Espaço do Diário do Minho

A história do ratinho do monte

14 Mai 2022
Fernando Viana

Temos todos a perceção de que não contamos para nada. A nossa intervenção não é relevante. O que quer que façamos não vai ter visibilidade. O nosso gesto não faz a diferença. Ora isto não é necessariamente assim, antes pelo contrário. São os pequenos gestos que fazem a diferença, que contribuem para o todo e que, em muitos casos conduzem, inclusive, às revoluções que mudaram a face do mundo. A história do rato do monte é elucidativa e também nos faz sorrir:

Era uma vez um pequeno rato que vivia no meio de um monte, onde sempre viveu, andando incansavelmente de um lado para o outro de um pequeno bosque em busca plantas, frutos, sementes e, por vezes também, de restos de comida que os humanos, lenhadores ou passeantes, por ali deixavam.

Um belo dia encontrou por acaso um rato viajante que, no decurso de uma das suas viagens, por ali passou. Entreteve-se um pouco à conversa com o rato viajante e ficou a saber, pela primeira vez, que o mundo não se limitava ao seu monte. Existiam outros montes, planícies, vales, aldeias, vilas e cidades, onde viviam muitas pessoas e muitos ratos também, para além de outras espécies.

Ficou particularmente fascinado quando o rato viajante lhe falou do mar. não sabia da existência do mar, nunca tinha ouvido falar de uma imensa massa de água líquida, da espuma das ondas e das próprias ondas, nem dos peixes que o habitavam, nem do estrondo das ondas zangadas contra as rochas. O mais próximo disso que conhecia era o pequeno regato que descia pelo monte, mas que nada tinha a ver com descrição fantástica do mar, feita pelo rato viajante.

Durante dias, a conversa com o rato viajante esteve presente na sua pequena cabeça e acabou por ficar obcecado com a descrição do mar. Como seria o mar ao certo?

Um dia, não aguentou mais e meteu as suas pequenas patas ao caminho, partindo em busca do mar. Durante muitos dias andou, andou percorrendo montes e vales. Atravessou caminhos, percorreu estradas, seguindo todas as orientações que o rato viajante lhe dera. Aconteceram-lhe muitas peripécias e ultrapassou muitos perigos. Várias vezes esteve a ponto de desistir e voltar para trás, mas o desejo de conhecer o mar era sempre mais forte.

Um dia, ao chegar ao cimo de um monte, olhou em frente e, subitamente, viu ao longe uma imensa mancha azul turquesa e soube instantaneamente que se tratava do mar. Animado, desceu o monte a correr e aproximou-se da praia. Ficou maravilhado com este novo mundo que acabara de descobrir: a areia fina, branca e brilhante da praia; as conchas dos moluscos sobre a areia; as ondas suaves que marulhavam de forma suave, deslizando por cima da areia e a fina camada de espuma que se formava e logo desaparecia. Mas o que mais o impressionou foi aquela quantidade infinita de água diante de si e que ia até à linha do horizonte e que, adivinhava, se prolongava até muito, muito longe.

Extasiado com tudo aquilo decidiu dar o seu pequeno contributo ao mar. Aproximou-se assim da água do mar e urinou. O pequeno rato sabia, no seu íntimo, que o mar era agora também uma parte de si. Feliz, regressou ao monte de onde vinha.



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