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Estudantes do Politécnico de Viana escrevem cartas com afetos a idosos

Missivas ajudam 71 idosos a superar dificuldades da pandemia

R. de L.
27 Jul 2021

Uma carta escrita com afetos pode fazer muita diferença nos dias de pandemia de largas dezenas de idosos institucionalizados. Mais ainda quando é escrita por jovens estudantes, com um selo e envelope personalizados para cada idoso. «Uma ideia fantástica», asseguram os destinatários que, ao longo do último ano, receberam muitas páginas escritas por um grupo de estudantes do Instituto Polítécnico de Viana do Castelo (IPVC).

Aquela ideia foi posta em prática por 27 estudantes da licenciatura em Educação Social Gerontológica e do mestrado em Gerontologia Social, da Escola Superior de Educação do IPVC. A iniciativa “Letras com Afeto” surgiu no âmbito do projeto “Janelas ConVida”, com o objetivo de trocar experiências intergeracionais e estimular as competências cognitivas e emocionais dos mais idosos. Depressa as cartas com afetos depressa tocaram no coração de quem escreveu e leu as cartas que contavam histórias de vida. Por isso, agora, estudantes e idosos esperam continuar a escrever “Letras com Afeto” e, quando a pandemia deixar, todos querem conhecer-se pessoalmente.

Sem a possibilidade de estagiar em tempos de pandemia, Joana Martins foi uma das alunas que trocou cartas com três idosos institucionalizados. «Tenho 20 anos e nunca tinha escrito uma carta e, por isso, foi muito especial, foi diferente, foi algo muito pessoal e íntimo», confidenciou, garantindo que a iniciativa também a ajudou a desenvolver competências. Agora que vai ingressar no mestrado, mas gostava de ter a possibilidade de continuar a abraçar o projeto. Inês Fernandes também adorou a experiência. «Foi algo novo para todos, nunca nos tínhamos lembrado de enviar cartas e adorei receber as cartas e conhecer as pessoas mais idosas», contou a aluna, deixando o apelo para a iniciativa continuar.

Daniela Rocha, que também terminou agora o 3.º ano da licenciatura de Educação Social Gerontológica, aproveitou para «descobrir um bocadinho da história de vida das pessoas e perceber como é que elas estão a enfrentar esta fase de pandemia». E ler na primeira pessoa «foi algo diferente», permitindo perceber que os idosos com quem se correspondeu têm perspetivas diferentes em relação à pandemia.

Todos os dias, ao longo do último ano letivo, à espera da chegada do carteiro, estiveram 71 utentes de cinco instituições. Jorge Ferreira que recebia muitas cartas de namoradas quando era mais novo, hoje, com 89 anos, já não se lembrava de ler uma carta e muito menos de retribuir. «Para quem aprecia ter uma boa conversa, e como estamos confinados há muito tempo, sabe sempre bem receber uma carta e responder», revelou o utente do Centro Paroquial de Promoção Social e Cultural de Darque, agradecendo à jovem que lhe escreveu. Também João Sousa, de 72 anos, utente daquela instituição vianense, tinha acabado de receber uma carta e estava «sempre ansioso» por responder.

Eusébia Correira tem 83 anos e também participou na «excelente» iniciativa. «É sinal de que alguém se lembra de nós, de que não fomos esquecidos», aplaudiu a utente da Casa do Areal, em Braga. A passar por uma fase «muito complicada e até desconfortável», Leonilde Martins, confessou que receber a carta da estudante da ESE-IPVC «foi uma terapia e um bálsamo». A carta «chegou na hora certa» e Leonilde fez questão de felicitar a jovem pela escolha do curso.

Inicialmente, explicou Carla Faria, uma das docentes envolvidas na iniciativa, «não estava para haver retorno», até porque alguns idosos não sabem ler e escrever, mas todos fizeram questão de o fazer, muitas vezes com ajuda dos auxiliares. Por isso, a iniciativa «tem tudo para se manter, tendo em conta os benefícios enormes que traz para todos».





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