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Viana do Castelo foi anfitriã da entrega dos prémios do concurso “Os Melhores Verdes 2022”.

Luísa Teresa Ribeiro
3 Mai 2022

Manuel Pinheiro foi agraciado com o Prémio Excelência, na gala que premiou os melhores Vinhos Verdes de 2022. Esta foi a sua última cerimónia de atribuição de galardões como presidente da Comissão de Viticultura, cargo ao qual não se vai recandidatar nas eleições deste mês, ao fim de 22 anos de trabalho à frente deste organismo.

A entrega dos prémios decorreu no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, dia 27 de abril à noite, marcando o regresso da cerimónia promovida pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes ao formato presencial, com a presença da ministra da Agricultura e Alimentação. Maria do Céu Antunes associou-se à homenagem a Manuel Pinheiro, destacando o seu «trabalho fantástico, que ajudou a fazer o Vinho Verde aquilo que é hoje».

O prémio pretendeu distinguir «22 anos de excelência na liderança», período em que se registou uma «revolução silenciosa, mas efetiva» na região, que levou os Vinhos Verdes a trilharem um caminho de «qualidade, crescimento, reconhecimento e criação de valor». Foi sob a sua batuta que houve a valorização dos vinhos de guarda, a revitalização dos rosés e o aumento das exportações, levando o Vinho Verde a estar no «topo das preferências dos consumidores».

Com o teatro vianense cheio, Manuel Pinheiro confessou que sai «com o coração cheio» depois destes «anos maravilhosos». Este responsável disse ser «motivo de grande alegria» que esta se afirme como «uma região de grandes vinhos», da qual os produtores devem ter orgulho, pois «tem uma força enorme, que a levará muito longe».

«Somos uma região muito competitiva. Passámos de uma forma robusta pelos momentos dificílimos da Covid-19. Estamos a exportar para mais de 100 países. Mais de metade da nossa área de vinha é vinha renovada. Hoje, quase todas as empresas têm vinhos de casta, rosés, espumantes, vinhos com estágio, vinhos mais antigos que são mais interessantes do que quando eram jovens. Somos uma região mais forte do que nunca», declarou.

Fazendo a retrospetiva de 22 anos na presidência e mais três como vogal da Comissão dos Vinhos Verdes, referiu ter assistido a «uma revolução enorme na região. «A região dos Vinhos Verde de hoje não tem nada a ver com o que era no passado. Tem toda a personalidade do passado e de ser uma região única no mundo, mas tem uma competitividade e uma força que se calhar nunca teve», reiterou, apontando a «renovação dos produtores».

O dirigente sublinhou a qualidade dos vinhos que se apresentaram ao concurso “Os Melhores Verdes 2022”, que em qualquer parte do mundo seriam «dignos do orgulho da região e bons embaixadores do trabalho que aqui é desenvolvido».

Em seu entender, o futuro dos Vinhos Verdes deve passar pela «continuação do trabalho de desenvolver os vinhos, de lhes trazer mais valor, de os ligar ao enoturismo e de os afirmar internacionalmente».

Embora revele que escreveu um dossiê de transição, prefere não deixar publicamente um caderno de encargos que comprometa a futura liderança. «Tenho uma imensa paixão pela região e por estes vinhos, por isso tenho imensos sonhos, mas deixo para quem vier no futuro identificar quais são as linhas-mestras do seu trabalho, que acompanharei com todo o interesse», afirmou ao Diário do Minho, comprometendo-se a continuar a ser «um embaixador dos Vinhos Verdes».

 

Encostas de Melgaço Alvarinho 2020 ganha concurso “Os Melhores Verdes”

O vinho Encostas de Melgaço Alvarinho 2020, produzido pela Quinta da Pigarra, conquistou a Grande Medalha de Ouro do concurso “Os Melhores Verdes 2022”, promovido anualmente pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

O concurso destacou 157 vinhos em 11 categorias, tendo a entrega dos prémios decorrido na cidade que ligada à fundação da Região dos Vinhos Verdes. Foi em Viana do Castelo que, em 1785, as famílias produtoras de vinho se reuniram para pedir a demarcação da região.

«Hoje, temos novos 157 motivos de orgulho para promover a região durante o próximo ano, dando expressão à excelente qualidade dos vinhos que fazem um caminho de valorização crescente, dentro e fora do país», defendeu o presidente da Comissão de Viticultura, Manuel Pinheiro, acrescentando que os premiados mostram «que se produzem grandes Vinhos Verdes em várias zonas da região».

A edição de 2022 destaca, mais uma vez, «a crescente aposta no potencial de guarda dos vinhos da região», com um aumento de 9 por cento nas inscrições em relação aos anos anteriores na categoria “colheita igual ou inferior a 2019”, assim como o ressurgimento da categoria Vinho Verde Avesso, pelo aumento do número de amostras a concurso.

Este ano, o concurso atribuiu, pela primeira vez, o Prémio Enoturismo, face «ao desenvolvimento da oferta turística da região», e que foi conquistado pelo Solar das Bouças, de Amares, no distrito de Braga.

Manuel Pinheiro referiu que este troféu «destaca uma aposta que tem vinho a fortalecer o território e a sua identidade, com espaços fabulosos que acolhem os visitantes dando a conhecer o que aqui se produz».

