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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (88) – A Imagem Peregrina no Arquipélago dos Açores

29 Dez 2021
Salvador de Sousa

Os portugueses chegaram aos Açores no princípio do séc. XV, não havendo datas precisas da chegada dos nossos navegadores, mas crê-se que S. Miguel e Santa Maria foram as primeiras ilhas a serem avistadas, no ano de 1427, pelo navegador Diogo de Silves.

Passados alguns anos, no dia 15 de agosto de 1432, data que marca a festa da Assunção de Nossa Senhora, o português Gonçalo Velho Cabral com a sua tripulação desembarcaram na ilha a que chamaram de Santa Maria, homenageando a Virgem Nossa Senhora. A terceira ilha a ser descoberta, inicialmente conhecida por Ilha de Jesus Cristo, passou a denominar-se a Terceira, devido à ordem da chegada dos portugueses. A colonização foi avançando e, ao mesmo tempo, novos terrenos, cercados pelo mar, se avistaram até à formação atual do Arquipélago.

A devoção a Maria levada de Portugal pelos nossos navegadores e colonos marcou para a posteridade o grande amor à Mãe de Deus que ainda hoje permanece nos corações dos açorianos. Essa prova foi demonstrada, vivamente, quando a Imagem Peregrina visitou, em 1948, tantos séculos depois, estas abençoadas terras cercadas pelo Atlântico. Antes um mês, como prova de gratidão, representantes da população enviaram para a Cova da Iria as mais formosas flores dos seus jardins.

No dia 12 de junho de 1948, no princípio da manhã, o avião parte do aeroporto de Lisboa em direção à Ilha Terceira, onde, à chegada, um “mar de gente” esperava Nossa Senhora de Fátima, aclamando-A com cânticos, orações,… gritando, chorando de alegria.

À saída do avião, encontrava-se o Prelado de Angra rodeado de um grande número de outros elementos do clero, das autoridades civis e militares que depuseram aos pés da Virgem belos ramos de flores brancas.

A Imagem, retirada do avião pelo Comandante e pelos Oficiais Superiores, foi colocada numa viatura/andor, seguindo para a Catedral da cidade de Angra que dista do aeroporto cerca de 30 Km. O percurso demorou seis horas, com paragens e marcha lenta para satisfazer os desejos de milhares de fiéis, homens, mulheres e crianças, que se ajoelhavam com as suas mãos erguidas como que extasiados com a presença da tão divinal visita. Tudo revelava emoção e entrega à Virgem de Fátima desde as varandas engalanadas com as mais variadas colchas regionais, ruas enfeitadas com arcos de verdura entremeada com o contraste das pétalas que oscilavam, mostrando a policromia dos seus tons maravilhosos. Ao passar o cortejo em frente à cadeia, podia ler-se num grande dístico: «Mãe de Misericórdia». Os reclusos tiveram autorização de saírem livremente para a rua, havendo apenas um que não aceitou esse privilégio. No final, todos compareceram novamente na prisão.

A chave simbólica da cidade foi colocada, logo à entrada, aos pés da Imagem Peregrina, passando a Ilha denominada de Jesus Cristo a ser chamada também a Ilha da Mãe de Deus.

Na visita às freguesias da Terceira, continuou-se a sentir a exaltação a tão honrosa visitante. Realçam-se as afirmações de um velhinho quando a procissão passava em frente à sua casa rústica: «Bendito seja Deus! O que os meus olhos haviam de ver!» A seguir outro até esse momento descrente, exclamou: «Eu creio que esta terra passou por um milagre coletivo. Saiba cada qual sentir, aproveitar os dons do grande milagre de Fátima, operado em Angra.»

A imagem visitou todas as ilhas dos Açores e, escusado será dizer, que o ambiente de fé fez-se sentir em todo o lado, vivendo-se momentos enigmáticos relatados neste 3º volume “Fátima Altar do Mundo” por quem acompanhou estas viagens, o Cónego Carlos de Azevedo. Vou terminar com um relato de uma senhora miraculada, Jacinta dos Santos Pacheco, de Rabo de Peixe que estava paralítica há mais de 20 anos, sendo transportada numa carroça até à Ribeira Grande. À passagem da Imagem não se atreveu a pedir a sua cura a Nossa Senhora, mas que os outros não pudessem padecer do seu mal. De repente, começa a caminhar aos olhos de todos os presentes.

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra…



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