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Administrador de insolvência quer Coelima vendida até final do mês

Proposta aos credores será apresentada amanhã em Tribunal

R. de L.
17 Jun 2021

Os credores da empresa têxtil Coelima reúnem-se, amanhã, sexta-feira, no Juízo de Comércio de Guimarães para decidir o futuro da empresa. Mas o administrador de insolvência quer assegurar um negócio até final do mês, com salvaguarda de património e direitos dos trabalhadores.

O administrador de insolvência da Coelima, Pedro Pidwell, pediu aos interessados na compra da histórica empresa têxtil de Pevidém «propostas concretas de aquisição» para serem avaliadas na Assembleia de Credores desta sexta-feira. No relatório que elaborou e a que o “DM” teve acesso, o jurista quer «concretizar a venda antecipada de bens», garantindo a manutenção da laboração, o próprio estabelecimento, evitando deteriorações e depreciações resultantes do encerramento.

A intenção do administrador de insolvência da Coelima, vertida naquele relatório, e que será votada pelos credores esta sexta-feira é clara: «a intenção da massa é conseguir assegurar as condições para que o negócio fique “alinhavado” antes do dia 30 de junho, com a transferência do remanescente dos encargos operacionais para o comprador do estabelecimento». Tudo porque, suporta, nesta altura a massa falida «não tem meios de tesouraria para assegurar a totalidade dos encargos operacionais e fiscais de junho/21, e, nessa medida, se não for possível conseguir articular este ‘timing’ (de aproximadamente 15 dias úteis), o desfecho inexorável será o encerramento da empresa e consequente despedimento dos trabalhadores», alerta.

Dito de outra forma, Pedro Pidwell não quer ver em cima da mesa um plano de insolvência, mas antes «a venda do estabelecimento enquanto universalidade de bens e direitos, onde se incluem, naturalmente os contratos de trabalho e os direitos de propriedade industrial e o nome Coelima», aponta no relatório.

Ainda que admitindo que «seja virtualmente impossível formalizar um negócio desta dimensão e complexidade até ao dia 30/06», o administrador de insolvência espera «que o assunto fique resolvido ou, pelo menos, muito bem encaminhado na sexta-feira», propondo que deva encontrar-se um instrumento que permita ao comprador «assumir a direção do negócio antes do fim de junho e que permita o pagamento das responsabilidades da massa insolvente», nomeadamente as laborais e fiscais. A proposta sugere, por exemplo, um arrendamento do estabelecimento, com opção de compra, além de uma assessoria jurídica especializada e multidisciplinar para acompanhar as negociações e validar as soluções que vierem a ser encontradas para a formalização do negócio de venda.

O Juízo de Comércio do Tribunal Judicial de Guimarães vai receber, amanhã, a partir das 10h00, os titulares de créditos superiores a 10 mil euros da empresa Coelima para apreciarem o relatório do administrador de insolvência da empresa têxtil e as três propostas de compra em cima da mesa. Recorde-se que a apresentação à insolvência da Coelima despertou, no Vale do Ave, o interesse de pelo menos três candidatos à compra e recuperação da centenária fabricante de têxteis lar: os consórcios RTL/José Fontão, a Felpinter/Mundotêxtil e a Mabera. Todas as propostas têm em comum a intenção de manter viva a empresa e a marca Coelima, empresa centenária, histórica e que alberga mais de 250 famílias através dos seus trabalhadores.





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