Fotografia: Avelino Lima

Subida de casos oncológicos deve ser acompanhada por mais «apoios especiais»

A presidente da delegação de Braga da Liga Portuguesa Contra o Cancro está apreensiva com o futuro.

Rita Cunha
30 Mai 2021

São cada vez mais os doentes oncológicos que pedem apoio à delegação de Braga da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e numa fase mais tardia. Uma das consequências da pandemia de covid-19 que deixou o Serviço Nacional de Saúde quase que a “meio gás” e que, segundo a presidente Fátima Soeiro, exigirá «cada vez mais apoios especiais».

A responsável, que falava hoje à margem de 2.ª edição da Corrida para a Vida, deu nota que o número de casos de cancro tem vindo a subir nos últimos tempos. A mama, os pulmões, o estômago e a próstata são as zonas mais afetadas. Para além do aumento dos casos, a ajuda é procurada cada vez mais tardiamente, o que se poderá dever à maior dificuldade em aceder a consultas, ao adiamento de rastreios ou até mesmo ao receio que muitas pessoas têm em deslocar-se a uma unidade de saúde em contaxto de pandemia.

«Temos casos de pessoas que nos procuram ainda na fase de pré-diagnóstico, quando começam a fazer exames e surge alguma ansiedade com o que pode vir, mas normalmente, na maior parte dos casos, surgem-nos já com um diagnóstico e o que temos reparado é que, ultimamente, os diagnósticos quando são feitos é já numa fase muito avançada. Normalmente quando nos procuram já têm cirurgia ou tratamentos agendados e necessitam de apoio psicológico para se conseguirem adaptar à doença», explicou Carla Ribeiro, psicóloga da delegação de Braga da LPCC.

De acordo com Fátima Soeiro, esta subida dos casos e a deteção em fase mais avançada da doença vai exigir a existência de apoios especiais a diversos níveis. «A pandemia arrasta exponencialmente as situações de cancro porque as pessoas ficaram com receio de ir aos hospitais e estes acabaram por priorizar a pandemia, não havendo cirurgias, rastreios ou tratamentos e isto vai gerar um aumento das situações. Temos de pensar que, num futuro muito próximo, vamos ter este impacto muito grande decorrente da pandemia. O diagnóstico não tem sido feito precocemente e, quando assim é, o problema agrava-se. Adivinham-se tempos difíceis», sublinhou Fátima Soeiro.





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