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Esta manhã, no Infarmed, em Lisboa, especialistas, membros do Governo e o Presidente da República reuniram para fazer uma avaliação da situação epidemiológica.

Pedro Vieira da Silva / Lusa
13 Abril 2021

Esta manhã, no Infarmed, em Lisboa, especialistas, membros do Governo e o Presidente da República reuniram para fazer uma avaliação da situação epidemiológica. Eis algumas das principais conclusões:

– As escolas devem ter um papel relevante na monitorização da pandemia de covid-19 em Portugal, defendeu hoje o epidemiologista Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, que alertou para o aumento da infeção nas crianças.

– “O risco de infeção está aumentado quer nas crianças, quer nos profissionais das escolas quando os contactos de risco ocorreram fora da comunidade escolar”, frisou, sem deixar de fazer uma ressalva: “As medidas de mitigação no ambiente escolar funcionam e favorecem a segurança das atividades letivas”.

– No entanto, Henrique Barros relativizou a tendência de crescimento da infeção entre os mais jovens, uma vez que mesmo com a subida de casos nestas idades “o ruído acaba por ser maior do que o sinal dado. Ao contrário do que se verifica nos funcionários, que são adultos, nas crianças a proporção de marcador de infeção é muito mais baixa”

– Citando o exemplo de duas escolas analisas, o especialista diz que a frequência de infecção por SARS-CoV-2 é semelhante em estudantes e profissionais, considerando que o risco de infecção aumenta quando os contactos ocorreram fora da comunidade escolar

– «O valor era de cerca de 13% – a probabilidade de uma criança infectar um ou dois dos seus colegas quando entra numa turma de 20. Depois as medidas de controlo fazem com que pare imediatamente a infecção»

Vacinação terá evitado até 140 mortes

– Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), destacou que Portugal aumentou também os seus índices de mobilidade, com o fim do confinamento, e está agora “no meio da tabela dos países com maior mobilidade da população”, além de se verificar um aumento dos contactos dos cidadãos com diferentes grupos etários.

Paralelamente, Baltazar Nunes chamou a atenção para o impacto da vacinação contra a covid-19 ao nível de óbitos e internamentos.

De facto, o especialista do INSA disse que a vacinação permitiu prevenir entre 78 e 140 mortes entre janeiro e abril, bem como uma redução de entre 3% e 5% de camas ocupadas em unidades de cuidados intensivos e entre 9% e 10% nos internamentos em enfermaria.

Ligeiro crescimento em Portugal no número de novos casos

– Portugal registou um “ligeiro crescimento” no número de novos casos, mais expressivo na faixa dos 0 aos 9 anos e com uma tendência de decréscimo nas pessoas com mais de 80 anos, segundo o investigador André Peralta Santos

– Na sua intervenção na sessão de apresentação sobre a “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal”, André Peralta Santos afirmou, com base num gráfico que mostra a incidência cumulativa a 14 dias, que Portugal está neste momento com “uma incidência moderada próxima dos 71 casos por 100 mil habitantes e com uma tendência ligeiramente crescente”.

– Analisando a dispersão geográfica da incidência, adiantou que há 22 concelhos com incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes que correspondem a 636 mil pessoas, 6,5% da população nacional.


Portugal pode atingir limiar de 120 casos dentro de duas semanas

– A pandemia de covid-19 regista uma “inversão da tendência” de descida em Portugal, que já tem um índice de transmissibilidade (R) de 1,05, podendo atingir os 120 casos por 100 mil habitantes dentro de “duas semanas a um mês”.

– A informação foi avançada pelo investigador Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), que assinalou a atual “fase de crescimento” da disseminação do vírus SARS-CoV-2 no país e adiantou que no dia 08 de abril, o último sobre o qual havia dados, o R atingiu já os 1,09, quando na anterior reunião do Infarmed (23 de março) o valor deste índice se situava em 0,89.


Variante da África do Sul causa «preocupação»

– A variante do vírus SARS-CoV-2 identificada na África do Sul está a gerar “alguma preocupação” pelo crescimento recente em Portugal, admitiu hoje o investigador João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

– “No que diz respeito à variante da África do Sul, temos até à data de hoje 53 casos confirmados. Temos de estar muito atentos ao controlo de fronteiras, não só ao nosso, mas ao dos outros, porque esta variante é preocupante. Há de facto alguma preocupação, um aumento de casos com algum significado”, frisou, sublinhando: “O que estamos a ver é a ponta do icebergue”.

– De acordo com o investigador do INSA, a variante da África do Sul era responsável por 0% dos casos de covid-19 em Portugal em janeiro e no mês de março teve um “crescimento significativo”, ao representar 2,5% dos casos.

Pessoas reúnem-se mais e sobe dificuldade em adoptar medidas

– Um inquérito da Escola Nacional de Saúde Pública revela um aumento do número de inquiridos que diz ter estado num grupo com mais de 10 pessoas e aponta maiores dificuldades na adoção de medidas de proteção contra a covid-19.

– “Em relação ao comportamento e como também já foi identificado noutras análises no último mês observa-se uma alteração de comportamentos nos quatro indicadores que nós temos mensurado”, disse a investigadora salientando que, entre 19 de março a 02 de abril, o número de pessoas que respondeu ter estado num grupo de 10 ou mais pessoas subiu de 4,9% para 7,5%.

– Para 33,3% dos inquiridos, foi também difícil ou muito difícil ficar em casa, mais 5,6% que na última quinzena.

– As pessoas também reportaram maior dificuldade de adoção de medidas de proteção contra a covid-19, com 41,5% dos inquiridos a dizer ser “difícil” ou “muito difícil” evitar visitar amigos e familiares, mais 7,1% relativamente à quinzena anterior.

– Carla Nunes destacou também o aumento de 7,7% das pessoas que afirma ter sido “difícil” ou “muito difícil” manter o teletrabalho, situando-se nos 42,4%.


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