Fotografia: DM

Ramos-Horta lembra que «não há soluções fáceis» na luta contra a pobreza e é preciso «unir vontades»

O político e jurista timorense falou sobre os desafios a serem enfrentados na atualidade, muitos deles agravados pela pandemia.

Rita Cunha
11 Fev 2022

O político e jurista timorense, vencedor do Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, lembrou ontem que «não há corta-mato» na luta contra a pobreza e que esta só poderá ser erradicada através da união de «boas vontades» em todo o mundo.

O antigo Presidente da República de Timor-Leste falava na manhã de ontem, no decorrer do IV Congresso Internacional de Pedagogia, que reuniu no Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa (UCP) especialistas de vários países em torno do tema “Educação, Justiça e Direitos Humanos num mundo em transformação”.

Na impossibilidade de estar presente devido aos constrangimentos causados pela pandemia de covid-19, Ramos-Horta deixou uma mensagem a todos os participantes, na qual lembrou os principais desafios da atualidade à escala global, desde logo a escravatura infantil, a dificuldade no acesso à educação, a pobreza extrema, as alterações climáticas e a guerra.

A pandemia veio agravar ainda mais toda esta situação e «mostrar que é cada vez mais necessária a cooperação internacional porque nenhum país, por mais poderoso que seja, consegue sozinho parar os seus avanços».

«A pandemia atira para a extrema pobreza milhões de crianças, sobretudo na Ásia, África e América Latina, que perdem oportunidades de escola e são forçadas a trabalhar, aumentando a escravatura infantil», disse, lamentando ainda que «as guerras não tenham fim». «Continuamos a testemunhar a guerra na Síria, o conflito na Líbia, a instabilidade no Irão, que provocam o êxodo de milhões de pessoas que desafiam os mares do Mediterrâneo, que se tornou num cemitério aquático de tantas vidas», lamentou.

Lembrou ainda os conflitos e tensões entre a China e os países vizinhos e os Estados Unidos da América (EUA), a Inglaterra e a Austrália, considerando que «o mar do sul da China está a ser demasiado militarizado».
Para este cenário, o embaixador da causa timorense desde 1975 apontou o que considera ser uma solução: «primeiro, temos de ser realistas», começou por dar nota, vincando que «não há soluções fáceis nem corta-mato na luta pela paz» e que esta «só pode ser realizada por pessoas não impacientes e que acreditam na melhor dimensão humana, que o ser humano é um ser bom e que é possível transformar conflitos em solidariedade e cooperação».

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





Notícias relacionadas


Scroll Up