Fotografia: Nuno Cerqueira

Silêncio das ruas quebrado por chuva, rondas e gaivotas

Recolher obrigatório por Viana do Castelo, Barcelos e Esposende.

Nuno Cerqueira
14 Nov 2020

Às 13h00 horas ainda eram alguns os que corriam para serviços rápidos. Na pastaleria Lino´s, nas Marinhas, mesmo ali à face da EN13 em Esposende, ainda se colocava no formo o último pão. Uma espécie de preparação para o confinamento.

«Tenho colegas meus que estão aflitos. As semanas têm sido más e restava os fins-de-semana. Ainda se vendeu bem de manhã. Agora? Agora é que tudo fique bem de saúde», disse a este jornal o proprietário, Óscar.

Rumo a Barcelos, ainda tempo para parar no centro da foz do Cávado. Uns táxis ainda a rolar e as rondas da GNR de Esposende era o cenário junto à Matriz, onde a chuva, a cair remonhenta, disfarçava a tarde de confinamento.

«É a chuva, é o mar a levar costa, não há emprego, as empresas fogem, o turismo foi-se e agora é covid-19, que nos leva a liberdade e esperança. Esta terra está condenada», resmungou José Martins, que desapareceu no dobrar da esquina rumo à farmácia, em jeito de “velho do restelo” como quem tem que dobrar o cabo das tormentas num afundamento anunciado.

Já na cidade do galo o confinamento era ainda mais notório. Se de manhã os pregões no mercado ainda disfarçaram a pandemia, a tarde era o eco dos passos das poucas pessoas que circularam na rua que davam ritmo à chuva que ia marcando o recolher obrigatório.

Joana, trabalhadora no Hospital de Barcelos, sorria à reportagem do jornal e mesmo ali pouco antes de entrar ao serviço substituiu o tradicional «vai ficar tudo bem» pelo «estamos na luta juntos».

Virando para a capital do Alto Minho, pela completamente vazia nacional 103 e atravessando o rio do esquecimento, a ausência de pessoas era total. Apenas quebrado pelos carros da PSP no centro da cidade de Viana do Castelo, em constantes rondas, procurando por eventuais peões desprovidos de sentido para circular.

Às 17h30 só mesmo a chuva fazia companhia à reportagem deste jornal, enquanto as gaivotas se agrupavam nos telhados, também elas confinadas pelo vento que soprava vindo de Santa Luzia.

«Gaivotas em terra, tempestade no mar. Pessoas em casa, pandemia a confinar».





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