Fotografia: DM

Pensamento de Sá de Miranda é «inspirador» e continua atual

Poeta e humanista alertava para a corrupção na época de Quinhentos.

Jorge Oliveira
5 Mai 2021

O diretor do Centro de Estudos Mirandinos disse hoje, em Amares, que o pensamento de Sá de Miranda, além de inspirador, continua «atualíssimo», pelo que «vale a pena» ler a sua «valiosa obra».

«O Sá de Miranda foi daqueles casos raros, talvez o único mesmo, em que para além da dimensão estética que está presente na sua obra – ele foi o reformador da nossa poesia mais de matriz medievalizante , por importação dos códigos clássicos- era também um chamado poeta filósofo, um poeta sábio. Há uma dimensão cívica muito importante na sua obra. Por exemplo, as reflexões que ele faz sobre as relações da justiça e do direito com o poder são de uma atualidade, feliz ou infelizmente, gritante», assinalou Sérgio Guimarães de Sousa.

O docente e investigador deixou esta ideia aquando da apresentação do livro “Francisco Sá de Miranda – Obra Completa”, um de volume de 680 páginas organizado pelo próprio Sérgio Guimarães de Sousa, por  João Paulo Braga, da Universidade Católica Portuguesa, e Luciana Braga, do Centro de Estudos Mirandinos.

Na sessão, realizada ao ar-livre, nos jardim da Casa da Tapada, em Fiscal,  onde o poeta e humanista viveu parte da sua vida e terá morrido, Sérgio Guimarães de Sousa disse que já na época de Quinhentos Sá de Miranda referia-se e alertava para o tema da corrupção no Poder.

«Ele era uma consciência moral naquela altura. Era uma pessoa muito valorizada pela sua verticalidade. A Carta que enviou a D. João III está pejada de referências à justiça, como é que um rei deve aplicar a boa justiça para não ser enliçado na corrupção, numa altura em que se iniciava a expansão ultramarina. Ele estava muito atento à cupidez, à ganância, e aconselhava o rei a fazer muito cuidado», disse.

A obra ontem apresentada, influenciada por outras edições, incluindo as primeiras, destina-se ao grande público e diferencia-se das demais porque os autores foram ao texto original e tentaram «respeitar ao máximo» a pontuação original para que Sá de Miranda seja lido, tanto quanto possível, como na época. Contém mais de duas mil notas de rodapé, das quais cerca de 90 por cento destinam-se a explicar vocábulos, expressões, sentenças, termos do século XVI.

A sessão de apresentação, no Dia Mundial da Língua Portuguesa, contou ainda com Cidália Abreu, vereadora da Câmara de Amares, Luciana Braga, co-organizadora da obra, e Catarina Soares, representante da Casa da Tapada.

Luciana Braga frisou que esta obra implicou um «trabalho muito árduo, exigente e rigoroso» e que só foi possível porque teve a orientação do professor Sérgio Guimarães Sousa.

Cidália Abreu, em representação do executivo municipal, lembrou que o vice-presidende, Isidro Araújo, articulou muito de perto com esta equipa na concretização desta obra que já está disponível nas prateleiras das livrarias.

A obra teve o apoio do Município de Amares e do Centro de Estudos Mirandinos, sediado na Biblioteca Municipal de Amares.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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