Fotografia: DM

Guimarães sem feira medieval perde milhões no comércio e restauração

Município investia 200 mil euros anuais no evento anual travado pela pandemia

R. de L.
20 Jun 2021

Guimarães não realiza pelo segundo ano consecutivo a Feira Afonsina, considerada uma das melhores feiras medievais do país. O tempo de pandemia impede a realização tradicional do evento e retirou das ruas da cidade berço milhares de visitantes, gerando perdas milionárias no comércio, restauração, serviços e até em muitas instituições locais associadas à festa.

As contas da não realização da Feira Afonsina em Guimarães durante dois anos consecutivos não estão feitas, mas a vereadora da Cultura não tem dúvidas que significam «uma enorme perda» para o comércio, restauração, serviços e associações culturais. Em declarações ao “DM”, Adelina Pinto arrisca que «estaremos a falar de milhões de euros de prejuízos».
«Muitas vezes associam-se apenas aos eventos culturais os atores principais da cultura, mas aqui não, porque isto tem uma abragência muito maior. Neste caso da Feira Afonsina, realmente para Guimarães esta não realização durante dois anos é uma perda muito grande em termos de economia, para o comércio, para a restauração, para tudo», sublinha a vereadora da Cultura do Município. Adelina Pinto contabiliza que a autarquia investia anualmente cerca de 200 mil euros na realização, por estes dias, daquela que é considerada uma das melhores feiras medievais do país, ocupando praças do centro histórico e os espaços em redor do Castelo e Paço dos Duques de Bragança, perdendo-se com a não realização esta «injeção» na economia local, em contratos com associações, artistas, espetáculos e decoração da cidade, entre outros conteúdos. Mas este investimento gera muito mais receitas e dinâmicas económicas que fatal e inevitavelmente se perdem sem a Feira Afonsina nas ruas.
«Apenas com a sua participação nas barraquinhas da gastronomia, existiam muitas instituições e associações que praticamente ficavam com o seu ano financeiro resolvido apenas com a receita que conseguiam nesses dias da feira», observa a autarca, mas acrescentando que esta é apenas «uma pequeníssima parte» dos prejuízos acumulados. A adesão massiva dos agentes do comércio e restauração à feira medieval de Guimarães significa que o evento era muito lucrativo. Além disso, por esta altura do ano, a cidade tinha a sua oferta hoteleira praticamente esgotada, assim como atraia gente oriunda de todo o país para mercadejar, além das multidões de visitantes nacionais e estrangeiros.
As ramificações dos impactos económicos associados à ausência de realização da Feira Afonsina durante dois anos consecutivos são muitas e diversas, porque há ainda que somar todos os envolvidos nas recriações históricas, as largas dezenas de figurantes, os artistas e técnicos, sem esquecer as visitas a museus e outros espaços. «É muito difícil arriscar os números dos prejuízos, mas serão seguramente alguns milhões de euros, porque basta recordar os milhares de visitantes que estavam, almoçavam e jantavam ou viam espetáculos na cidade», suporta Adelina Pinto.
Depois de em 2020 a pandemia ter impedido qualquer tipo de evento, a Afonsina 2021 arrancou ontem oficialmente com a realização das II Jornadas Históricas, no Paço dos Duques de Bragança e Casa de Sarmento, juntando especialistas para falar sobre “o Papel da Mulher na Idade Média” e apresentando trabalhos científicos e académicos, de cariz nacional e internacional. Entre 24 e 27 deste mês, vai também acontecer a Exposição Retrospetiva das edições 2011 a 2019 da Feira Afonsina, em formatos fotográficos e multimédia, no Monte Latito, nas imediações do Castelo de Guimarães.
Mas, em boa e dolorosa verdade, aquelas evocações «são uma metáfora» da riqueza que o evento emprestava à cidade por estes dias.





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