Fotografia: DM

D. Nuno condena guerra na Ucrânia e incentiva à «força desarmada da paz»

Bispo auxiliar de Braga pede aos cristãos que se tornem pacificadores, na Peregrinação Penitencial ao Bom Jesus.

Jorge Oliveira
3 Abr 2022

O bispo auxiliar de Braga, D. Nuno Almeida, apelou hoje ao fim da guerra na Ucrânia e desafiou os cristãos a tornarem-se «pacificadores», trabalhando «seriamente» pela paz, notando que a guerra não é algo que diga só respeito aos «outros».

D. Nuno Almeida deixou este pedido na missa da Peregrinação Penitencial ao Bom Jesus, a que presidiu no exterior da Basílica, diante de centenas de fiéis.  

Esta peregrinação foi dedicada à paz no mundo, em particular na Ucrânia que vive o drama da guerra desde o dia 24 de fevereiro.

«Já passou mais de um mês desde o início desta guerra cruel e insensata que, como todas as guerras, representa uma derrota para todos, para todos nós. É preciso repudiar a guerra, lugar de morte onde os pais e as mães enterram os filhos, onde os homens matam os seus irmãos sem sequer os ver, onde os poderosos decidem, nos seus palácios e bunkers, e os pobres morrem», disse o prelado.

Alertando para o «perigo da autodestruição» da humanidade, D. Nuno Almeida defendeu que «chegou a hora de abolir a guerra, de cancelá-la da história do homem, antes que seja ela a cancelar o homem da história».

«Nunca mais a guerra!», pediu o bispo auxiliar de Braga a partir do coreto do Bom Jesus onde numa das grades estava colocada a bandeira da Ucrânia.

Notando que desde há alguma décadas «parece que a guerra passou a preocupar menos» e «foi aumentando o desinteresse pela causa da paz, pensando que a “guerra” é sempre dos outros», D. Nuno Almeida desafiou os cristãos a encararem a guerra como uma questão que a todos diz respeito.

«Quer queiramos quer não, envolve-nos! Não esqueçamos que, preocupando-nos pela paz dos “outros”, acabamos por nos ocuparmos da nossa própria paz», disse, defendendo que «é preciso um conhecimento e participação mais ativa nos grandes temas internacionais».

Neste contexto, o bispo auxiliar desafiou os fiéis a apaixonarem-se pela paz, para serem «pacificadores», não deixando de partilhar e de colocar o tema da «cultura da paz» na educação das novas gerações.

«É hora de nos tornarmos pacificadores, visando sempre reconciliar os combatentes e remover as jazidas de ódio e ressentimento. Como crentes, ou como homens e mulheres de boa vontade, podemos influenciar a história com a força desarmada da paz», declarou.  

Na homilia,  D. Nuno Almeida convidou ainda os fiéis, neste tempo quaresmal, a procurarem o «perdão de Deus», mediante o Sacramento da Reconciliação que a Igreja oferece, para «recomeçar a vida, torná-la mais limpa, mais leve, mais fresca e e mais humana».

Depois de dois anos de interregno devido à pandemia de covid-19, a Confraria do Bom Jesus do Monte voltou a organizar a Peregrinação Penitencial a partir da Igreja de Santa Cruz, no centro de Braga, desta vez com a participação de alguns cidadãos ucranianos.

As centenas de fiéis reunidos em frente à Basílica acompanharam a saída da imagem do Bom Jesus do Monte e saudaram-na com palmas, dirigindo-se depois para o espaço em frente ao coreto, onde D. Nuno Almeida pediu o «dom da paz» para o povo «martirizado da Ucrânia».

 





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