Fotografia: Miguel Viegas

Europa precisa de agir para travar perda da biodiversidade

Relatório sobre o estado da natureza na União Europeia.

Luísa Teresa Ribeiro
20 Out 2020

A Europa precisa de fazer «uma mudança radical das práticas», se quiser «ter alguma hipótese de colocar a biodiversidade numa trajetória de recuperação até 2030». Caso não o faça, assistirá «à degradação contínua não apenas do património natural comum, mas também dos serviços vitais que proporciona, indispensáveis à saúde humana e à prosperidade das sociedades».

Este alerta é lançado no relatório da Comissão Europeia sobre o estado e as tendências das espécies e dos tipos de habitat protegidos pelas Diretivas Aves e Habitats no período 2013-2018, considerado «o maior e mais completo exame de saúde da natureza alguma vez realizado na União Europeia (UE)», lançado no âmbito da Semana Verde Europeia 2020, que decorre até quinta-feira, coincidindo com a parte final da 18.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios.

A avaliação mostra que a UE «não conseguiu ainda travar o declínio das espécies e dos tipos de habitat protegidos cuja conservação é motivo de preocupação». Segundo o documento, «persistem as principais pressões sobre o uso do solo e da água que levaram à degradação da natureza, resultando num défice significativo em relação à meta fixada para 2020 de travar e reverter de forma mensurável a deterioração do estado das espécies e dos habitats».

O estudo revela que, embora algumas espécies e habitats protegidos estejam a conseguir resistir apesar da forte pressão, o estado da maioria é deficiente ou mau à escala da UE e alguns apresentam tendências contínuas de deterioração.

Entre as várias espécies, as aves que estão estreitamente associadas à agricultura continuam em declínio, ao passo que os peixes de água doce apresentam a percentagem mais elevada de mau estado de conservação (38 %), principalmente devido a alterações nas massas e caudais de água e às instalações hidroelétricas. Entre os habitats, apenas 15 % estão em bom estado.

O relatório indica que a aplicação de medidas de conservação direcionadas produz resultados, sendo que o lince ibérico, a rena da floresta e a lontra, espécies que têm sido alvo de grandes projetos de conservação, estão agora a recuperar. As iniciativas realizadas no âmbito do programa LIFE da UE, os regimes agroambientais específicos abrangidos pela política agrícola comum e a rede Natura 2000, com os seus 27 000 sítios, continuam a ter uma influência positiva, mas esta deve ser consideravelmente alargada, uma vez que «os resultados obtidos não são suficientes».

O documento defende que a nova estratégia de biodiversidade para 2030 proporciona o «enquadramento necessário para a mudança transformadora» que é urgente implementar, pois estabelece, «juntamente com outras iniciativas no âmbito do Pacto Ecológico Europeu, um programa de ação altamente ambicioso e prático» neste âmbito.

O comissário do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius, refere que esta avaliação «mostra muito claramente, uma vez mais, que estamos a perder o nosso sistema essencial de suporte vital. Cerca de 81 % dos habitats protegidos na UE estão em mau estado». «Há que cumprir urgentemente os compromissos assumidos na nova Estratégia de Biodiversidade da UE para inverter esta tendência, em prol da natureza, das pessoas, do clima e da economia», adverte.

O relatório, que analisa os dados relativos ao estado e às tendências de todas as espécies de aves selvagens presentes na UE (460 espécies), de 233 tipos de habitats e de quase 1400 outras plantas e animais selvagens de interesse europeu, pode ser encontrado aqui.





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