Vídeo: Luísa Teresa Ribeiro

Setor contribui para impulsionar a economia do Minho.

Luísa Teresa Ribeiro
8 Nov 2020

A Rota dos Vinhos Verdes está a impulsionar o setor do enoturismo na região. Cerca de sessenta aderentes dão a conhecer, através de diferentes valências e iniciativas, o vinho, a vinha, o património e a história local. Esta é uma das apostas da Comissão de Viticultura, uma vez que a atividade dinamiza toda a economia regional.

Vinhas da Quinta do Tamariz

O enoturismo vai ser um dos eixos estratégicos da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) para o próximo ano, uma vez que esta atividade «tem a potencialidade de desenvolver toda a economia local», revela o presidente desta instituição.

A aposta dá continuidade ao trabalho que a CVRVV tem vindo a desenvolver nesta área, que incluiu recentemente uma visita a cinco produtores que fazem parte da Rota dos Vinhos Verdes, na qual o Diário do Minho participou, com alojamento no Monte Prado Hotel & SPA, em Melgaço.

Manuel Pinheiro refere que «o vinho é produto de um território», pelo que o que a CVRVV tem feito é «procurar levar clientes até à casa dos produtores». «Num passeio pelo Minho, juntando à oferta maravilhosa de cidades como Braga, Guimarães ou Viana do Castelo, por exemplo, os turistas podem visitar os produtores de Vinho Verde, ficando a saber mais sobre a cultura da vinha e sobre a forma como se faz o vinho», diz.

O vinho não é um produto industrial, é um produto que ganha a personalidade dos territórios onde as vinhas estão plantadas.

Este responsável constata que «a Covid-19 tem levado a que haja uma redescoberta do nosso país, em particular do interior», sendo que o enoturismo é uma proposta aliciante para quem passear pela região. «Esta região é fantástica porque tem ótimos acessos e muita diversidade. Quem visita Monção tem uma paisagem e uma cultura muito diferente de quem visita Baião ou Penafiel. Dentro da nossa região é possível, em poucos dias, vivenciar a enorme diversidade que temos, desde a costa até ao interior», argumenta.

Manuel Pinheiro afirma que o enoturismo promove a venda direta de vinho do produtor ao consumidor, mas também «põe a funcionar a restauração, a hotelaria, o artesanato e todos os serviços que existem no mercado a nível local», dinamizando assim a economia.

Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, Manuel Pinheiro

No sentido de promover o setor, a CVRVV realizou, este ano, o segundo Dia de Portas Abertas, a 5 de setembro, com uma dezena de produtores a receberam visitantes nas suas instalações, o festival de cinema nas vinhas, que decorreu nos meses de agosto e setembro, e um programa de caminhadas, que está em curso até janeiro de 2021.

Constatando a necessidade de formação, o plano de atividades da CVRVV para 2021 vai prever ações conjuntas com as escolas de hotelaria do Porto e de Viana do Castelo destinadas a formar os produtores para receberem visitantes. Manuel Pinheiro declara que este será o primeiro passo para a qualificação da oferta da região, uma vez que a produção de vinho e o turismo exigem competências diferentes.

A segunda área de atuação passa pela realização de atividades, designadamente o crescimento do festival de cinemas nas vinhas, que vai animar uma dezena de locais nas noites do próximo verão.

Manuel Pinheiro adianta que está a ser preparado o orçamento para uma campanha de promoção mais forte do que aquela que foi feita este ano, que terá uma aposta reforçada na Galiza, uma área geográfica que é uma boa fonte de visitantes para o enoturismo da região.

 

Um mote para partir à descoberta

A Comissão de Viticultura explica que a Rota dos Vinhos Verdes abrange 49 concelhos no Noroeste de Portugal, nos quais o Vinho Verde serve de mote para partir à descoberta de quintas, adegas, restaurantes, unidades de alojamento e empresas de animação turística que oferecem diversas propostas de atividades e itinerários, proporcionando experiências culturais associadas à temática do vinho.

Para além de coordenar as ações propostas pelos operadores, a Rota dos Vinhos Verdes apresenta um plano anual, do qual fazem parte as caminhadas pelo território, que este ano foram adaptadas ao contexto de pandemia, com grande sucesso, uma vez que consistem em atividades ao ar livre, o Dia de Portas Abertas, provas, circuitos temáticos e uma abordagem pedagógica sobre a Região dos Vinhos Verdes.

