Fotografia: DR

Casos de melanoma avançado aumentaram no Hospital mas tratamentos nunca pararam

Rastreios foram mais tardios e doentes tinham medo de ir ao médico durante a pandemia

Carla Esteves
18 Mai 2021

Foi no início do Verão de 2021, quando o país ainda  combatia o primeiro ano de pandemia, que Eugénia Torres se apercebeu dos primeiros sinais de alerta. O sinal que tinha na perna estava visivelmente diferente: tinha aumentado de diâmetro e apresentava relevo e bordos irregulares. 

Daí até á primeira ida ao médico ainda decorreram uns dois meses, um período de negação, em que optara por verificar a  evolução da mancha, convencendo-se de que, afinal, poderia não passar de uma suspeita infundada.

Contudo, no momento em que tomou a decisão e foi observada pelo  médico, os compassos de espera acabaram, tendo sido efetuada, de imediato, uma excisão para análise, cujo diagnóstico não se fez esperar: melanoma.

O caso de Eugénia é muito mais comum do que se pensa, mas nem todos têm um desfecho tão feliz. Eugénia foi atempadamente diagnosticada e tratada e tem pela frente um horizonte livre de cancro da pele. Mas outros casos há em que a ida a médico peca por tardia e os consequentes diagnóstico e tratamento já não vão a tempo de evitar o pior.

Amanhã, dia 19 de maio, é tempo de assinalar o Dia do Euromelanoma, mas tal como em 2020, não haverá rastreios presenciais no Hospital de Braga, atendendo ao momento pandémico que ainda estamos a viver. 

Contudo, o Serviço de Dermatovenerologia do hospital bracarense não quis deixar de assinalar a data, com uma iniciativa para a imprensa, destinada a deixar o alerta e a salientar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

A diretora do Serviço, Celeste Brito, revelou que o Hospital de Braga ainda não possui números que comprovem se houve ou não um crescimento do número de cancros de pele no Hospital de Braga ao longo deste ano que findou.

«Porém, o que notámos foi que, em virtude da pandemia, os doentes chegaram cá mais tarde e temos índices de melanomas espessos e em estádios já muito adiantados, que já não estávamos habituados a ver», revelou a médica especialista.

Celeste Brito adianta que o problema não  se deve ao trabalho efetuado no Hospital de Braga , uma vez que o erviço esteve sempre em pleno funcionamento, mas ao que sucedeu a jusante, devido aos rastreios tardios e aos próprios doentes que adiaram as idas ao médico, por receio de contágio.

Os últimos números remetem para 2019, quando se registaram 22 melanomas no Hospital de Braga, número que revela os resultados de um vasto trabalho de prevenção e diagnóstico efetuado pela equipa. Entretanto, só daqui a algum tempo será possível aferir com rigor os dados resultantes deste período de pandemia.

Referindo-se em particular ao caso de Eugénia Torres, a especialista adianta que «felizmente o melanoma foi diagnosticado numa fase incial e seguiu-se a excisão, estando agora a seguir o protocolo habitual, ou seja, consultas de seis em seis meses, contando com a porta do serviço “sempre aberta” para qualquer eventualidade que possa surgir».

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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