Espaço do Diário do Minho

O projeto do Nó de Infias e os próximos investimentos em mobilidade urbana

6 Abr 2022
JOAQUIM BARBOSA

O trânsito de Braga, hoje em dia, é o sinal mais claro da confusão do crescimento urbanístico de Braga no período do mesquitismo e uma dor de cabeça, de muitas décadas, para os responsáveis autárquicos – os atuais e os vindouros – que lhe seguirão.

No período do mesquitismo, o crescimento de Braga foi feito ao sabor do interesse dos empreiteiros e, como se comprova, não foi uma cidade que cresceu a pensar na conjugação com os espaços verdes, com mobiliário urbano de qualidade, com passeios espaçosos, seguros e confortáveis, com a recolha de lixo, com o desenvolvimento dos meios suaves de locomoção, com o estacionamentos e muito menos com o trânsito.

Agora o que há a fazer, a par de uma qualitativa alteração estrutural aquando da construção de novas vias e urbanizações, é tentar remediar o existente, reconstruindo o que for possível e alterando também o que for alterável, ao sabor das escassas disponibilidades financeiras.

O Nó de Infias, então, por onde passam cerca de 100 mil carros por dia, cujo projeto arquitetónico da sua alteração, foi publicamente apresentado a escassas horas da feitura deste texto, não passa de uma manta de retalhos, mal costurada, com os resultados que se conhecem.

Apesar da ausência aparentemente justificada do ministro da tutela, esta cerimónia deve ter contribuído para a perceção pública que a resolução do projeto do Nó de Infias não é da exclusiva responsabilidade camarária. Se o fosse e, se em vez de termos uma fatia muito considerável das verbas municipais obrigatoriamente afetas ao pagamento do estádio e dos relvados sintéticos, mas antes adstritas a outras necessidades do concelho mais prementes, há muito que este estrangulo rodoviário, que tanto prejudica quem vive ou passa por Braga, estaria resolvido.

Ao município mais não resta, como o fez aliás, do que pressionar devidamente o poder central para fazer a parte que lhe compete, como este parece agora estar a iniciar a fazer, embora com bastante atraso.

É importante que o poder municipal e a população, apesar das palavras sempre bonitas dos nossos governantes, esteja sempre atento e exija do governo a atuação necessária para a feitura da devida obra e no menor prazo de tempo possível.

Tendo o município pago 50% do projeto, tem com certeza alguma responsabilidade no futuro desenho para o escoamento do trânsito, já que este problema é demasiado importante para ficar da exclusiva responsabilidade de técnicos e do poder central distante em Lisboa.

Importante ficarmos a saber que foram tomadas todas as medidas para que esta obra, com dois anos de prazo para a sua execução, não torne o trânsito, nesse período, ainda pior do que é agora.

A futura obra para tornar possível aos passantes ou habitantes na Rua Infantaria 8, terem um percurso alternativo ao atual, evidência como algumas intervenções pontuais podem ser vantajosas para ajudar na melhoria do tráfego.

A vereadora Olga Pereira, com a responsabilidade sobre decisivos pelouros como a mobilidade e obras municipais, na sessão pública do projeto, apresentou uma intervenção bem estruturada quer sobre a caraterização do tráfego no Nó de Infias, quer sobre os próximos desafios de Braga em termos de mobilidade, como a compra de mais 30 viaturas elétricas para os TUB, a juntar aos 13 veículos elétricos e a gaz natural adquiridos nos últimos anos, o Bus Rapid Transit (BRT) com os seus 4 parques periféricos, a eliminação de barreiras arquitetónicas em vias urbanas, a atenção de Braga à integração bilhética do Quadrilátero Urbano, o transporte público da mobilidade escolar, a feitura de ciclovias com 11 kms para cada lado, entre outros projetos de importância para o concelho.

Importante foi a referência por parte desta responsável municipal para a futura ligação da Variante do Cávado até ao nó de Ferreiros, para a qual exigiu a devida atenção do poder central, com contribuição de realce para a ligação direta às autoestradas do concelho e às vias de ligação intermunicipais, evitando, assim, trânsito dirigido mais ao centro da cidade.

A acrescentar a tudo isto temos a continuação da intervenção nas melhorias das vias do concelho, uma forte intervenção, de 3,5 milhões de euros, no túnel da Av. da Liberdade que incidirá sobre os seu pavimento, sistema de exaustão, limpeza e segurança, a par de uma forte intervenção na Avenida da Liberdade, emblemática na cidade e da ligação da Linha de Alta Velocidade à estação de comboios.

Assim, temos boas notícias quando à mobilidade nos próximos anos já que numa cidade tão viva, tão dinâmica e tão em crescimento como Braga, nunca será uma tarefa acabada ou completa.



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