Se inicialmente alguns produtores encaravam o enoturismo apenas como uma forma de venderem vinho à porta da adega, atualmente a oferta está cada vez mais qualificada, com a diversificação de valências, que vão desde o alojamento a serviços de restauração e programas personalizados. Para além das tradicionais provas de vinho ou visitas às vinhas já é possível encontrar na região locais onde se pode ser enólogo por um dia ou fazer uma massagem no meio dos vinhedos, como no Monverde Wine Experience Hotel, em Amarante.

 

Quinta de Soalheiro diversifica atividades em prol do desenvolvimento sustentável

E se um produtor de vinho o desafiar para beber uma infusão numa mesa decorada com tons de outono? É porque está na Casa das Infusões, o mais recente projeto da Quinta de Soalheiro, o produtor considerado pioneiro na criação do vinho Alvarinho em Melgaço, que traduz no dia a dia o seu certificado de inovação e a aposta na sustentabilidade.

Ao pôr do sol, com o Monte do Faro e o rio Minho no horizonte, num dos concelhos do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Quinta de Soalheiro reitera aos participantes de uma visita promovida pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes o seu compromisso com o território onde desenvolve a atividade e lhe confere condições únicas para a produção de vinho da casta Alvarinho, mas também para a realização de outros projetos, como o lançamento de um conjunto de infusões e de um espaço de alojamento local inspirado nas ervas aromáticas.

Pôr do sol visto na Quinta de Soalheiro

Numa excelente recuperação de um edifício rústico, a Casa das Infusões tem capacidade para seis hóspedes, podendo ser reservada por 120 euros a noite, com pequeno-almoço incluído, sendo duas noites o período mínimo de permanência.

O espaço abriu em agosto, tendo registado ocupação completa nesse mês e em setembro. Com a chegada do outono, a procura verifica-se sobretudo ao fim de semana. O facto de ser uma unidade amiga dos animais, para a qual os donos podem levar os seus cães, é um atrativo extra.

Na parte superior ficam os quartos, sendo que cada um tem pendurado na porta um copo com as ervas aromáticas das infusões.

Numa das paredes do espaço comum, fotos antigas da família constituem um recanto de memória, lembrando o passado desta região ligado à agricultura de subsistência, ao rio Minho e à emigração.

Maria João Cerdeira na Casa das Infusões

Descendo por uma escada de caracol, chega-se à cozinha, já perfumada pelo aroma das infusões.

Este projeto começou a ser desenvolvido há um ano, na perspetiva de evitar a monocultura e promover a biodiversidade, mas também de preservar a tradição das infusões, uma vez que antigamente era comum haver ervas aromáticas nas hortas. A gama é atualmente composta por lúcia-lima, hortelã verde, tomilho-limão, cidreira, perpétua vermelha, hortelã-pimenta, tomilho, alcachofra e alecrim, mas as experiências continuam.

Maria João Cerdeira, uma das responsáveis pela Quinta de Soalheiro, assegura que ideias não faltam, tendo os projetos como denominador comum a promoção sustentável do território e a responsabilidade social para com os 30 trabalhadores da empresa e os produtores que lhe estão associados. Entre as inovações em curso está uma vinha na Branda da Aveleira, a 1200 metros de altitude, com solo de xisto.

O vinho continua a ser o produto de excelência da firma, com a produção de 800 mil garrafas por ano. Para além de cerca de 14 hectares de produção própria, em regime de agricultura biológica, a Quinta de Soalheiro tem um clube de produtores com 150 associados, que perfazem cerca de 100 hectares.

Com venda de vinho para mais de 30 países, destacando-se mercados como a Noruega, Suécia, EUA ou Inglaterra, foi o aumento das exportações que equilibrou as contas com a chegada da pandemia.

A empresa teve de se adaptar ao novo contexto sanitário, com a implementação de provas digitais, mas nunca parou de trabalhar, tendo até aumentado o número de colaboradores.

Na impossibilidade de receber crianças na quinta, durante o confinamento, mais de mil alunos dos concelhos de Melgaço e Monção receberam pelo correio um livro com a história da uva Alvarinho, que incluía um concurso de desenho, apelando à colaboração dos pais nesta tarefa. «O objetivo é que as novas gerações percebam a importância do Alvarinho neste território, a nível económico e cultural», refere Maria João Cerdeira, destacando as condições únicas que existem na sub-região de Monção e Melgaço para a produção desta casta.

A responsável destaca que a vertente de enoturismo permite precisamente a descoberta da riqueza deste território, estando nesta valência previstas visitas à quinta, provas de vinhos e de infusões, mas também a articulação com as atividades locais, como as caminhadas, o rafting ou o canyoning.

