Espaço do Diário do Minho

Vida difícil a de treinador

10 Dez 2021
Luís Covas

Frequentemente os treinadores costumam afirmar que quando as equipas ganham são os jogadores os obreiros da vitória, mas quando perdem invertem o discurso e assumem a responsabilidade da derrota. Os êxitos e os fracassos medem-se pelos resultados, ainda que ganhar nem sempre signifique trabalhar bem. As variáveis que caracterizam as modalidades coletivas têm situações incontroláveis e não é a mesma coisa treinar uma equipa profissional ou amadora, escolinhas, formação ou seniores.

Ainda que alcançáveis, estabelecem-se sempre objetivos mais ambiciosos que os pretendidos, a experiência diz-nos que quando se pede mais do que aquilo que se espera, evita-se o relaxamento e o conformismo.

Competir é saudável, mantém-nos alerta e ajuda a nossa valorização.

O compromisso com qualquer modalidade e com os clubes é tão intenso que muitas vezes nos esquecemos que há mais vida para além de um jogo. E no caso de sermos técnicos de uma qualquer modalidade amadora a nossa paixão leva-nos algumas vezes a situações de conflito com a própria família,” porque treinas tanto, não vale a pena, pagam-te mal (quando te pagam), nunca te vejo, nem vamos de férias”, questões que os treinadores são frequentemente sujeitos.

Nos clubes, os treinadores também enfrentam alguns problemas visto que nem sempre as prioridades dos dirigentes, até dos associados e simpatizantes estão em sintonia com a vontade dos treinadores.

O treinador é um homem só, para além da luta que trava para concretizar as suas ideias e alcançar os objetivos propostos estará sempre sujeito aos comentários de quem se julga com direito a comentar tudo o que não sabe ou pensa que sabe.

Recentemente tive conhecimento de uma história passada na cidade de Chaves quando Luís Castro assumiu o clube daquela cidade, na segunda liga e ao fim de cinco jornadas o clube tinha apenas conseguido um ponto. Então na 6ª jornada o CD Chaves jogava no seu estádio e quando o treinador se dirigia para o banco ouviu, alto e bom som, de um associado postado na bancada, atrás do banco de suplentes: – “Vai-te embora.., vai-te embora.., rua!..” Acontece que o clube conseguiu realizar uma excelente época e no final da mesma o treinador acabou mesmo por deixar o clube transmontano e ter ingressado noutro emblema. Engraçado foi constatar que quando esse clube foi jogar a Chaves, na época seguinte, esse mesmo associado proliferava para Luís Castro – “Traidor.., Traidor!.. Foste-te embora!..” Creio que está tudo dito!..

Outro caso aconteceu nestes últimos dias com Jorge Jesus, no SL Benfica, quando na passada 6ª feira viu um manto de lenços brancos no derby com o SC Portugal, e na 4ª feira frente ao Dynano Kiev, ouviu um enorme coro de assobios quando foi anunciado o seu nome na constituição da equipa, mas no final tudo estava calmo visto que o SL Benfica ganhou e conseguiu a passagem aos oitavos de final da Champions League. O desporto é uma paixão e por vezes, o coração ultrapassa a razão!.. Poderá haver muitas outras razões para que tudo isto aconteça mas é imperioso analisar calmamente as situações e pensar que tudo é superável.

Vida difícil a de treinador!



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