco ponderada (pelos riscos que tal acarreta à segurança mundial) é altamente lesiva das suas próprias Economias nacionais (como já se constata desde os 1.º dias). Daí que os canais russos de TV já cá não cheguem, porque censurados; e que quase todas as reportagens dos “media” apenas se interessem pela parte ucraniana. Daí também que, quase ninguém teve acesso, por cá, às declarações de Lavrov. A não ser, no que concerne às tais partes mais polémicas. Que, em síntese, seriam duas: a hipotética ancestralidade (parcial) judaica do próprio Adolfo Hitler (1889-1945); e o facto de, não poucos dos principais “anti-semitas” da História, serem eles próprios (em parte) judeus. Ao contrário da última, a parte que se refere a Hitler, continua altamente controversa.

  3. Ter antepassados, em parte, judeus, não faz de alguém, “um judeu”). Este é um ponto prévio, e bem importante. Se fizermos as contas, no séc. XVI, p. ex., viviam em Portugal centenas de pessoas diferentes que (sem o saberem) vão ser todas elas antepassados de cada um de nós. No meio delas (sobretudo no centro e sul de Portugal, Lisboa em particular) algumas haverá que eram judeus ou mouros. “Ser judeu” só se aplica àqueles que sabem que o são através de vários ramos da sua família. E que, se assumem como tal.

  4. Quem terá sido o pai do pai de Hitler?). Remeto aqui para a tradução brasileira (edições Melhoramentos) do livro “Hitler”, da editora italiana Mondadori (coordenação de Luciano Aleotti). De pai e mãe, o ditador era originário do rural e florestal “Waldviertel”, no NW da Áustria, junto à Baviera e Morávia (Rep. Checa). O pai, Aloísio (Alois) era um rude guarda de fronteira, alto e forte, com um grosso bigode. Que casa, depois dos 50 anos, em 3.ª núpcias, com sua prima em 2.º grau, de 28 anos, Klara Pölzl (a futura mãe de Hitler); magra, de olhos azuis, era de origem rural e foi por curto período empregada em Viena. Dito isto, citemos a parte “misteriosa”, segundo o livro de Aleotti. O guarda Alois (pai de Hitler), na infância só conheceu sua mãe, M.ª Anna Schicklgruber, empregada doméstica, que o gerou já depois dos 40 anos; o seu pai é desconhecido. O homem que depois se casou com ela (Johan Georg Hiedler) abandonou-os logo, para continuar a sua vida de moleiro ambulante e amigo do álcool. Aos 10 anos, Alois perde a mãe e passa a viver em casa do irmão do moleiro (Johan Nepomuk Hiedler). É só quando já tem 39 anos que a lei “o reconhece” como filho do moleiro (e herdeiro do pequeno pecúlio de João Nepomuceno…). Abandona então o sobrenome da mãe e adopta o de Hiedler (agora, Hitler). Note-se que “Gruber” quer dizer “mineiro” e “Hitler” quer dizer “o que mora em cabanas”, pois “Hut” é “casabre, cabana”. A (mera) hipótese de Alois ser “metade-judeu” deriva do facto de sua mãe ter servido em casa dos milionários Rothshild; e sobretudo de ter aparecido grávida quando, por 1830, trabalhava (em Graz) para os também israelitas Frankenberger. Terá deixado a casa, mas mantiveram correspondência; e recebia uma pensão regular. Estes factos são revelados pelo livro (póstumo?) de Hans Frank (ministro a quem, em 1938, o “Führer” incumbiu de recolher toda a documentação relativa à sua avó). O livro é “Im Angesicht des Galgens”; dispenso-me de traduzir…

  5. Judeus “anti-semitas”). Este termo, é uma “habilidade” pela qual os judeus se escudam atrás dos restantes povos “descendentes de Sem” (mas muitos deles, hostis aos judeus, p. ex., os sírios, iraquianos, palestinianos, árabes, iemenitas, parte dos libaneses…). O termo correcto seria “anti-judeu, anti-israelita”. Há-os desde Marx a (em parte) Trotski (que se fartaram de pregar e agir contra o Grande Capital); passando pelos grandes e afortunados “Reyes Catolicos”, Fernando e Isabel (que expulsaram os judeus praticantes da Espanha que eles unificaram); até ao saudoso deista portuense Uriel (Gabriel) da Costa; até ao próprio Lenin (que pelo lado da mãe, era um Blank…); incluindo o historiador Flávio Josefo (séc. I e II d. C.). E para os ateus e agnósticos, o próprio Jesus Cristo, que não vêem como “filho de Deus”, nem como “o Messias” da Antiga Religião. Em relação à qual, Ele foi decerto o autor da maior cisão de sempre.



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