A gastronomia não pode faltar, sendo que os visitantes podem optar pela refeição rápida, se forem apenas dois, ou por uma experiência gastronómica, para grupos, onde marca presença o fumeiro tradicional de Melgaço, que a Quinta de Soalheiro está a promover através de um projeto de recuperação do porco bísaro. «A sub-região tem pernas para andar, porque tem muito para descobrir», resume Maria João Cerdeira.

 

Adega de Monção quer proteger rendimento dos produtores

É no espaço museológico da Adega Cooperativa Regional de Monção, composto por alguma maquinaria, diplomas e garrafas históricas, que o presidente da direção sublinha a importância desta organização, com 62 anos, para a economia local.

Este é o maior produtor da sub-região Monção e Melgaço, tendo registado em 2019 uma faturação de 15,4 milhões de euros. A cooperativa tem 1600 associados, sendo que este ano entregaram uvas 1450 produtores. Com uma área de 1280 hectares de vinha, dos quais mais de 800 de Alvarinho, a adega produziu no ano passado 6,5 milhões de garrafas. Para além da sede em Monção, possui um polo de vinificação em Melgaço para os cooperantes daquele concelho.

«O nosso principal mercado ainda é, de longe, o nacional», revela Armando Fontainhas, destacando que a Adega Cooperativa de Monção é «líder no mercado nacional em algumas categorias e cadeias de distribuição», com vinhos como Muralhas, Deu la Deu e Verde Tinto. As exportações têm vindo a aumentar, mesmo numa situação de pandemia, sendo a Eslováquia e a Bulgária mercados conquistados este ano.

Este responsável refere que a presença na grande distribuição e o aumento das exportações têm ajudado a compensar a «quebra significativa» de vendas verificada no setor da restauração, mas mesmo assim é expectável que chegue ao fim do ano com uma descida entre 10 e 15 por cento.

O dirigente assegura que a adega cooperativa tem «uma boa saúde financeira», pelo que espera que no curto prazo esta diminuição nas vendas não tenha impacto no rendimento dos produtores.

Armando Fontainhas lembra que a adega cooperativa está implantada numa zona com pouca população, que está envelhecida e tem baixos rendimentos. É, portanto, o rendimento que os produtores conseguem com a produção de uvas, quer se dediquem em exclusivo à atividade ou esta seja um complemento financeiro, que tem ajudado a fixar gente naquela área do interior. «Este nosso peso social é fundamental», declara.

«Toda a economia da região vive muito à volta dos pagamentos da adega, que são feitos em dois momentos: metade da colheita é paga em dezembro e metade antes da Páscoa», explica, dizendo que em 2019 a cooperativa colocou diretamente nos sócios quase 9 milhões de euros, sendo 6,5 milhões relativos ao pagamento da colheita e o restante à participação de resultados.

Em termos de novidades no mercado, foi lançado em junho, no dia da Sub-região de Monção e Melgaço, o “Deu la Deu Histórico”, colheita de 2017, que apresenta o rótulo mais antigo registado pela Adega de Monção. «Os nossos brancos têm caraterísticas para dar bons vinhos de guarda. É nisso que estamos a apostar com este e com outros vinhos», afirma.

Armando Fontainhas mostra o Deu la Deu Histórico

Destaque também para o “Deu la Deu Terraços”, que resultou de um projeto de investigação, no âmbito do qual uma spin-off da Universidade do Minho recolheu leveduras das uvas em diferentes pontos do território de Monção e Melgaço. Foram feitas várias microvinificações e selecionadas três leveduras, que posteriormente foram usadas para dar origem ao vinho, que já tem sido premiado.

Relativamente à colheita deste ano, Armando Fontainhas conta que a qualidade das uvas era excelente, prevendo-se vinhos fantásticos.

A Covid-19 obrigou a adiar o projeto para transformar o antigo laboratório na Enoteca da Adega de Monção, com sala de receção aos turistas para provas e a possibilidade de ter uma zona de restauração, que estava previsto arrancar este ano.

Armando Fontainhas diz que antes do início da pandemia se estava a registar um aumento do número de visitantes, mas esta valência foi temporariamente encerrada com a implementação de rigorosas medidas de segurança para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

 

Quinta do Tamariz convida a apreciar o vinho e a natureza

O enoturismo dá rosto humano às marcas de vinho. Depois de uma experiência desta natureza, as garrafas que se veem nas prateleiras dos espaços comerciais ou o nome de um vinho escrito num menu passam a evocar o sabor das uvas que se provaram, a imagem das vinhas por onde se passeou ou os cheiros da adega onde se esteve.

