Fotografia: Nuno Cerqueira

Emigrantes ucranianos em Braga temem a guerra e derrota da democracia: «Não estamos sossegados!»

«Tenho lá a minha família e fico nervosa quando vejo as notícias. Há claramente um clima de tensão e não sabemos neste momento o que vai acontecer», frisa.

Nuno Cerqueira
18 Fev 2022

Vasyl Bundzyak, Valentyna Bykova e Snizhana Umanets são ucranianos radicados em Braga e ao Diário do Minho relatam um cenário de tensão, preocupação com os familiares, na Ucrânia.

Não querem uma guerra, preferem a via diplomática, mas acreditam que o país está preparado para qualquer um dos cenários.

«Temos uma certeza, não vamos sair da Ucrânia», diz Valentyna, afirmando mesmo que os ucranianos «estão a comprar pistolas para se defenderem».

Também Snizhana Umanets, um jovem estudante trabalhadora que é natural de Chernihiv, uma região mesmo na fronteira com a Rússia e Bielorrússia, dá sinais de preocupação.

«Tenho lá a minha família e fico nervosa quando vejo as notícias. Há claramente um clima de tensão e não sabemos neste momento o que vai acontecer», frisa.

A tensão entre a Rússia e a Ucrânia tem subido de tom desde novembro do ano passado. Questionada sobre uma eventual fuga de ucranianos da terra natal, Snizhana refere que há dois lados.

«Uns deslocam-se internamente na Ucrânia de este para oeste. Outros não querem abandonar as terras onde estão. Julgo que se o pior vier, as pessoas vão querer defender-se», destaca.

Já o padre ortodoxo Vasyl Bundzyak dá nota que o conflito já existe e tem um ponto, o facto de a Rússia não querer que a Ucrânia seja europeia e esteja na NATO.

«Nos já estamos em conflito há oito anos com a invasão da Rússia na Crimeia. Com ou sem guerra este conflito vai durar anos. Nós agradecemos à Europa e aos Estados Unidos pela ajuda. A Ucrânia tem um espírito muito forte. Os russos não vão conseguir ocupar a Ucrânia», frisa.

Existem cerca de 40 a 50 mil cidadãos ucranianos a viver em Portugal, dos quais 28 mil com autorização de residência e entre 15 a 20 mil já têm cidadania portuguesa. Muitos deles estão a pensar acolher familiares que ainda vivem na Ucrânia.

[Reportagem completa na edição impressa do Diário do Minho] 





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