Fotografia: DM

Fafe quer Festa da Senhora de Antime na lista do património cultural imaterial

Câmara inicia processo com vista ao Património da UNESCO

R. de L.
10 Jul 2021

A Câmara Municipal de Fafe quer ver as Festas de Nossa Senhora de Antime inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O processo foi, ontem, colocado em marcha e deve estar pronto em 2022. Depois, espera-se que permita uma candidatura de sucesso a património da UNESCO.

A origem da secular Festa em Honra de Nossa Senhora de Antime, em Fafe, perde-se no tempo, mas alguns registos asseguram que já se celebra desde o século IV, podendo estar associada a uma manifestação «mágico-simbólica ao sol». Certo é que, entre história e lenda, «esta é a festa maior, imensamente vivida e celebrada» no concelho. Por isso, a Câmara Municipal quer vê-la classificada como património cultural imaterial e aspira a um reconhecimento com o património da UNESCO.

«Estamos a iniciar um caminho de valorização e reconhecimento do que é nosso, de Fafe, que diz muito aos fafenses, naturalmente longo, mas que gostaríamos muito e desejamos possa acabar com a consagração na UNESCO», resumiu, ontem, o presidente da Câmara de Fafe, Raul Cunha, no interior da Igreja Paroquial de Antime, onde decorreu a apresentação daquele projeto. O autarca acrescentou que o processo agora colocado em marcha é «um passo indispensável» para que se possa ver oficialmente reconhecida, nacional e internacionalmente, «uma festa com séculos de tradição, vivida e sentida atualmente de forma muito intensa e especial por toda a comunidade».

Com efeito, a Festa em Honra de Nossa Senhora de Antime encerra uma das maiores e mais expressivas tradições do Minho, mas com particularidades únicas, que anualmente atraem uma multidão de milhares de fiéis à procissão ou à ponte onde se encontram as imagens de Nossa Senhora da Misericórdia de Antime e Nossa Senhora das Dores, que vem de Fafe. «O que temos aqui é uma relíquia, uma verdadeira preciosidade», qualificou o Arcipreste de Fafe, padre José António Carneiro, referindo-se às caraterísticas únicas da imagem religiosa, acrescentando que «o imenso valor emocional em redor da festa já existe, mas agora podemos acrescentar-lhe ainda mais valor cultural e patrimonial».

Assim, o processo da candidatura da Festa em Honra de Nossa Senhora de Antime a Património Cultural Imaterial do Instituto Nacional do Património Cultural será coordenado pelo professor e investigador Jean-Yves Durand, auxiliar na secção de Antropologia da Universidade do Minho, envolvendo um conjunto de levantamentos históricos e documentais, bem como entrevistas e procedimentos borucráticos. «É sempre um processo longo e complexo», advertiu o especialista também autor do estudo antropológico que suportou a candidatura das Festas Nicolinas, de Guimarães, devendo a primeira fase estar concluída em 2022.

O projeto tem também financiamento assegurado por fundos comunitários, ao abrigo de uma candidatura de valorização da região do Minho, suportada pelo PROVERE. Se tudo correr bem, «o segundo Natal dos fafenses», uma festa «imensamente sentida e vivida» por todo o concelho será integrada na lista nacional de património cultural imaterial, permitindo depois aspirar à lista da UNESCO. Até lá, «como fervoroso devoto da Senhora e da tradição, de coração cheio de alegria, vou rezar e pedir muito pelo sucesso de toda esta candidatura», assegurou o pároco de Antime, Alfredo Saleiro.





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