Fotografia: Governo de Portugal

Medidas de apoios à restauração totalizam 1.103 ME

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, assinalou que as quebras de faturação se deve,, sobretudo, à quebra na procura e ao «desaparecimento de um segmento muito importante da procura [o turismo] que escapa ao nosso controlo».

Redação / Lusa
14 Nov 2020

Os apoios já disponibilizados ou anunciados para o setor da restauração na sequência da crise causada pela pandemia totalizam 1.103 milhões de euros, correspondendo a cerca de 60% da quebra de faturação registada pelo setor, disse hoje o ministro da Economia.

Aquele valor global engloba 286 milhões de euros de apoios às empresas deste setor por via do ‘lay-off’ simplificado e do apoio à retoma progressiva ou ainda os 200 milhões de euros para o novo programa Apoiar.pt, que consiste na atribuição de um apoio a fundo perdido às micro e pequenas empresas para as compensar pela quebra de faturação.

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, durante uma conferência de imprensa realizada hoje em Lisboa, referiu esperar que os primeiros pagamentos do Apoiar.pt sejam feitos já em dezembro.

Os dados das faturas comunicadas pelo setor da restauração ao Portal das Finanças permitem concluir que a quebra de faturação face a 2019 foi nos primeiros nove meses de 2020 de 1.860 milhões de euros (-31%), evidenciando que a situação da restauração é “significativamente de perda de faturação” e “o impacto difícil que resulta desta pandemia”.

O programa Apoiar.pt fará chegar às empresas um volume de 750 milhões de euros a fundo perdido, estimando o Governo que 200 milhões de euros sejam absorvidos pela restauração tendo em conta os dados sobre a quebra de faturação e a fórmula de cálculo do apoio.

Este programa consiste num apoio que corresponde a 20% da quebra da faturação registada nos primeiros nove meses deste ano relativamente ao período homólogo de 2019, até ao limite de 7.500 euros para as microempresas e de 40 mil euros para as pequenas empresas. São elegíveis as empresas com quebras de faturação superiores a 25%.

Os 20% foram considerados tendo em conta a estrutura de custos das empresas, em que cerca de metade correspondem a custos fixos, nomeadamente salários e outros.

“Os salários estão a ser apoiados através do ‘lay-off’ e do apoio à retoma progressiva, mas há uma parte destes custos que não estavam a ser apoiados”, detalhou o ministro, acrescentando que essa parte rondará os 20%, o que justificou que fosse esta a ordem de grandeza para o apoio à quebra de faturação.

Também o apoio extraordinário anunciado pelo primeiro-ministro para compensar a restauração pelas restrições de circulação neste fim de semana e no próximo equivale a 20% da quebra média de faturação agora registada face à média de todos os fins de semana deste ano.

Este apoio, que deverá fazer chegar aos restaurantes 25 milhões de euros, pode ser acumulado com o do Apoiar.pt bem como com outras medidas já disponíveis e também com apoios a fundo semelhante que venham a ser criados pelas autarquias, como o recentemente anunciado pela Câmara de Lisboa.

Tanto o Apoiar.pt como este apoio extraordinário terão o mesmo mecanismo de candidatura, através do Portugal 2020, devendo os interessados preencher o formulário e submetê-lo com indicação do NIB para a transferência dos valores.

“Estamos confiantes que durante o mês de dezembro possamos estar a fazer os primeiros pagamentos”, referiu Pedro Siza Vieira.

Numa conferência de imprensa em que fez o ponto de situação das medidas de apoio e anunciou os próximos passos relativamente a políticas públicas para este setor, Pedro Siza Vieira referiu que a quebra homóloga média de 31% na faturação dos restaurantes entre janeiro e setembro esconde realidades muito diferentes, já que os dados disponíveis indicam que as quebras são mais elevadas em determinadas zonas (como os centros históricos das cidades) e mais suaves nos restaurantes de bairro, por exemplo.

A informação relativa às faturas submetidas no Portal das Finanças revelam também que há outros setores em que a quebra homóloga de faturação nestes primeiros nove meses de 2020 foi superior à da restauração, com a animação turística a revelar quebras de 60%, o comércio a retalho de bebidas a cair 40%, os hotéis 64% e as agências de viagem 74%.





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