Foi precisamente por considerar que a melhor forma de promover os vinhos é mostrar onde e como são feitos que a Quinta do Tamariz, em Fonte Coberta, no concelho de Barcelos, avançou com a criação desta valência há mais de duas décadas, tirando partido da beleza e riqueza histórica desta quinta, que tem 30 hectares, 16 dos quais com vinha.

O mote para a descoberta é dado logo à entrada da propriedade, num portão encimado pelo brasão dos Pereira e com a evocação de D. Nuno Álvares Pereira, 7.º Conde de Barcelos. O proprietário, António Vinagre, adianta que a primeira referência à produção de vinho neste espaço remonta a 1548, quando a comenda de Fonte Coberta foi dada a Miguel de Castanhoso. O tombo das suas propriedades referia a quinta tinha «uma adega» e junto dela «havia uma vinha, cujo amanho empregava 75 homens de cava».

A visita prossegue nas vinhas, ainda com “netas”, uvas que não foram colhidas e que maturaram mais tarde, com António Vinagre a percorrer a história da quinta, que se entrelaça com a evolução da viticultura em Portugal. A atual estrutura da quinta remonta à década de oitenta, altura em foi plantada «talvez a primeira vinha em cordão da região», com castas separadas, designadamente Loureiro, Arinto e Alvarinho, nos brancos, e Vinhão e Touriga Nacional, nos tintos.

A riqueza da Quinta do Tamariz não se resume à vinha, uma vez que tem uma área de floresta com 10 hectares, um jardim com quase 300 variedades e um dos mais antigos viveiros de plantas do Norte do país. As tonalidades típicas do outono já começaram a tomar conta da vegetação, convidando a percorrer o espaço e a apreciar esta beleza natural.

Para além das caminhadas, a propriedade tem uma loja e uma sala de provas decorada com louça de Barcelos. De forma a ir ao encontro do gosto dos visitantes, este produtor independente apresenta diversos programas de visita com provas, que podem incluir vinhos, espumantes e aguardentes.

António e Maria Francisca Vinagre

A Quinta do Tamariz aposta em vinhos de qualidade, sem adição de gás, tirando partido do potencial de guarda dos Vinhos Verdes. No seu historial está o primeiro vinho certificado com a designação 100 por cento Loureiro, em 1986. No portfolio da empresa destacam-se as aguardentes velhas, havendo uma com 40 anos.

De forma a diversificar a oferta na área do enoturismo, a empresa está a trabalhar num projeto para transformar duas casas antigas existentes na propriedade em alojamento, o que permitirá a criação de dez quartos.

 

Quinta de Paços produz vinho há 500 anos

Na Quinta de Paços respira-se história, havendo um registo que indica que se produz vinho nesta propriedade de Rio Covo Santa Eulália, no concelho de Barcelos, há mais de 500 anos. O proprietário, Paulo Ramos, revela que outrora a quinta pagava uma renda à Ordem de Malta. Em 1508, esta entidade queixou-se que a renda não levou vinho, advertindo os donos da propriedade de que no ano seguinte deveriam fazer o pagamento com vinho.

A riqueza histórica e patrimonial é, assim, um fator de atração de visitantes a esta quinta, que está na família de Paulo Ramos há 15 gerações.

A experiência de visita à quinta começa no exterior, a apreciar o edifício. No passado, houve duas casas, cada uma com sua capela, só restando atualmente uma. Passando o portão, com a inscrição de 1714, chega-se à Casa de Paços, que «apresenta uma traça típica da arquitetura barroca». Embora o edifício seja do século XVI, é marcado pelas obras ocorridas entre o início do século XVIII e o início do século XX.

Esta quinta tem dez hectares de vinhas, a que se juntam mais dez da Quinta da Boavista, em Monção, num total de propriedades com cerca de 100 hectares.

A produção cifra-se em 30 mil litros, comercializados com as marcas Casa de Paços e Casa do Capitão-Mor, tendo a pandemia feito com que as exportações tenham ultrapassado as vendas no mercado nacional. A Quinta de Paços exporta para países como EUA, Canadá, Noruega, Dinamarca, Inglaterra, Alemanha, Taiwan ou Singapura, sendo o trabalho assegurado por dez funcionários.

Com a assinatura da enóloga Gabriela Albuquerque, a aposta é em vinhos de qualidade, com potencial de guarda, fazendo jus à tradição da quinta, que recebeu o seu primeiro prémio na Exposição Internacional do Centenário dos EUA, que teve lugar em Filadélfia em 1876.

