Fotografia: DR

Projeto quer levar tecidos humanos artificiais ao mercado

Investigadora da Universidade do Minho recebe bolsa de 150 mil euros para desenvolver “BioCHIPS”.

Redação
8 Fev 2022

A investigadora Manuela Gomes, do Grupo 3B’s da Universidade do Minho, recebeu uma bolsa de 150 mil euros do Conselho Europeu de Investigação para recriar a estrutura fibrilar dos tecidos humanos, com possíveis aplicações na medicina regenerativa. O projeto “BioCHIPS” quer levar para o mercado a inovação desenvolvida no projeto MagTendon, com o qual a cientista obteve dois milhões de euros do ERC para 2017-23.

O “BioCHIPS” propõe uma plataforma inovadora para o fabrico direto de dispositivos que recriam com grande fidelidade a estrutura fibrilar e os estímulos biofísicos que caracterizam a matriz extracelular dos tecidos humanos, permitindo obter microtecidos e modelos de tecidos/órgãos com geometrias diversas. A plataforma poderá conter múltiplos modelos independentes de tecidos/órgãos ou ligar modelos por circuitos de microfluídica.

«As caraterísticas do BioCHIPS permitirão produzir tecidos humanos artificiais que serão maturados em condições privilegiadas no seu próprio biorreator e, simultaneamente, realizar ensaios biológicos em maior escala. Ou seja, oferecer versatilidade e funções até agora não existentes, por exemplo, para o estudo de doenças como o cancro e para a testagem de terapias. O portfólio de resultados poderá resultar na criação de uma empresa ou suscitar interesse de multinacionais do ramo», explica a UMinho.

A tendência atual para minimizar a utilização de modelos animais em ensaios experimentais tem acelerado a necessidade de usar novos sistemas e plataformas in vitro, com capacidade de representar melhor as condições in vivo e, assim, facilitar a investigação sistematizada de mecanismos de doenças e possíveis novos medicamentos. O maior objetivo destes modelos de bioimpressão 3D é recriar a complexidade espacial, celular e química dos tecidos e órgãos nativos, imitando as suas principais funções fisiológicas e permitindo testar mais, com maior rapidez, fidelidade menor experimentação animal.





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