Espaço do Diário do Minho

As incertezas ou as certezas de um tempo?

15 Mai 2022
Armindo Oliveira

Incerteza, uma das palavras malditas da política que emolduram, agora, a débil e endividada economia nacional. E aí, neste sector, na economia, as incertezas estão firmes e emproadas. Estão por todos os lados e movimentam-se para todos os destinos. Rodeiam-nos. Envolvem-nos. Apertam-nos como garrotes. Causam pânico aos economistas. Os políticos ficam como baratas tontas. Agora, neste “teatro” da vida apareceu mais uma que se agiganta: a incerteza provocada pela guerra na Ucrânia. Já não chegavam a inflacionária e a pandémica. Também a dos juros em expansão.

A agenda das incertezas está, de facto, em cima da mesa, avoluma-se e incomoda o quotidiano nacional. Por isso, degeneraram em certezas, pois claro.

1 – Todas enfiadas e emaranhadas num grande imbróglio sem dar tempo para aliviar a pressão. Para deixar que a naturalidade das coisas siga o seu caminho. A verdade, é que, a economia já estava demasiado complicada. E agora o grau de complicação complicou-se mais. É sempre a subir. A subir a tal ponto que ninguém arrisca um cenário a curto prazo de desanuviamento. De melhoria. De se acalentar algum optimismo realista, porque de fantasia já chega a que existe. Continuar a levar o país por essa vereda, a estratégia do governo, é perder tempo e continuar a enganar tudo e todos. Já sem imaginação. Mas, com resignação.

Junta-se às incertezas económica e social que estão bem entroncadas e engorduradas pelos dois anos de pandemia, o aumento da dívida nacional. Uma irracionalidade! Abismal! Um absurdo! Daí, inevitavelmente virem agarrados mais custos com a gestão da dívida. Os juros mexem e remexem. Incomodam. Estão em pressão alta. Vão crescer e vão complicar. E taxas mais altas impostas pelos credores, até para combater a inflação, exige mais dinheiro dos contribuintes. Cada vez mais e daí mais dependência. Inevitável. Também mais problemas. E mais empobrecimento, claro. Em jeito de remate, os políticos do poder puseram o país a jeito.

2 – Esta é a grande questão de momento: o empobrecimento. Sem dúvida! Para nosso desalento e impotência. O governo com seis anos de “trono” também não entende o jogo. Não tem soluções. Não sabe apontar o rumo. Avança com paliativos subsidiários. Surge um problema, há sempre um subsídio. E se for um contratempo mais um subsídio. É a política dos subsídios. Ao gosto dos socialistas. Nada resolve. Entretém. Empurra o problema com a barriga. Engana. Ilude.

O custo de vida já está a raiar o insuportável. Tudo mais caro. Bem mais caro não desse a inflação um toque mais enegrecido à vida das pessoas. E de que maneira. Basta presenciar a ansiedade dos clientes à saída das caixas das grandes superfícies a olharem para o “papel” das compras. Rostos pasmados. Incrédulos. Dinheiro e compras não bate certo.

O problema, contudo, não se fica só pelas incertezas. As incertezas ainda se vão comendo bem. E os políticos são peritos nesta “arte” de enrodilhar. De mostrar o branco, quando é o preto que está em exposição. Instados a justificar, não respondem. Ainda sorriem. Depois, basta aguardar que a borrasca passe. Ou esperar que a propaganda faça o seu trabalho.

3 – O problema está nas certezas. A certeza da monstruosidade da dívida pública; a certeza do espiral inflacionário que já não é tão temporário como os optimistas militantes pensavam; a certeza da subida acelerada dos juros que vai infernizar a vida daqueles que têm empréstimos à habitação e ao consumo. (Convém lembrar que todos os dias se pede aos bancos para o consumo 22,2 milhões de euros. Um absurdo!); a certeza dos custos em alta da energia que arrasta outros bens de primeira necessidade para patamares preocupantes; a certeza da perda do poder de compra que retira ao cidadão a possibilidade de adquirir os bens que deseja ou que precisa, porque o rendimento é cada vez menos; a certeza que a Educação está enferma por falta de cuidadores e por falta de ambição governativa; a certeza que a Saúde se inclina cada vez mais para o sector privado, apesar das tretas dos intrépidos defensores da Saúde pública; a certeza da ineficaz Justiça que vai deixando prescrever casos que nunca deveriam prescrever por serem emblemáticos ou não julgar dentro dos limites temporais aceitáveis e coerentes; a certeza que Portugal se afunda na tabela do desenvolvimento humano; a certeza que somos um povo em dificuldades, numa economia pobre, mas num país fabuloso. É isto que causa engulho!



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