Paulo Ramos gosta de manter a tradição, mas também de inovar sempre que possível, apresentando uma panóplia de vinhos que permite diferentes harmonizações. Na adega está à espera da altura certa para ser lançado no mercado um vinho de colheita tardia. Este ano, a quinta fez uma experiência de “pet nat”, vinho que vai fazer a fermentação na garrafa, elaborado a pensar nos mercados com apetência para vinhos mais naturalistas.

Paulo Ramos e a enóloga Gabriela Albuquerque

Paulo Ramos tem um projeto para reabilitar três casas no interior da propriedade, convertendo-as em alojamento local, de forma a aumentar as valências na área do enoturismo, setor que está a ser desenvolvido há três anos. Para além de visitas à quinta com provas que variam consoante a preferência dos visitantes, também é possível marcar experiências gastronómicas para grupos, que decorrem com a colaboração da AESAcademy, de Vila Nova de Famalicão.

 

Quinta das Arcas melhora condições para receber visitantes

A Quinta das Arcas, localizada em Sobrado, Valongo, distrito do Porto, está a melhorar as condições para receber os visitantes, consolidando a aposta no enoturismo.

Embora já possua uma sala de provas, a família Monteiro vai avançar com o investimento numa nova cave de barricas com sala para receber os visitantes, no mesmo edifício onde haverá a ampliação da linha de engarrafamento e uma zona de armazenagem. Aproveitando a reconversão de uma vinha, que já está a decorrer, vai ser melhorado o estacionamento e a parte estética para a receção dos turistas.

Devido à pandemia, à espera de concretização vai ficar o ambicioso projeto para a criação da Casa do Vinho, no centro da aldeia. A ideia consiste em recuperar uma casa antiga para instalar «o centro turístico da Quinta das Arcas», complementado por um comboio turístico para fazer a ligação entre as vinhas da empresa.

Diana e António Monteiro, que gerem a firma em conjunto com a família, explicam que a Covid-19 quebrou o ciclo de crescimento do enoturismo, tendo mesmo obrigado a fechar esta valência durante alguns meses. A partir de setembro já tem havido alguma procura, sobretudo de turistas nacionais, mas longe dos números que se verificavam antes da crise sanitária, em que os principais clientes eram estrangeiros, oriundos principalmente dos EUA, Canada e Brasil.

A quinta beneficia do facto de ser a mais próxima do Porto, atraindo turistas da “Invicta”, e da riqueza cultural da localidade, famosa pela Bugiada, festa de S. João de Sobrado, uma representação teatral de uma lenda envolvendo mouros e cristãos, que mobiliza cerca de mil participantes. Da história do concelho também faz parte o tempo em que as padeiras de Valongo iam até ao Porto de canastras à cabeça para distribuir pão fresco.

A Quinta das Arcas tem à disposição dos visitantes diferentes programas, como as caminhadas, a visita de jipe às vinhas, a visita integrada com a famosa fábrica de bolachas Paupério ou visitas organizadas à medida, que podem incluir almoço ou jantar, mas apenas mediante marcação.

A pandemia reduziu as vendas no mercado nacional, uma vez que a comercialização é feita no setor da hotelaria e restauração e em lojas especializadas, embora também exista venda online. Em contrapartida, as vendas para o exterior aumentaram, superando as expectativas. «O mercado nacional representava 60 por cento das vendas e o mercado internacional 40 por cento, o que se inverteu este ano», explica António Monteiro.

A Quinta das Arcas foi fundada há cerca de 40 anos por António Esteves Monteiro, que ao longo dos anos foi alargando a área de vinha, até uma extensão que atualmente se cifra em mais de 200 hectares. A empresa tem 50 trabalhadores, apostando na sustentabilidade no tratamento da vinha, como refere o enólogo Fernando Machado.

Enólogo Fernando Machado apresenta os vinhos das Quinta das Arcas

A produção ronda os 3 milhões de litros anuais, sendo que o portfolio inclui vinho, espumante e jeropiga. Entre as especificidades da Quinta das Arcas está uma plantação de Alvarinho em solo de xisto e uma vinha em modo de produção biológica, sendo os vinhos comercializados sob as marcas Arca Nova, Conde Villar e Family Collection. Este mês chega ao mercado um espumante com uvas da parcela biológica. Com uma propriedade no Alentejo, a Herdade do Penedo Gordo, a empresa também comercializa queijo e azeite.




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