Espaço do Diário do Minho

A grande ensinadeira

14 Jan 2021
Silva Araújo

1. Se me não engano, ouvi um dia, no então Estádio 28 de Maio, António Correia de Oliveira referir-se à Igreja como «a grande ensinadeira». Lembrei-me desta expressão ao ler o livro de Domingos Alves sobre «Colégios Privados em S. Vicente». Através das suas instituições e de pessoas com ela comprometidas a Igreja sempre tem sido uma grande mestra. No passado e no presente. Neste pormenor, quando, após a instrução primária, o ensino não era muito acessível a grande número de pessoas, os Seminários foram a grande escola para muita gente. Uma das razões porque, quando vim para o Seminário, éramos 168 alunos, só no primeiro ano.

2. Mas vamos ao livro de Domingos Alves.

Restringindo-se ao espaço geográfico da freguesia de S. Vicente, em Braga, historia diversas instituições de ensino privado, algumas das quais ainda se mantêm:

O Colégio de S. Geraldo, fundado em 1939 por iniciativa de António da Costa Lima e do P. Cândido Augusto da Rocha Vieira, que foi o diretor. Antes, em 1935, tinham fundado o Internato Anexo ao Liceu.

O edifício foi depois adquirido pela Congregação das Irmãs Adoradoras, Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade, que ali instalaram o Colégio/Lar de Nossa Senhora do Sameiro. Parte do espaço é hoje ocupado pelo Colégio Leonardo Da Vinci.

O Colégio D. Diogo de Sousa, que começou por funcionar na Rua Conselheiro Januário, em 1949, foi propriedade dos sócios Mário Augusto Fernandes Afonso, P. Joaquim António Alves, José Maria de Freitas, António Duarte Costa. Aquele sacerdote foi o primeiro diretor.

O Colégio do Espírito Santo, propriedade da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, foi fundado em 1877. Após a implantação da República o Estado nacionalizou-o e nele instalou em 1921-1922 o Liceu Sá de Miranda.

O Colégio de S. Tomás de Aquino, de que foi diretor e proprietário o P. Manuel Joaquim Peixoto Braga, foi fundado em 1896 na Rua Visconde de Pindela mas depois transferido para a Rua Conselheiro Januário.

O Colégio Dublin, fundado em Prado em 1910 e posteriormente transferido por Maria José Ogando para o que foi o Convento do Carmo.

3.Este é um de vários trabalhos de Domingos Alves relacionados com a freguesia de S. Vicente.

É, na minha opinião, um exemplo a seguir. Um dos temas escolhidos para teses de licenciatura, mestrado ou doutoramento poderia, muito bem, relacionar-se com a terra onde os autores nasceram ou vivem. É uma forma de dar a conhecer pessoas, instituições, tradições ou acontecimentos que outros desconhecem. É uma forma de prestar homenagem a quantos a engrandeceram e de fazer justiça ao esforço que lhe dedicaram. Uma forma de cada um dos conterrâneos conhecer melhor as suas raízes.

4. O livro de Domingos Alves é prefaciado por Viriato Capela, Professor Catedrático da Universidade do Minho. Um estudo que reforça a minha afirmação relativamente à grande mestra que tem sido a Igreja. Refere-se à História de Estudos Bracarense percorrendo sumariamente cinco etapas: das origens aos estudos humanísticos; dos estudos Colegiais «Universitários», das Ordens e do Seminário; dos Estudos da etapa do Liberalismo do século XIX até à República; do Estado Novo e Restauração Católica; o tempo das Reformas de Veiga Simão e abertura do ciclo democrático da Escola Pública.

Falta ainda, escreve, o grande estudo sobre o Colégio de S. Paulo, (século XVI a XVIII), verdadeira alma mater do Humanismo escolar bracarense. Foi o grande suporte do acesso à Universidade de Coimbra e Évora de muitos estudantes bracarenses que depois foram figuras das Artes, da Filosofia, da Teologia, de ambos os Direitos e que, mais tarde, suportaram as instituições bracarenses, o ensino, o foro civil e canónico da cidade, região e diocese e compuseram o seu corpo social mais ilustrado dos Letrados que deram especial tónus social e cultural à cidade.



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