Fotografia: DR

Drama dos refugiados dá mote a peça de teatro que se estreia em Famalicão

A apresentação aconteceu hoje.

Redação/Lusa
30 Mar 2022

O drama de uma refugiada que foge do seu país, com a filha ao colo, dá corpo à peça de teatro “FábulaMãe”, que se estreia na sexta-feira, na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

Teresa Arcanjo, que responde pela encenação e interpretação, disse hoje à agência Lusa que o texto, da autoria de Pedro Galiza, foi escrito há dois anos, “quando se estava longe de imaginar” que a estreia iria ocorrer num período em que o tema dos refugiados está “mais do que nunca na ordem do dia”.

“Infelizmente, a peça tem uma atualidade acrescida, por força do que está a acontecer na Ucrânia”, referiu, adiantando que a estreia teve de ser adiada por causa da pandemia de covid-19.

Durante cerca de uma hora, Teresa Arcanjo encarna, em palco, uma refugiada de Leste, pianista, que se vê obrigada a abandonar o seu país, levando com ela a filha, à procura de paz e de uma vida melhor.

“A peça passa-se toda dentro da cabeça daquela mulher, revela as conversas que tem com ela própria, diz o que lhe vai na alma, conta a odisseia de um refugiado”, sublinha Teresa Arcanjo.

A atriz fica praticamente todo o tempo sozinha em palco, contando apenas, aqui e ali, com a “visita” de cinco músicos, que “vão aparecendo e desaparecendo” de cena.

Segundo Teresa Arcanjo, esta é uma peça que “levanta algumas questões” e apela à reflexão sobre o drama dos refugiados.

“A ‘minha’ refugiada é diferente dos refugiados de hoje da Ucrânia. Estes têm as fronteiras abertas, a ‘minha’ não tinha. E há tanta gente inocente no mundo a precisar de fronteiras abertas…”, atira a atriz.

“FábulaMãe” é uma produção de Grua Crua, em parceria com Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e com o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI).

O espetáculo repete no dia 02 de abril, e integra-se na “Poética da Palavra”, um dos momentos-chave da atividade programática da Casa das Artes de Famalicão e que assenta no texto, na palavra, na voz e no trabalho de ator, “enquanto essência da arte milenar do teatro”.

A “Poética da Palavra” decorre até 09 de abril, com apresentação de peças de teatro e mesas-redondas sobre dramaturgia, encenação, teatro e educação artística.

No fim de cada noite de apresentação, o público mantém uma conversa com os atores que protagonizam cada projeto teatral, de modo a poder conhecer o trabalho, concreto, sobre o texto, a palavra e a sua relação com o corpo que lhe dá voz, assim como sobre o processo de construção de cada personagem.

A iniciativa “Poética da Palavra” – Encontros de Teatro teve a primeira edição em 2018.





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