Espaço do Diário do Minho

O 25 de Abril nos dias de hoje

4 Mai 2022
Joaquim Barbosa

Hoje, passados 48 anos após o 25 de Abril, muito mais importante que o assinalar é saber realizá-lo no presente e no futuro.

Como disse na última assembleia municipal, na intervenção que fiz sobre o 25 de abril, viver o 25 de Abril quer na ação político, quer no nosso quotidiano é o verdadeiramente importante.

Foi por isso muito válida a maneira como a Câmara Municipal de Braga assinalou o 25 de Abril, colocando os jovens no centro da comemoração de tão importante data.

Assim, o 25 de Abril no concelho foi pensado na perspetiva do futuro, naquilo que o 25 de Abril representa para os jovens de hoje e para o Portugal de amanhã, onde o valor da liberdade e da democracia deverá sempre estar presente na ação política.

Foi possível perceber, através das intervenções dos jovens da nossa cidade, com diferentes e diversificadas visões políticas onde estavam espelhados os seus anseios, preocupações e realizações.

Cumprir o 25 de abril é fazer da luta política uma ação autêntica, íntegra, dura por vezes, com escrupuloso obediência ao sentido do voto, mas sempre, sempre e sempre, (como destaquei) pelo respeito e consideração pelo nosso adversário, pelo respeito pela sua pessoa e pela urbanidade no trato.

Como disse há poucos dias o atual Presidente da Assembleia da República, no seu magistral discurso de tomada de posse, muitas vezes o ponto de exclamação ou admiração deverá ser substituído pelo ponto de interrogação.

Será que não há nada a considerar no pensamento do outro? Será que estou tão certo do que afirmo? E como se resolve este problema por um prisma alternativo ao meu?

Por isso, é na consideração e respeito pelo adversário político, pela existência da visão ou argumento diferente, contrário ou parecido com o nosso e, consequentemente, pela maneira tolerante e compreensiva como se reage a ele, que reside a essência da democracia, assumindo as diferenças.

Como disse Sá Carneiro: “Democrata é aquele que pratica democracia e não aquele que apenas dela se reivindica”.

No entanto, se em 25 de Abril foi derrubado o antigo regime totalitário, caduco, sem possibilidade de vigência, política, social ou económica, a liberdade política e social em Portugal só foi conseguida após o 25 de novembro de 1975.

Assim, estes dois “vinte e cinco”, um abril de 1974 e outro em novembro de 1975, representam datas umbilicalmente ligadas uma à outra, sem uma delas ter razão de existir, sem a existência da outra.

A liberdade e democracia têm também de ser inerentes ao desenvolvimento, à modernidade, a melhoria de qualidade de vida da população portuguesa, como valores indissociáveis.

É por isso confrangedor o retrocesso do desenvolvimento de Portugal neste século, onde nunca mais recuperámos o ritmo de crescimento conseguido entre meados dos anos oitenta e noventa do século passado.

Há quanto tempo isso lá não vai!

O nosso país recebeu mais fundos comunitários este século dos que os recebidos aquando da adesão à então CEE em 1986, à qual podemos aderir após a democracia e liberdade adquirida pelo 25 de abril e 25 de novembro.

Por outro lado, desde 1986, já recebemos da Europa cerca da mesma quantia que os países devastados pela segunda guerra mundial receberam do plano Marshall para a reconstrução pós guerra.

No entanto, quarenta e oito anos após do 25 de Abril, e depois esta imensidão de dinheiro, os portugueses auferem dos mais baixos salários, sofrem com a mais alta e confusa carga fiscal, sendo já Portugal ultrapassado por vários países europeus que há uns anos estavam muito mais atrasados que o nosso.

E continuei na Assembleia Municipal:

Quem não se lembra no final do século passado, inicio deste século, após o ruir do execrável regime existente nos países integrantes da antiga União Soviético, dos médicos, economistas, professores, funcionários públicos, enfermeiros desses países que vinham para Portugal trabalhar pelo salário mínimo nacional aqui praticado ?

Pois bem, passados cerca de vinte e tal anos anos, esses povos, anteriormente com dificílimas condições de vida, conseguiram recuperar social, economicamente e financeiramente e hoje já nos ultrapassam em qualidade de vida e PIB per capita.

Algo está mal em Portugal e não podemos continuar a viver assim.

Por isso, é de uma hipocrisia política sem limites, uma autêntica contradição nos termos, aqueles que reivindicam muito alto a revolução e batem no peito a favor do 25 de abril mas não condenam e repudiam vivamente a invasão bárbara da Rússia na Ucrânia ou, em alternativa, fingem que a condenam por oportunismo partidário, mas não dão o direito ao povo ucraniano de fazer as suas escolhas, nem sequer apoiam ajuda humanitária europeia ou lhe negam a possibilidade de pertencer ao bloco de defesa no qual se sintam mais seguros.

Assim celebrar o 25 de abril, como o 25 de novembro, é celebrar a democracia, a liberdade, o desenvolvimento na sua plenitude, com consideração e respeito pela diversidade de opiniões e considerando que é com todos os que praticam a democracia que a mesma tem existência e se desenvolve.



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