Espaço do Diário do Minho

O dilema actual dos adeptos de PSD e CDS

11 Jan 2022
Eduardo Tomás Alves

  1. Porque se vota num partido ?). Quase toda a gente concorda que, quando alguém vota (em eleições legislativas) num certo partido, fá-lo porque está mais ou menos ciente de que, no conjunto dos partidos ou alianças em presença, é aquele partido que está mais próximo dos seus ideais políticos. Há contudo duas excepções e esta regra (quase de “Lapalisse”…). A 1.ª é o chamado “voto útil”: perante a ameaça de vitória de certo partido ou aliança que o eleitor detesta, o eleitor é levado a votar num partido “maior” (que não era a sua 1.ª escolha) e que tem mais possibilidade de derrotar o tal partido detestado. A 2.ª excepção que leva o eleitor a deixar de votar no partido que seria a sua 1.ª escolha, é a de esse partido se encontrar, no momento, sob a liderança de pessoas das quais o eleitor desconfia da capacidade (em muitos casos até, da honestidade e sinceridade, da lealdade aos ideais do partido, enfim). Esta 2.ª excepção (a de desconfiar das lideranças) é muito mais frequente do que se pensa. E é responsável por muitas “inesperadas” derrotas eleitorais. Que normalmente levam à demissão do líder tido por “antipático”. Costuma bastar uma só derrota. Há contudo líderes com tão infundamentada auto-estima, que nem à 3.ª derrota (e com sondagens posteriores negativas), nem assim se demitem. Será o caso do dr. Rui Rio, que lembra o famoso “mr. Magoo” (ou “senhor Pitosga” dos desenhos animados). O qual, por ser altamente míope, passava incólume (sem sequer o perceber) pelos mais variados obstáculos e percalços; e, pela conjugação da miopia com imensa sorte, estava sempre confiante em que o futuro lhe sorriria.

  2. Rui Rio é, assim, a antítese de José Seguro…). Presidente do PS por cerca de 3 anos, o injustiçado dr. Seguro foi apeado da liderança do PS pelo dr. Costa e amigos, com o argumento hipócrita de que tinha ganho autárquicas e europeias, mas ganho “por poucochinho”. Ora Rio, no PSD nem sequer ganha por pouco… Só perdeu. Europeias, legislativas (2019) e autárquicas (2021); ficando sempre muito atrás do PS (o máximo que alcançou foi 29% contra 37% de Costa). Contudo, Rui Rio perde fora, mas paradoxalmente continua sempre a ganhar dentro do partido. Desprezando e fintando o querer das bases e simpatizantes, o “aparelho” arranjou sempre maneira de vencer “à tangente” os rivais: Santana Lopes e depois, Luís Montenegro. Com os quais, penso, o PSD logo venceria eleições nacionais.

  3. No CDS, o diagnóstico é semelhante). E muito sério, também. O jovem Rodrigues dos Santos cancela eleições internas (que obviamente previa perder), contra o eurodeputado Nuno Melo, uma das mais prestigiadas, históricas e consensuais figuras do partido. Causando, com esse acto de baixa política, o afastamento de outras figuras do CDS (Cecília Meireles, Telmo Correia, Pires de Lima, Lobo Xavier, João Almeida). E assim “decretando”, um desastre eleitoral em 30 de Janeiro próximo.

  4. As “entourages” de Rio e de “Chicão”). É verdade que em política (como na vida) tudo flui. Só que a maioria das actuais 2.ª figuras, no CDS ou PSD, são mal conhecidas ou pouco apreciadas pelas bases. Rio apoia-se apenas em alguns reforços vindos dos “juniores” (o azougado Salvador Malheiro, da quase “minha” Ovar); ou então da 2.ª e 3.ª “divisões” do partido: o matreiro brigantino-mirandelense José Silvano, o inexperiente Coelho Lima e o inefável prof. David Justino. Este ex-ministro da Educação é capaz de defender durante horas a fio, com um discurso sonolento e pastoso, tudo e o seu contrário (e ainda há quem alcunhe Joe Biden, de “sleepy”…).

  5. Votar num PSD e num CDS que não são bem aquilo que queremos ?). O que interessa não é a forma, é a substância. Não é o embrulho, é o que lá está dentro. E são os intérpretes, os líderes, cujo nome garante a fidelidade ao ideário dos partidos. Que teria sido o CDS, com a vaidosa dra. Cristas ? Ou, no passado, se Monteiro tivesse vencido Portas? Ou no PSD, se se eternizassem na chefia o ex-guerrilheiro Emídio Guerreiro, o insondável Balsemão, o arrivista Durão Barroso, ou o surpreendente e secretivo dr. Rangel ?.

  6. Ou votar noutros e esperar a queda das lideranças de PSD e CDS ?). É como na vida, às vezes mais vale esperar. Custa, mas só assim se alcança o que se quer. Hugo Soares, Montenegro, Abreu Amorim, ou até Marco António Costa, decerto que intimamente estão à espera da sua mais que justa e esperada hora. Se Rio tivesse agora um resultado aceitável (à 4.ª tentativa…), perpetuar-se-ia um PSD que não diz com as bases.

  7. Não será fácil uma maioria de Centro e de Direita). Pela fraqueza das actuais chefias de PSD e CDS (e por melhores que possam ser os resultados do Chega, e até, do IL, não se adivinha que, como em 2015 e 2019, o total das Esquerdas não proporcione novas “geringonças”. Logo agora, que há para aí uma “bazuca” pronta a disparar…



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