Fotografia: DR

Famílias convidadas a terminarem férias em fim de semana de brincadeira com as palavras 

Festival “Têpluquê” tem ponto alto no Mosteiro de Tibães.

Luísa Teresa Ribeiro
10 Set 2021

A terceira edição do “Têpluquê” tem num convite para as famílias: despedirem-se das férias e prepararem-se para o início do ano letivo a brincarem com as palavras, em conjunto com escritores, contadores, cantautores, músicos ou ilustradores. Este vai ser o ponto alto do festival, com um programa de luxo, que decorre durante este fim de semana, no Mosteiro de Tibães.

Com o nome “emprestado” pelo livro para a infância de Manuel António Pina “Têpluquê”, o Festival da Palavra é organizado pela Câmara de Braga, com a curadoria de Pedro Seromenho e Adélia Carvalho, sendo a produção da Livraria Papa-Livros.

O curador do festival, Pedro Seromenho, explica que por causa da pandemia o programa foi pensado para ter uma iniciativa por mês, até ao fim do ano, em vez de concentrar as atividades em dias seguidos. O objetivo é, com esta abordagem, «criar e fidelizar novos públicos para literatura e a palavra, através do contacto com os autores».

Nas duas edições já realizadas neste modelo, as pessoas foram perdendo os receios de voltarem às tertúlias e horas do conto, tendo esgotado as inscrições em todas as atividades previstas. «Acreditamos que nesta terceira edição já temos um público criado, mas esperamos novos participantes», refere o organizador.

Depois da ausência em agosto, o “Têpluquê” regressa em setembro com um programa recheado, apresentando-se como o ponto alto do festival, com nomes sonantes como Capicua, Mafalda Veiga, Ondjaki, Ana Margarida Carvalho ou Valério Romão.

«Queremos que, para as famílias, este fim de semana seja uma despedida das férias e uma pré-entrada no ano letivo a brincar com as palavras», afirma ao Diário do Minho, revelando a expetativa de contar com a participação de centenas de pessoas de várias idades.

 

Este responsável destaca que o programa foi desenhado para ir ao encontro dos gostos de diferentes faixas etárias, de forma a que a participação se torne interessante tanto para as crianças como para os adultos. 

Por isso, explica, «há conversas com Valério Romão ou com Jorge Marmelo mais direcionadas para os adultos, mas também atividades mais atrativas para as crianças, como a contadora Kiara Terra ou as peças do Tin.bra – Academia de Teatro e  Malad’Arte. Nos consultórios literários também há essa preocupação, para que não sejam só as crianças a divertirem-se».

O programa prevê palavras musicais pelas cantautoras Capicua e Mafalda Veiga; horas do conto com Estefânia Surreira, Inácia Cruz, Kiara Terra, Saphir Cristal; teatro com Malad’Arte e Tin.bra – Academia de Teatro; oficinas com Simão Bolivar e Saphir Cristal; dança com Hop Dance Studio; música com Hop Dance Studio; Orquestra de Cordofones Tradicionais do Minho; Dueto Gonçalo Pires e Rafaela Oliveira e Banda de Cabreiros.

Em matéria de exposições, em “Cinco Personagens, Cinco Histórias”, com curadoria de Adélia Carvalho, Sofia Santos centra-se em “Alice No País das Maravilhas”, Sérgio Condeço em “Tom Sawyer”, Evelina Oliveira em “O Livro da Selva”, Gonçalo Viana em “O Feiticeiro de Oz” e Cátia Vidinhas em “Peter Pan”.

Por seu turno, Ondjaki, Adélia Carvalho e Evelina Oliveira são responsáveis pela exposição de texto e ilustração “Todos os caminhos vão dar a casa?”. No âmbito da iniciativa “Residência literária para 2 escritores e uma ilustradora”, a  elaboração desta instalação artística vai poder ser acompanhada, hoje, através do Instagram, abrindo o “apetite” para o que os visitantes vão poder encontrar amanhã e domingo.

Destaque também para o “Mini Porto Belo”, um mercadinho em que as crianças podem levar livros, brinquedos, jogos, roupas e até talentos dos pequenos empreendedores para trocas, vendas e partilhas. O formulário de inscrição nesta iniciativa pode ser encontrado aqui.

O festival não prevê reservas prévias das atividades. Na entrada do Mosteiro de Tibães, as famílias vão encontrar um ponto de informação onde lhes vai ser dado um mapa com as iniciativas, podendo aí fazer escolher o que querem fazer e formalizar as inscrições. O programa completo pode ser consultado aqui.

 

Consultórios literários são imagem de marca

Pedro Seromenho considera que os consultórios literários já são uma imagem de marca do “Têpluquê”, uma vez que estas conversas com autores, à volta de uma mesa, contribuem para a desmistificação da figura autoral. Aproveitando estes “consultórios”, «cada um pode privar com um autor e escrever uma história sobre si», explica ao Diário do Minho.

Nestes consultórios, vários autores, distribuídos por várias mesas, vão «estar a postos para atender quem estiver com insuficiência de palavras certas». «Cartas, retratos, declarações, reclamações, poções, receitas e até explicações esfarrapadas, mas sempre literárias, são as receitas que os nossos especialistas na arte de bem escrever prometem passar a quem os quiser consultar», referem os promotores.

«É um modelo muito interessante, que tem resultado muito bem ao longo das edições e que vai certamente ficar ligado ao festival», afirma Pedro Seromenho.

Os consultórios literários contam com a presença de Adélia Carvalho, Ana Margarida Carvalho, Manuel Jorge Marmelo, Manuela Costa Ribeiro, Ondjaki, Pedro Seromenho, Raquel Patriarca, Sandro William Junqueira e Valério Romão.

 

Programação até ao fim do ano já a pensar em 2022

O “Têpluquê” vai decorrer até ao fim do ano, devendo a edição de outubro decorrer no Museu dos Biscainhos; a de novembro na Avenida, coincidindo com o final do “Braga em Risco” – Encontro de Ilustração; e a de dezembro no Mercado Municipal, aproveitando a coincidência com o Dia de S. Geraldo.

«O festival tem tudo para crescer aos longo das edições. Para o ano vamos ter um público fantástico», perspetiva o curador, Pedro Seromenho.

Este responsável diz que nas duas edições do festival as pessoas manifestaram a alegria por poderem voltar às atividades culturais, embora com medidas de segurança por causa da pandemia. 

«Os participantes comentavam a felicidade que sentiam pelo reencontro com as histórias e o imaginário, pelo regresso a esse encantamento que tanta falta faz», afirma.





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