O júri foi composto por 15 elementos, nacionais e estrangeiros, de diferentes áreas, tendo avaliado 218 amostras em prova cega e premiado 13 vinhos na categoria Ouro, 12 na categoria Prata e 131 na de Honra.

 

Grande Medalha de Ouro

Encostas de Melgaço Alvarinho 2020

 

Categoria Ouro

Vinho Verde Branco | Quinta de Gomariz Grande Escolha 2021;

Vinho Verde Branco | Pecado Capital Escolha 2021;

Vinho Verde Rosado | Abcdarium Escolha 2021;

Vinho Verde Tinto | Quinta da Samoça Vinhão 2021;

Colheita < 2019 | Quinta de Linhares Reserva Avesso 2018;

Colheita < 2019 | Marquês de Lara Reserva Avesso 2017;

Vinho Verde Alvarinho | Encostas de Melgaço Alvarinho 2020;

Vinho Verde Loureiro | Quinta dos Encados Loureiro 2021;

Vinho Verde Avesso | Casa de Vilacetinho Superior Avesso 2020;

Vinho Verde de Casta | Quinta da Levada Azal 2021;

Espumante de Vinho Verde | Messala Bruto Alvarinho 2019;

Vinho Regional Minho | Nórtico Alvarelhão Rosado 2021;

Aguardente de Vinho Verde | Dona Paterna Aguardente Vínica XO Alvarinho;

 

Categoria Prata

Vinho Verde Branco | Zulmira Superior 2021;

Vinho Verde Rosado | Vale dos Santos Padeiro 2021;

Vinho Verde Rosado | Adega de Ponte da Barca Rosado 2021;

Vinho Verde Tinto | Quinta São Gião Colheita Seleccionada Vinhão 2021;

Colheita < 2019 | Via Latina Grande Reserva 2018;

Vinho Verde Alvarinho | Deu-la-Deu Reserva Alvarinho 2020;

Vinho Verde Loureiro | Pequenos Rebentos Escolha Loureiro 2021;

Vinho Verde Avesso | Quinta de Linhares Avesso 2021;

Vinho Verde de Casta | Casal de Ventozela Arinto 2021;

Espumante de Vinho Verde Branco | D. Sancho I Seco Branco 2021;

Vinho Regional Minho | Quinta D’Amares Alvarinho 2021;

Aguardente de Vinho Verde | Alvarinha Aguardente Vínica Velha Alvarinho;

 

Prémio Enoturismo

Solar das Bouças | Amares

 

Prémio “A Melhor Vinha”

Ouro | Monverde Wine Experience Hotel | Quinta da Lixa;

Prata | Quinta de Cabração | Aveleda;

Bronze | Quinta de Lourosa

 

Viana aposta no setor do vinho

O vice-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo revelou que a promoção do setor do vinho tem sido umas das apostas da autarquia, que tem vindo a «desenvolver uma política de promoção dos seus produtos endógenos».

Manuel Vitorino explicou que cultura do vinho conquistado espaço no concelho, sendo o Vinho Verde «assumidamente um fator central para a promoção do enoturismo e para o desenvolvimento da economia».

Este responsável salientou o trabalho levado a cabo com particular incidência com os produtores e engarrafadores das Terras de Geraz, conhecidas pelas suas produções de Vinhos Verdes, «com o intuito de destacar este setor como alavanca do desenvolvimento económico local e regional».

O autarca lembrou também a campanha que está em curso de promoção do Loureiro do Vale do Lima, em conjunto com Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima.

 

Ministra elogia caminho notável dos Vinhos Verdes

A ministra da Agricultura e Alimentação elogiou «o caminho notável» que os Vinhos Verdes têm seguido, conseguindo o «reconhecimento nacional e internacional» e contribuindo para enriquecer a nossa agricultura e economia.

Maria do Céu Antunes destacou o desempenho do setor dos vinhos, que tem como meta atingir os mil milhões de euros de exportações em 2023. Segundo a governante, este valor seria atingido já este ano, se não fosse a guerra.

Os dados indicam que em 2021 foram exportados 328 milhões de litros (mais 4,1 por cento em volume), correspondendo a 925,6 milhões de euros (mais 8 por cento em valor). Em relação aos Vinhos Verdes, foram exportados mais 39,9 milhões de litros (mais 5,4 por cento em volume) e mais 77,9 milhões de euros (mais 4,7 por cento em valor).

A ministra disse que «o vinho é um setor que Portugal tem de continuar a apostar e a acarinhar, porque é um setor de futuro, que cria desenvolvimento, que cria coesão, que cria gente feliz nos territórios».

Nesse sentido, os 6 milhões de euros destinados a promover o vinho em mercados como a Rússia e a Ucrânia, passaram neste contexto de guerra para 10 milhões, sendo a aposta noutros países.

Face à preocupação com os custos da produção, a governante anunciou que vão ser pagos, até final de setembro, 27 milhões de euros de apoio aos setores mais afetados pelo aumento do preço das matérias-primas, como fertilizantes e rações. Este montante vai ser distribuído pelos setores da «suinicultura, aves e ovos, leiteiro, nomeadamente, vaca, caprinos e ovinos e das frutas e legumes».

 




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