Espaço do Diário do Minho

Às urnas. E depois…

20 Jan 2022
Silva Araújo

1. No próximo dia 30 há eleições para a Assembleia da República. São uma forma, não a única, de participarmos na vida da comunidade a que pertencemos. 

Todos os cidadãos eleitores, que se não encontrem legitimamente impedidos de o fazer, devem apresentar-se na sua assembleia de voto. O comodismo e a descrença não valem. 

A abstenção revela falta consciência cívica. Não quero ser duro nem magoar seja quem for mas pode demonstrar irresponsabilidade. Queixamo-nos de que as coisas não andam como gostaríamos andassem, mas à hora de manifestarmos a nossa vontade, encolhemo-nos. Assim, não. Há que marcar presença.

2. Presença consciente e responsável. Sabendo como votamos, em quem e porquê. 

Há votos em branco, votos nulos, votos válidos. Cada eleitor tem a liberdade de escolher, mas que o não faça sem ouvir a própria consciência.

No caso dos votos válidos pode acontecer de nenhum dos programas apresentados a sufrágio nos agradar totalmente e a consciência dizer que escolhamos o mal menor.

3. O voto consciente exige que se conheçam os programas dos diversos partidos. Que estes sejam acessíveis a todos os eleitores. Que sejam concretos. Que indiquem as possíveis soluções para os diversos problemas da comunidade. Não basta denunciar o que está mal. É necessário indicar como estará bem apresentando soluções exequíveis e visando sempre o bem comum.

É fácil fazer promessas. É fácil prometer viagens à lua. E apresentar meios para concretizar essas promessas? e que interesse têm essas promessas para o bem dos cidadãos?

4. Os candidatos devem conhecer a realidade nacional no seu todo e não apenas Lisboa e arredores. Não se tolera que sejam pessoas de gabinete ou apenas gente habituada a pisar salões alcatifados. Há que saber pisar também o tojo, conhecendo o viver das populações mais humildes, mais carenciadas, mais indefesas. Não se vai governar apenas para quem está em frente à janela. 

Na elaboração das listas atendeu-se realmente à preparação e competência dos candidatos ou procurou-se arranjar emprego para um certo número de pessoas que da política fazem profissão? Porque é que há cabeças de lista que nada têm a ver com o círculo por onde são propostos?

5. Antes das eleições há a campanha eleitoral. Já houve um conjunto de debates na televisão. 

Que a campanha procure realmente esclarecer os cidadãos eleitores. Que se não enverede pela demagogia ou se atue com a convicção de que quem mais grita é quem mais sabe e quem está melhor preparado.

Informar e esclarecer não é guerrear.

6. O exercício do direito/dever de cidadania não termina com o depósito do voto na urna. Exige procurar que o novo governo seja constituído por pessoas conscientes e competentes e se acompanhe a forma como o poder é exercido. 

Poder que é serviço à comunidade e não oportunidade para que os seus detentores dele se sirvam e sirvam o seu grupo de amigos. 

Poder que deve ser exercido com humanidade mas também com firmeza. 

Poder que se liberte de espartilhos ideológicos e tenha como grande preocupação o bem das pessoas. 

Que ponha em prática uma verdadeira justiça social, abatendo o fosso que separa os muito ricos dos muito pobres. 

Que se preocupe acima de tudo com os problemas da saúde, da habitação, do decréscimo da natalidade, da situação dos idosos, da justiça para todos e em tempo oportuno. 

Que dê luta sem tréguas ao clientelismo e à corrupção. Que premeie o mérito e não a preguiça ou o lucro fácil. 

Que preste grande atenção aos mais carenciados. Que respeite o direito à vida em todas as suas fases e tudo faça para que os cidadãos vivam cada vez melhor. Que, em vez de acelerar a morte, invista a sério nos cuidados continuados.

Que enfrente os verdadeiros problemas da comunidade em lugar de se entreter com coisinhas e com casinhos.



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