Fotografia: DR

Cruz Pascal volta a atravessar o rio Minho

Lanço da Cruz entre Cristelo Côvo (Valença) e Sobrado (Tomiño) retomado esta tarde.

Redação/Lusa
18 Abr 2022

Os padres de Cristelo Côvo, em Valença, e Sobrado, na Galiza, retomam hoje o “Lanço da Cruz”, uma tradição pascal secular que os leva a cruzarem o rio Minho, de barco, para dar a beijar a cruz, interrompida pela pandemia de Covid-19.

«Felizmente. Já havia saudade disto tudo. Na primeira procissão que fiz em outubro notou-se muito essa saudade. Só faltou ver as pessoas a chorar de alegria. Depois de tanto tempo afastados de tudo e de todos agora é uma alegria ver a satisfação espelhada no rosto das pessoas com o retomar das suas vidas», afirmou o pároco Eugénio Silva.

Depois de dois anos interregno, por causa da pandemia, a tradição, conhecida como “Lanço da Cruz”, vai cumprir-se, hoje, às 17h00.

«Não se vai dar a cruz a beijar, mas toda a celebração faz-se na mesma. Vou entrar no barco para levar a cruz a beijar às populações do outro lado do rio Minho e o pároco de Sobrado faz o mesmo. No meio do rio costumávamos trocar as cruzes. Este ano, ainda por precaução não vamos trocar as cruzes porque não se podem dar a beijar e para não haver os contactos de risco. Paramos os barcos, fazemos as saudações, mas não trocamos as cruzes», explicou o padre Eugénio Silva.

Popularmente conhecida como “Lanço da Cruz”, aquele ritual é um dos pontos altos dos festejos em honra de Nossa Senhora da Cabeça, que decorrem naquela localidade minhota, e que juntam milhares de peregrinos dos dois países durante o período da Páscoa.

Símbolo do bom relacionamento transfronteiriço, a travessia do compasso pascal cumpre-se sempre às 17h00, depois de o pároco Eugénio Silva dar a cruz a beijar na paróquia onde foi colocado em 2012. O programa completo da festa de Nossa Senhora da Cabeça pode ser encontrado aqui.

A intenção da Câmara de Valença é candidatar a tradição pascal do “Lanço da Cruz” à lista nacional de Património Cultural Imaterial. A tradição «perde-se nos tempos» e pouco tem mudado, mandando que, «a meio do rio, se lancem as redes para apanhar peixe», enquanto «estouram foguetes e se ouve o ribombar dos grupos de bombos», contou.





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