Espaço do Diário do Minho

Sem Ética e…sem pais, não há desporto de formação

25 Mar 2022
Carlos Mangas

Na semana passada fui convidado pelo coordenador do futebol de formação do Gil Vicente FC, Ricardo Cerqueira, para uma formação sobre ética no Desporto. Curiosamente os oradores presentes tinham passado e/ou presente no clube, em diferentes funções. No meu caso, integrei a equipa técnica de Bernardino Pedroto em meados da década de 90.

Ricardo Cerqueira abriu as “hostilidades” falando da importância destes eventos, atendendo até ao tema em questão – Ética no Desporto. Congratulou-se com a elevada adesão de pais, explicitando depois o que (e como se) move o clube nas questões éticas, formativas e competitivas.

Teve depois a palavra o Prof. Dr. José Mário Cachada, Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto que após referir as suas raízes barcelenses, passou à temática da sua área de competência, induzindo os presentes a associarem a formação/competição às questões éticas usando como exemplo, além do futebol, o judo – modalidade que percorreu em todas as suas vertentes formativas e competitivas.

Das inúmeras lições apreendidas, destaco o respeito que (obrigatoriamente) tem de haver entre desportistas e a necessidade de haver competição (consigo próprio e com os outros) para existir superação, na certeza que esta só acontecerá se o opositor der luta, na verdadeira aceção do termo.

Seguidamente, o prof. José Ilídio Torres, ex-atleta da formação gilista com passagens como treinador/coordenador por clubes minhotos (SCB, Vilaverdense, Bragalona, Perelhal), usando como suporte o livro de FUT360L da Pereira à Pedreira, falou sobre alguns artigos do mesmo, incidindo essencialmente nos que alertam os pais para comportamentos a ter quando em contexto de jogos de formação.

Abordou também a necessidade de percebermos, enquanto treinadores deste escalões, que fundamental mesmo é a evolução dos jovens em todas as suas vertentes, tendo sempre como base, o respeito pelos outros e pela modalidade, sendo as vitórias/derrotas, formas de aprendizagem.

Coube-me encerrar a sessão e, “folheando” também o meu livro, falei da importância dos pais no desporto de formação. Reforcei a importância da alteração dos quadros competitivos nos escalões mais jovens, no que se refere ao tempo de jogo e competitividade. Lembrei Diogo Dalot que enquanto jogador do Manchester United, ofereceu uma carrinha à sua escola de formação (Fintas) valorizando, nesta atitude, o papel dos pais e clubes por onde passou.

Recordei um movimento criado em 2016 por estudantes da UM em que se tentava que os adeptos de diferentes clubes se movessem pela paixão pela modalidade e conseguissem conviver num mesmo espaço de forma…civilizada.

Concluí dando os parabéns ao Gil Vicente por, na formação, a exemplo do futebol sénior mostrar estar na vanguarda do futebol nacional. Aos pais dos miúdos do Gil e de todos os outros clubes, relembro: por muito que vos critiquem – às vezes com razão – acreditem, sem pais, não há (futebol nem) desporto de formação.

Assim saibam todos merecer essa responsabilidade.



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