Fotografia: Nuno Cerqueira

Aumento da temperatura vai “assar” a Península Ibérica

Ambiente.

Redação / NC
18 Nov 2020

As temperaturas da Península Ibérica vão aumentar de forma «muito preocupante» durante este século.

O alerta é de um estudo da Universidade de Aveiro (UA) que prevê até 2100 aumentos da temperatura média de 2 a 3 graus ao longo de todo o ano, o suficiente para causar graves impactos no meio ambiente e, por consequência, na saúde pública.

Em Portugal há mesmo regiões que poderão registar aumentos de 4 a 5 graus centígrados nas máximas diárias.

«As implicações poderão ser enormes», afirma o investigador David Carvalho, coordenador do estudo do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA..

Com base nos aumentos de temperatura detetados no estudo que coordenou, o cientista do Centro de
Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA antevê que «o número de dias por ano com
temperaturas máximas acima dos 40 graus centígrados poderão aumentar até cerca de 50
dias por ano no final deste século».

«Daqui a algumas décadas poderemos ter 3 meses por ano onde as temperaturas máximas diárias são acima de 40 ºC, se bem que esta tendência é mais predominante no centro-sul de Espanha e não tanto para Portugal», afirma David Carvalho e que vão trazer «consequências significativas para a saúde humana, mas principalmente para o meio ambiente e em áreas como a agricultura, os fogos florestais, a desertificação ou a seca».

A emissão para a atmosfera de grandes quantidades de gases com efeito de estufa, como é o caso do dióxido de carbono e do metano, refere o cientista do CESAM, «são as principais causas para o aumento de temperatura que estamos já a assistir, e que serão amplificadas nas próximas décadas».

As soluções para contrariar as subidas do termómetro são já conhecidas, mas David Carvalho sublinha-as mais uma vez: «apostar fortemente numa descarbonização do modelo socio-económico em que vivemos, ou seja, usar meios de produção de energia que não impliquem a emissão de dióxido de carbono para a atmosfera, apostar também num uso mais eficiente dos nossos recursos energéticos e evitar a necessidade de produção de tantos bens de consumo».





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