Espaço do Diário do Minho

Carlos Carvalhal. Porquê? Porque sim.

13 Mai 2022
Carlos Mangas

O impasse sobre a liderança futebolística do clube desportivo com mais sucesso e mais eclético do Minho, traz apreensivos sócios e adeptos. É consensual, quando se definem objetivos, que no final se contabilize o deve e haver para saber se as partes cumpriram com o contratado. Em caso afirmativo – como nos casamentos – renovam-se os votos, ou seja, os contratos. Ainda não ter sido dado este passo, está a deixar preocupado o “universo gverreiro”. Este silêncio ensurdecedor da administração, só interrompido com uma infeliz, inoportuna e injusta afirmação em Glasgow, não augura nada de bom.

Salvo raras exceções, nas duas últimas décadas António Salvador tem sido assertivo nas escolhas de treinadores. Jesualdo Ferreira, Domingos Paciência, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Abel Ferreira, Ruben Amorim, são alguns dos nomes que me vêm à memória sem qualquer esforço. Outros houve, que também conseguiram resultados mas, pessoalmente, não me deixaram saudades. Do atual treinador, sinceramente, gostaria de não ter saudades… já na próxima época. Por outras palavras, gostaria que continuasse por cá. E, sem ninguém me ter passado procuração, penso que este sentimento é partilhado pela generalidade de sócios e adeptos, com exceção daqueles – e há alguns – para quem nenhum treinador serve após a 1ª derrota.

Carlos Carvalhal e respetiva equipa técnica conquistaram uma taça de Portugal; levaram a equipa a uma final da taça da Liga; passaram duas fases de grupos da Liga Europa e atingiram uns quartos-de-final; na Liga, duas épocas em 4º lugar. Simultaneamente, jogadores como: Fransérgio, Paulinho, Palhinha, Ricardo Esgaio, Galeno e Fábio Martins, garantiram ao clube, significativos encaixes financeiros. E, também por isso, consolidaram-se e lançaram-se inúmeros jovens oriundos da formação (Carmo, Moura, Vitinha, Bruno Rodrigues, Rodrigo Gomes, Roger, Gorby, Falé,…) como NENHUMA outra equipa técnica havia feito, até hoje.

No nosso clube, os últimos treinadores a terem sucesso, geraram, eles próprios, com a sua transferência, receitas de excelência (Abel e Rúben Amorim). Em meu entendimento, não termos até hoje, conseguido – ou querido – renovar contrato com a atual equipa técnica pode ser um dos maiores erros da atual administração.

A sorte, no futebol, como noutras áreas, não acontece por acaso, dá MUITO TRABALHO. E é esse trabalho que, estando à vista de toda a gente, não pode ser desperdiçado. Além dos resultados, qualquer jovem promessa da nossa Academia sabe que com Carlos Carvalhal no comando, a 1ª equipa está à distância de um click. E, todos sabemos como isso pode ser importante na hora de eles (nos) escolherem. Ou seja, é o FUTURO, também, que está em jogo.

Corrigir erros e mudar de opinião, são sinónimos de raciocínio permanente e aprendizagem constante. Assim o pensem todos os envolvidos, são os votos que deixo neste “manifesto” em defesa da continuidade de Carlos Carvalhal. Porquê? Deixem-me ser comedido e, em benefício do clube, responder apenas – porque sim.



Mais de Carlos Mangas

Carlos Mangas - 29 Abr 2022

Em 1974, um miúdo do Gerês, concluído o 2º ano do ciclo, na telescola, em Rio Caldo, rumou ao Sá de Miranda. Aulas de Educação Física teve-as pela 1ª vez em Braga, pois na telescola, devido às condições (in)existentes e nula vontade dos professores – horas de EF, a TV desligava-se e estudava-se matemática – […]

Carlos Mangas - 15 Abr 2022

A D. Amélia era, não há outra forma de o dizer, uma instituição da nossa cidade e adepta fervorosa dos principais clubes da mesma. E, porque não dizê-lo, uma espécie de ícone nacional para quem, como eu, entende que os jogos de futebol deveriam ser locais de romaria e espaços salutares de convívio e confraternização […]

Carlos Mangas - 25 Mar 2022

Na semana passada fui convidado pelo coordenador do futebol de formação do Gil Vicente FC, Ricardo Cerqueira, para uma formação sobre ética no Desporto. Curiosamente os oradores presentes tinham passado e/ou presente no clube, em diferentes funções. No meu caso, integrei a equipa técnica de Bernardino Pedroto em meados da década de 90. Ricardo Cerqueira […]


Scroll Up