Espaço do Diário do Minho

Porquê o silêncio? Já há paz em Cabo Delgado?

4 Jun 2021
Guilherme Martins Andeni

Tudo parece estar tranquilo. E é assim que pensa, ou que prefere comodamente pensar, a maioria das pessoas.

Quando ninguém fala, quando nada é noticiado nos meios de comunicação, será isto sinal de que tudo está tranquilo? Se aqueles que estão mais próximos dos conflitos e que, portanto, sentem a crueldade, nada dizem, o que poderão pensar aqueles que estão distantes dos conflitos? Que os conflitos não existem?

Não, nada disto é verdade! Cabo Delgado continua a viver a mesma onda de violência desde há cinco anos. Dia após dia, ininterruptamente, vive-se num autêntico cenário de guerra, com todos os horrores que ela traz: sofrimento, morte, devastação total. Como diz Alexander Chase, “Um acontecimento chocante deixa de o ser quando acontece diariamente”. E é isto que, infelizmente, se tem verificado.

E o silêncio continua. Vivemos tempos em que a democracia e os direitos humanos são constantemente ameaçados pelo silêncio daqueles que têm responsabilidades na resolução destes conflitos. É um silêncio escandaloso! É um silêncio cúmplice! Cabo Delgado necessita que se quebre este silêncio e que se conheçam verdadeiramente os factos!

Ouvimos muitas vezes dizer que o silêncio fala, e que é no silêncio que se dialoga e se resolvem os problemas. Contudo, quando estamos perante tamanha violação dos direitos humanos, quando estamos em guerra, nada disto se resolve com o silêncio, mas sim com um grito de revolta, com a denúncia de todas as atrocidades que são cometidas em Cabo Delgado.

É chegado o momento de olharmos o outro e de tomarmos consciência de todo o sofrimento a que este povo tem sido submetido. É chegado o tempo de nos preocuparmos verdadeiramente com esta situação, não de apenas a imaginarmos, mas de a sentirmos verdadeira e conscientemente. Afinal, o que nos reserva o futuro? A guerra, o terrorismo, a desumanização? Afirmar que há paz em Cabo Delgado é uma utopia.

Apelo a todas as entidades responsáveis, a todos os governantes, a todos os meios de comunicação que façam o seu papel, que libertem este povo deste sofrimento, que os deixem ser felizes, que deixem as suas crianças crescer em paz, e deixem também os jovens conquistarem o seu futuro na tranquilidade.



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