Espaço do Diário do Minho

Dia Mundial da Paz

30 Dez 2021
Silva Araújo

1. Celebra-se sábado o 55.º Dia Mundial da Paz, instituído por Paulo VI em 8 de dezembro de 1967. 

Na mensagem que escreveu, o Papa Francisco diz querer  «propor três caminhos para a construção duma paz duradoura. Primeiro, o diálogo entre as gerações, como base para a realização de projetos compartilhados. Depois, a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento. E, por fim, o trabalho, para uma plena realização da dignidade humana. 

São três elementos imprescindíveis para tornar ‘possível a criação dum pacto social’, sem o qual se revela inconsistente todo o projeto de paz».

2. A paz é um dos grandes valores cristãos. Cristo foi anunciado como o Príncipe da Paz. Por ocasião do seu nascimento uma multidão do exército celeste louvava a Deus, dizendo: «glória a Deus nas alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade» (Lucas 2, 13-14). Ele mesmo quis deixar-nos a Sua paz: «Não se perturbe o vosso coração. (…) Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz: Eu não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize» (João 14,1.27).  Ressuscitado, saudava os discípulos dizendo «a paz esteja convosco» (Lucas 24, 36). «Vivei em paz uns com os outros» (Marcos 9, 50), recomendou. Proclamou a felicidade dos que fazem a paz (Mateus 5, 9).

Salientou, entretanto, que a sua paz é diferente da paz dos homens. Resulta da retidão, da justiça, da reconciliação, do respeito pela dignidade do outro e não do poder do mais forte. É fruto do amor e não do temor.

3. O cristão é chamado a ser construtor de paz. Para isso tem de saber eliminar as causas das guerras: o egoísmo, o orgulho, o desamor, o ódio, a mentira, a injustiça, a falta de perdão, o domínio do ter sobre o ser…

Tais causas nascem no coração dos homens. Pergunta Santiago: «De onde vêm as guerras e as lutas que há entre vós? Não vêm precisamente das vossas paixões que se servem dos vossos membros para fazer a guerra? Cobiçais, e nada tendes? Então, matais! Roeis-vos de inveja, e nada podeis conseguir? Então, lutais e guerriais-vos!» (Santiago 4, 1-2).

4. Para construirmos a paz e darmos paz necessitamos nós mesmos de viver em paz, o que nem sempre acontece. Lembro Miguel Torga («Diário» XVI. 1993, pag. 113): «não tenho paz, não dou paz, nem quero paz. Vivo desassossegado a desassossegar quem se aproxima de mim. E o pior é que as vítimas indefesas das minhas mortificações são aqueles que mais amo».

5. A construção da paz deve ser esforço de todos. Deve acontecer onde quer que as pessoas se encontrem: na família, nos meios de trabalho, na política, no desporto… 

Escreve o Papa: «Todos podem colaborar para construir um mundo mais pacífico partindo do próprio coração e das relações em família, passando pela sociedade e o meio ambiente, até chegar às relações entre os povos e entre os Estados».

«Aos governantes e a quantos têm responsabilidades políticas e sociais, aos pastores e aos animadores das comunidades eclesiais, bem como a todos os homens e mulheres de boa vontade, faço apelo para caminharmos, juntos, por estas três estradas: o diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho. Com coragem e criatividade. 

Oxalá sejam cada vez mais numerosas as pessoas que, sem fazer rumor, com humildade e tenacidade, se tornam dia a dia artesãs de paz».

6. Ser construtor de paz pode exigir a reconciliação com quem se está desavindo ou em relação a quem se alimentam ressentimentos. Recordo S. Mateus: «Se, ao apresentares a tua oferta sobre o altar, aí te lembrares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa aí a tua oferta diante do altar e vai reconciliar-te primeiro com o teu irmão» (5, 23-24).

Há que ser construtor de pontes e promotor de encontros.



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