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Teatro Oficina em Guimarães quer ser espaço de resistência e de criação

Ciclo de atividades prevê este ano a exibição de um espetáculo no próprio espaço.

Redação/Lusa
26 Jan 2022

O Teatro Oficina, em Guimarães, quer ser um espaço de resistência, de criação e de portas abertas ao público, num ciclo de atividades que prevê este ano a exibição de um espetáculo no próprio espaço, entre outras iniciativas.

“O meu objetivo é tornar o Teatro Oficina, novamente, numa companhia de criação, de pensamento, que tem o teatro no centro das suas preocupações, e que toda a sua ação acontece a partir do espaço Oficina, a partir desta cave em que tudo acontece aqui e a partir daqui”, disse hoje à agência Lusa a encenadora Sara Barros Leitão, no dia da apresentação “dos novos rumos, desejos e vidas do Teatro Oficina” para 2022.

A também atriz foi a convidada pela Cooperativa Cultural A Oficina para a direção artística do Teatro Oficina, que funciona numa cave de um prédio, denominada de ‘Blackbox’, com 60 lugares.

“O espaço Oficina foi reabilitado, está a ficar encantador, e a grande novidade talvez seja a abertura deste espaço a quem quiser participar, tornando-o num sítio de encontro, de reflexão, de partilha”, declarou Sara Barros Leitão.

“O ano do nosso desconfinamento” surge como mote para pensar um ciclo de atividades durante este ano no Teatro Oficina.

“Temos uma criação que estreia em 22 de setembro no espaço Oficina, e esta é, talvez, a grande novidade. Já há muitos anos que não se fazem espetáculos no espaço Oficina. Há muitos anos que o teatro Oficina vai fazendo criações fora, muito no [Centro Cultural] Vila Flor, muito noutros palcos, mas parece-me que é fundamental resgatarmos de novo esta ‘blackbox’”, explica a encenadora.

Sara Barros Leitão vai encenar e escrever um espetáculo para três atrizes, que ainda não existe, mas que será sobre emigração e tem como título provisório “há ir, e voltar”, inspirado no ‘slogan’ publicitário escrito por Alexandre O’Neill para o Instituto de Socorros a Náufragos: “Há mar e mar, há ir, e voltar”.

“Mas, neste caso, vou escrevê-lo para uma cidade que não tem mar, mas ainda assim sabe o significado de saída e de regresso. E o espetáculo será sobre emigração, porque a maior parte das pessoas em Guimarães tem histórias e memória de ter alguém que está emigrado ou que foi emigrado”, sublinha a artista.

O espetáculo vai estar em exibição durante três ou quatro semanas.

A atriz e encenadora dá conta de que também vai ser criado um ‘podcast’, gravado no próprio espaço, com uma periodicidade quinzenal.

“Já começámos a gravá-lo, chama-se Tentativa e Erro, precisamente porque vai registar o que é que é este pensamento deste ano, que estou a dirigir o Teatro Oficina, e que não sei como é que se faz, nunca dirigi uma estrutura desta envergadura e, portanto, vou por tentativa e erro. E vou registado no ‘podcast’ aquilo que é o meu pensamento, aquilo que corre bem, que corre menos bem. As pessoas que se vão cruzando por aqui, que quiserem ir aparecendo”, relatou Sara Barros Leitão.

A criação de uma “anti-biblioteca” do Teatro Oficina é outra das iniciativas pensadas para 2022.

“As bibliotecas são feitas de livros que não são lidos, e, na verdade, as peças de teatro não são feitas para serem lidas, são escritas para serem feitas. E ler peças de teatro é também um espaço de resistência e não é uma coisa que seja muito habitual, as pessoas encontrarem-se para ler teatro. E esse é o desafio: fazermos uma biblioteca de teatro e dar-lhe vida através de círculos de leitura quinzenais, em que vamos ler peças em voz alta, com quem quiser aparecer”, conta Sara Barros Leitão.

O “assalto ao arquivo” é outra das iniciativas previstas e que visa recuperar todo o arquivo da Oficina, com a ajuda do público.

“Vamos ter um fim de semana em que abrimos as portas, expomos todo o arquivo e será o público cúmplice do teatro Oficina ao longo de todos estes anos, que nos irá ajudar a identificar quem é aquele ator, de quem é aquele figurino, onde é que viu aquela máscara. E podem também trazer coisas do seu próprio arquivo pessoal do teatro Oficina, como antigos bilhetes, folhas de sala, cartazes, cartas de amor, que queiram doar para fazermos um arquivo”, explica a atriz e encenadora.





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