Fotografia: Júlia Duro

Comunicação deve ser usada como instrumento de paz

Paolo Ruffini, colaborador do Papa, proferiu conferência de abertura das III Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima.

Jorge Oliveira
28 Abr 2022

O presidente do Dicastério da Comunicação da Santa Sé destacou hoje a importância da comunicação como instrumento de encontro e de paz.

Paolo Ruffini, que proferiu a conferência de abertura das III Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima, disse que numa guerra o jornalismo não pode falar num mundo «angelical», mas os profissionais da comunicação podem contar histórias boas.

colaborador do Papa para a área da Comunicação desafiou os comunicadores a promoverem um jornalismo de paz, mesmo em cenários de guerra.

«Nas lutas do mal devemos encontrar a parte boa, devemos encontrar um esquema de paz, para sair da guerra», defendeu, perante as dezenas de participantes na Jornada de Comunicação do Santuário de Fátima, que decorreu no Centro Pastoral de Paulo VI, ou acompanharam a iniciativa, online.

Sem se referir diretamente à guerra na Ucrânia,  Paolo Ruffini, que é jornalista desde 1979, tendo trabalhado em vários jornais, rádios e televisões italianas, lembrou as «situações em que é derramado sangue» e disse que só é possível alcançar a paz através do diálogo e do «perdão».

«Não é fácil, mas é possível, é um objetivo grandioso», acrescentou.

Para o colaborador do Papa, não se vence o mal usando as armas da violência.  

No primeiro painel, a professora da Universidade do Minho Felisbela Lopes apontou aqueles que são no seu entender os grandes desafios que se colocam à imprensa cristã, neste tempo em que há uma tendência para os meios de comunicação social apresentarem «agendas saturadas, em torno dos mesmo tópicos».

Criar uma agenda alternativa aquela que, por vezes, é dominada por fontes organizadas que tendem a impor a sua agenda ou a sua versão dos factos, foi o primeira sugestão lançada pela docente e também comentadora e colunista.

Descobrir valor com outros valores, promover uma responsabilidade ética e dar voz e notoriedade pública a outras fontes são outros desafios apontados por Felisbela Lopes, segundo a qual «é preciso fazer uma revolução ao nível das fontes, dar prioridade aqueles que criam valor, anunciam a inovação, são o rosto da esperança, criam uma economia mais empreendedora, um conhecimento mais avançado, uma realidade mais humanista».

A antiga pró-reitora da UMinho defendeu ainda que os meios de comunicação social de inspiração social devem «implicar-se na construção da verdade», procurando vários ângulos, e ir ao encontro das «franjas sub-representadas».

Na abertura das Jornadas “O Mundo visto de Fátima”, que este ano decorreram no âmbito do centenário do Jornal Voz da Fátima, o reitor do Santuário, o padre Carlos Cabecinhas, disse que a temática da comunicação é «conatural» a Fátima, facto que levou à criação daquela publicação. 

O sacerdote destacou a «longevidade extraordinária» do jornal que celebra este ano um século.

«Poucas publicações atingem 100 anos», frisou, lembrando que desde início o jornal assumiu «a missão de informar e difundir Fátima e a sua mensagem», mas também a dimensão de formação. 

«Hoje não é possível fazer a história do Santuário sem passar pelas páginas deste jornal», acrescentou o reitor.

Segundo o padre Carlos Cabecinhas, este jornal centenário não só permite ler a vida da Igreja a partir de Fátima como dá a «chave» para outras leituras do mundo.

Todos os números do jornal Voz da Fátima estão disponíveis gratuitamente em formato digital no site do Santuário.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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