Espaço do Diário do Minho

Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (85) – A Imagem Peregrina vai a Luxemburgo e regressa a Portugal

10 Nov 2021
Salvador de Sousa

Luxemburgo acolheu a Virgem Peregrina durante 18 dias, percorrendo todos os recantos do “pequeno e nobre Ducado” de dia e parte da noite sempre com milhares de fervorosos e amantes de Nossa Senhora de Fátima que, na década de 40, já tinha impregnado a Sua Mensagem no coração dos povos, praticamente, de todo o mundo.

A Imagem foi recebida, na fronteira, pelo Prelado que foi ao Seu encontro com passos lentos e com o apoio da bengala que usava devido à sua dificuldade de locomoção, num estado fragilizado e quase inválido, mas não quis faltar, querendo agradecer e saudar a Senhora com simples palavras, não se cansando de Lhe dizer: «obrigado, obrigado, obrigado.» Com este gesto, comoveu a multidão presente, despertando, ainda mais, a fé e o amor a Nossa Senhora.

Foram momentos, segundo o relator da peregrinação, Cónego Carlos de Azevedo, inesquecíveis pelo encanto e da beleza dos locais por onde se passava, mas, sobretudo, pelos ambientes, pela simbiose de cânticos, de orações, de gestos e de tantas outras exteriorizações de fé e de entrega àquele símbolo repleto de sobrenaturalidade. Num dos distritos do Norte, na altura, com cerca de “18.000 habitantes, 15.000 tomaram parte das procissões”. Vejam a grandeza destes atos carregados de uma força que se pode chamar de Divinal pela atmosfera rodeada e impregnada de um ar oxigenado com a brisa celestial.

Havia cidades desertas, tudo fechado para as gentes locais poderem deslocar-se ao encontro da Senhora. Passou-se, por exemplo, em Troisvierges, o nome o indica (três virgens), em que toda a população se ausentou para estar perto da Imagem Peregrina de Portugal, carregada de simbolismo que parecia divinizar todos os locais por onde passava. Deus revelava-se e, com certeza, ainda se revela naquela Imagem e noutras tão prodigiosas da Cova da Iria.

Tudo era surpreendente com missas à meia-noite com os recintos e Igrejas apinhadas de gente; foram contabilizadas mais de 100.000 Comunhões numa população, na altura, de pouco mais de duzentos e cinquenta mil habitantes, incluindo as crianças e os não católicos, mas um dos momentos mais dignos de relevo foi quando a peregrinação passava pela margem do Our, um pequeno rio que limita Luxemburgo da Alemanha, avistando-se na outra margem milhares de alemães acompanhando a procissão, a rezar, a cantar e com as mãos voltadas para a outra margem bendizendo e louvando a Virgem Maria, suplicando-Lhe: «Virgem da Fátima, vinde até nós.»

Na despedida, na fronteira, lá estava novamente o prelado quase sem forças, abatido, mas entusiasmado por estar junto da Imagem que percorreu e que trouxe a interiorização da mensagem revelada aos pastorinhos às gentes Luxemburguesas. Entre uma enorme comoção dos peregrinos, o Prelado exclamou: «Tu vais, mas a Tua boa lembrança fica entre o nosso povo. Guarda também na Tua boa lembrança este povo que tanto Te quer. Até à volta, ó Mãe e Rainha! Fica com as Tuas graças! Até à vista, se não neste mundo, ao menos no Céu!

O navio-motor “Ribeira Grande” da Companhia Carregadores Açorianos, “acabado de construir na Holanda”, transportou a Imagem de Nossa Senhora de Fátima desde Antuérpia até à doca de Leixões, chegando no dia 2 de março de 1948, sendo recebida, como não podia deixar de ser, com muito entusiasmo pelas gentes do Porto, “Ínclita cidade da Virgem,” vindo ao Seu encontro inúmeras embarcações de Matosinhos engalanadas, saudando-A “com silvos estridentes”, enquanto a Imagem saía do navio-motor aos ombros do Comandante e Oficiais.

O Presidente da Câmara, Dr. Luís de Pina, saudou, à porta do Município a Virgem Peregrina que voltou ao Seu país, passando pelas terras portuenses, pedindo e bendizendo: «E mil vezes bendita sejais Senhora de Fátima e mil vezes obrigado por teres salvado Portugal do sangue, das dores e das lágrimas da guerra que dessangrou tanto o mundo. Ave-Maria cheia de graça, Mater Admirabilis!

Regressou à Cova da Iria a “Veneranda Imagem” para, logo a seguir, percorrer outros continentes.

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História…



Mais de Salvador de Sousa

Salvador de Sousa - 22 Jul 2022

São grandes as marcas deixadas pela Imagem Peregrina ao longo do mundo e dos tempos. Factos presenciados e relatados por uma pessoa fidedigna que, nessas peregrinações aqui assinaladas, percorreu com Ela várias partes do globo. Foi o Cónego Carlos Azevedo que nos deixou um valioso testemunho, escrevendo tudo o que viu e ouviu nesta grande […]

Salvador de Sousa - 8 Jul 2022

Logo ao amanhecer, no dia 28 de outubro de 1950, a Imagem Peregrina sai de Lisboa, passando por Roma, em direção às terras longínquas da Ásia e da Oceânia, permanecendo na capital Papal até ao dia 2 de novembro onde, no dia anterior, foi definido o Dogma da Assunção. Nossa Senhora foi acolhida num convento […]

Salvador de Sousa - 27 Jun 2022

Foi com profunda tristeza que soube do falecimento do P. Manuel da Costa Saraiva, que ocorreu no dia 11 de junho do ano em curso, sendo o seu funeral no dia 13 de junho, às 18 horas, em São Jorge, terra do seu berço. O Padre Manuel Saraiva, além do curso Teológico, quis aprofundar o […]


Scroll Up