Espaço do Diário do Minho

2022 – Como será?

8 Jan 2022
Fernando Viana

O início de cada ano tem sempre algo de mágico, pela expetativa que traz. Há sempre um certo frisson nas pessoas, muitas acreditam sempre que o novo ano vai ser melhor, vai permitir sarar feridas em aberto, ultrapassar obstáculos e trazer coisas boas, sejam elas materiais ou no plano espiritual.

Depois, o stress, a rotina, a voragem dos dias vai começando a erodir essa expetativa inicial e tudo se vai lentamente desvanecendo.

Mas não deve ser assim. Não devemos desistir nem esquecer os nossos propósitos iniciais. Penso que é importante que cada um estabeleça pelo menos três objetivos fáceis de atingir e se esforce por procurar concretizá-los ao longo do ano.

Não precisa de ser nada de transcendente, antes pelo contrário, devem ser pequenas coisas, perfeitamente dentro da nossa capacidade efetiva de realização. Coisas do tipo: emagrecer dois ou três quilogramas (depois dos excessos habituais do Natal e fim de ano, é sempre um bom objetivo); deixar de fumar; praticar uma atividade física; ler um livro por mês; constituir uma pequena poupança para um objetivo mais ambicioso. Qualquer coisa que nos oriente no curto prazo e que dê algum sentido imediato e mais prático para as nossas vidas.

Claro que para além destes pequenos objetivos pessoais, há outros desígnios de maior dimensão e para os quais um ano não é suficiente na maior parte dos casos. Estamos a falar do nosso projeto de vida, para os quais a nossa vontade e desejos são fundamentais, mas que são de maior complexidade e requerem a conjugação de outros fatores e de outras vontades: Estudar e tirar um curso profissional; arranjar emprego, progredir na carreira profissional ou desenvolver um projeto profissional; casar; ter filhos ou comprar uma casa, são apenas alguns bons exemplos de projetos que são modeladores da nossa vida e daquilo que será o nosso futuro.

Entretanto, temos aí dois acontecimentos que nos são externos, vão dominar o ano e irão sempre ter alguma influência no nosso futuro.

Um é a pandemia e a sua evolução. Sou dos que acreditam que 2022 será o ano do fim da pandemia (embora talvez transformada numa endemia). Estamos todos fartos disto e queremos virar a página. Regressar às nossas vidas anteriores. Andar sem máscara, não sentir os olhos dos outros em cima de nós quando tossimos numa sala, não ter de andar com certificados de vacinação, recuperação ou comprovativos de teste. Planear uma viagem ou umas férias sem medo de serem canceladas devido à pandemia. Ter acesso aos serviços públicos, cinemas, restaurantes sem qualquer constrangimento. Que saudades de usufruir verdadeiramente das pequenas coisas que nos fazem felizes.

O outro são as eleições legislativas que se avizinham. Muitos tendem a desvalorizar as eleições e nem sequer votam. O que não é nada positivo, porque quer queiramos ou não, o nosso futuro pessoal e coletivo depende das escolhas políticas que são feitas e que determinam o programa político que vai ser aplicado, que acabará sempre por influenciar o nosso projeto de vida. Deixar que sejam os outros a escolher por nós é mau, muito mau.

Estas eleições, no contexto em que surgem, são fundamentais. Perante um país com uma dívida pública e provada brutal, a pandemia ainda por resolver e os milhões de Bruxelas a começarem a serem distribuídos, as escolhas políticas que fizermos irão ser determinantes para definir o nosso futuro coletivo. No entanto, sentimos um país crispado, dividido entre esquerda, direita e diversas propostas fragmentadas, roçando umas o populismo descarado e outras, algumas ideias desgarradas, surfando a onda da moda.

Como diria Confúcio, “nós não podemos mudar o vento, mas podemos colocar as velas do barco para chegar onde queremos”.



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